domingo, 8 de março de 2026

20 anos de The Bloody Path of God do Mystic Circle!!!


O sétimo álbum de estúdio dos alemães do Mystic Circle traz uma mudança sutil em relação aos dois trabalhos anteriores. Aqui, a banda tenta resgatar um elemento que havia se perdido desde o início da carreira: o teclado. Após um começo no symphonic black que chamou a atenção de muita gente, o grupo se transformou em um trio e migrou para um blackened death metal mais direto, calcado em riffs e em um vocal constantemente rasgado.

Em The Bloody Path of God, a banda mantém a mesma toada de Damien e Open the Gates of Hell, mas agora os teclados aparecem mais distribuídos, acompanhando os riffs — algo que eles ainda não haviam feito dessa forma. No início da carreira, inclusive, os teclados muitas vezes ganhavam mais destaque que as próprias guitarras. Talvez, a essa altura da jornada, a banda já estivesse considerando um retorno parcial à sonoridade de outrora.

Outro indício disso é a adição de um segundo guitarrista: o alemão Tobias Drabold, aqui creditado como Vike Ragnar, e que acabaria participando apenas deste álbum. Ao lado do guitarrista original Ezpharess, ele ajuda a reforçar os riffs, embora a dupla também abuse de breakdowns — um recurso mais associado ao thrash metal — o que faz algumas faixas soarem parecidas entre si. Ainda assim, melodias como a que abre “The Grim Reaper” são bastante interessantes.

Após a intro “Psalm of the End”, o álbum se inicia de fato com a faixa-título e “Doomsday Prophecy”, e algo nelas passa a impressão de que o disco é mais arrastado do que realmente é. A partir de “Nine Plagues of Egypt” a coisa ganha mais velocidade, embora ainda perca numa corrida direta com o antecessor, que era consideravelmente mais agressivo.

A arte da capa lembra um pouco coisas do Deicide e, mesmo usando cores pouco chamativas, apresenta um desenho bem trabalhado.

A faixa que mais puxa a sardinha para o vocalista e baixista Beelzebub (Marc Zimmer) é “Hellborn”, onde seus vocais aparecem sobre instrumentais mais vazios e o baixo ainda ganha um pequeno momento solo. Já o baterista Necrodemon (Alex Koch), em seu terceiro e último álbum com o Mystic Circle, utiliza pedais duplos muito bem colocados e soa mais complexo quando a música exige, como em “Church of Sacrifice”.

O álbum se encerra com um cover de Circle of the Tyrants, clássico do Celtic Frost — e que ficou bem executado.