O sétimo trabalho de uma das bandas old school mais importantes da Suécia, The God That Never Was, saiu em março de 2006 e agora completa 20 anos. Rickard Cabeza, que havia gravado o baixo do petardo anterior, deixou a banda, abrindo espaço para a entrada de Martin Persson, que já excursionava com o grupo havia dois anos. Aqui, Persson assume baixo e guitarra, o mesmo ocorrendo com David Blomqvist, guitarrista original do Dismember, marcando o aguardado retorno ao formato de duas guitarras. Completam a formação o batera Fred Estby e o vocalista Matti Kärki.
The God That Never Was é um prato pesado e viciante para qualquer fã de death metal. Se em Where Ironcrosses Grow a banda voltou do hiato com o pé na porta, aqui ela se consolida (novamente) como uma das maiores forças do metal da morte do planeta. Faixas mais curtas, como a música-título que abre o disco e a fenomenal “Never Forget, Never Forgive” — com menos de dois minutos — levantam até aqueles que já se deitaram eternamente em covas profundas.
Aquela veia à la Autopsy da Califórnia ainda está presente, embora menos saltada no pescoço do que em seu antecessor, mas surge de forma cristalina na faixa “Autopsy”. Coincidência? Homenagem? Fica a provocação. Há também a lembrança do Iron Maiden, agora em forma instrumental com “Phantoms (of the Oath)”, que além do título quase gêmeo de uma pérola dos britânicos, remete diretamente à clássica “Transylvania”.
A única faixa que foge um pouco do legado do Dismember é a que encerra o álbum, “Where No Ghost Is Holy”, cujo instrumental flerta com o melodic death sueco à la In Flames, destoando da proposta old school da banda. Ainda assim, nada que comprometa o conjunto: o restante pode ser consumido sem receio, quantas vezes for necessário.
Em meio a tanta porrada maravilhosa, destaco minha favorita: “Trail of the Dead”. A música traz um breve interlúdio com sons de guerra que dialogam com a arte da capa, entra com riff pesado e bateria em mid-tempo, acelera com a chegada dos vocais guturais e cavernosos e termina com uma passagem feita sob medida para mosh e headbanging, acompanhada de um solo curto, virtuoso e espiritualmente próximo dos antigos solos de Chuck Schuldiner.
E já que falamos em capa, parece que pegaram aquele soldado com máscara de gás que estampa várias artes dos alemães do Sodom e simplesmente enfiaram uma espada em suas mãos para deixá-lo ainda mais carniceiro.
Perdeu o rumo nesses 20 anos ouvindo bandas genéricas ou se limitando apenas aos maiores clássicos de cada nome? Então corra atrás de The God That Never Was agora.






