O logo e a fonte utilizados no título do segundo álbum do Eternal Fall neste post são diferentes da arte que publicamos em 2019, mas trata-se do mesmo disco já resenhado por aqui — naquela ocasião, por conta de seu relançamento, quando recebeu o carimbo de “fudido” do M&L. Ainda assim, não dava pra deixar passar batido o aniversário de 20 anos de uma das bandas de death doom mais importantes do cenário nacional, mais precisamente de Belo Horizonte, com seu segundo trabalho de 2006, Under The Mind's Sheet.
Com André Salatiel nos vocais, João Silva na guitarra, Anderson Gualberto no baixo e Luiz Toledo na bateria, a banda arrastava ainda mais o seu som em relação ao debut, caprichando na morbidez — algo perceptível já de cara em “For The Eternity”, quando uma voz sinistra e narrada inicia a jornada, acompanhada apenas por baixo e um piano soturno.
A banda atravessava um processo meio conturbado de troca de vocalista: o original Salatiel retornava a tempo de gravar as vozes deste play — uma decisão mais que acertada, já que seu vocal rosnado e cavernoso casa perfeitamente com o instrumental. “Angústia Suprema” é a primeira faixa em português do álbum, com dedilhados de guitarra sustentando uma melodia agonizante, enquanto “Tears To The Wind” traz passagens narradas que remetem a Darren White, vocalista original do Anathema.
A instrumental “Zahir” — palavra de origem árabe — apresenta uma melodia de guitarra levemente oriental, o que pode ter inspirado o nome. Popularmente, o termo remete a algo em que você não consegue parar de pensar, e também intitula obras do brasileiro Paulo Coelho e do argentino Jorge Luis Borges.
Em “Valhalla”, a banda até acelera um pouco o ritmo, mas nada comparado à ótima “Amaldiçoado”, segunda faixa em português, que começa com teclados, engata um riff muito interessante, acelera no momento mais death metal do álbum e termina com falas que remetem imediatamente ao Rotting Christ em seu excelente Passage to Arcturo.
A faixa-título, mesmo com várias facetas, também evidencia a influência dos paranaenses do Amen Corner, especialmente em uma passagem cuja melodia remete ao EP Darken In Quir Hareset.
O interessante é que, mesmo absorvendo influências diversas, o som do Eternal Fall mantém uma aura única: arrastada, mórbida, por vezes indo além do puro death doom — um prato cheio pra quem aprecia seres rastejantes sobre a terra úmida.
“The Old And The Mirror” encerra o trabalho com a mesma pegada e qualidade indiscutível de todo o artefato.
Se não conhece, procure.






