O Drowned, de Belo Horizonte, chegava a seu quarto full-length, intitulado Bio-Violence, em 2006. Após alguns trabalhos imprescindíveis, cada qual com sua identidade, era hora de mostrar se ainda havia formas de demonstrar força em meio a um período de revigoramento do metal nacional, com lançamentos cada vez mais carregados de qualidade, buscando um equilíbrio com o metal mundial.
Gravado no DR Studio, em Nova Lima, e produzido pelo guitarrista Marcos Amorim e pela própria banda, Bio-Violence foi criado com a intenção de soar mais original e não seguir a mesma fórmula. Acredito que a banda tenha soado mais séria neste álbum, e a palavra seria “profissional” se isso não acabasse por deturpar o passado para quem não conseguisse entender. Isso pode ter tirado um pouco da fúria tradicional da banda, em uma audição menos atenta. Porque, na real, o Drowned acabou não mudando a fórmula nem reinventando a roda, mas permaneceu fiel ao seu legado.
Se pegarmos minha faixa favorita neste álbum, justamente a faixa-título, eu a colocaria para abrir o disco no lugar de “New Romes Arise”. Primeiro, porque ela tem uma introdução ultrapesada e cadenciada que acho perfeita para uma abertura. Segundo, porque sua estrutura lembra demais algumas músicas de By the Grace of Evil, o álbum anterior e o melhor da banda. Ok, várias músicas seguem essa tendência, como “The Fossil Target”, com alguns detalhes à parte, já que os vocais limpos de Marcos Amorim foram reduzidos, assim como o impacto dos refrãos.
Mas temos um som de guitarras bem produzido, com bases pesadas e pouco abafadas, amparadas pelo baixo, além de guitarras mais melódicas, bem limpas e choradas. Por falar em baixo, quem gravou o instrumento foi Wesley Ribeiro, que estava no The Mist e anunciou sua saída estes dias, no lugar de Rodrigo Nunes, que, na época, foi para o Eminence.
A capa foi novamente criada pelo vocalista Fernando Lima e também mostra uma arte mais madura, apesar de eu gostar mais das anteriores. Acredito que, assim como Butchery Age, Bio-Violence tenha se tornado mais bem compreendido e aceito com o passar do tempo, mesmo tendo reduzido um pouco a brutalidade, sem deixar de ser death/thrash, no entanto.



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