Lemmy Kilmister, Phil Campbell e Mikkey Dee se reuniram em 2006 para gravar o décimo nono álbum de estúdio do Motörhead. E, nesta fase da vida, você acha que o trio iria se arriscar ou bater o martelo exatamente na mesma cabeça de prego sobre a mesa? Elementar, meu caro Watson.
Segundo informações da época, “Kiss of Death” foi uma ideia de Phil Campbell, e não de Lemmy. Phil explicou o título a partir da ideia de que, quando uma banda como o Motörhead começa a escrever pensando em agradar outras pessoas ou mudar sua essência para atender expectativas externas, isso pode ser literalmente um “beijo da morte”, porque a pureza da banda desapareceria.
Em Kiss of Death, você ouvirá tudo aquilo que está acostumado quando o assunto é a banda britânica. Músicas rápidas, sujas, bem gravadas, baixo pulsante, vocais roucos, pitadas de blues, rock 'n' roll e aquela vontade de abrir uma cerveja chacoalhando a cabeça. As faixas são rápidas, na casa dos 3 e 4 minutos. O início é explosivo, com Sucker, One Night Stand mantém o nível e Devil I Know remete à era em que a banda se tornou um quarteto, com um som menos visceral, porém bem agradável de se ouvir.
Trigger é aquele rock sujo e pesado e, lá pelos seus dois minutos, surge a guitarra mais próxima de um breakdown que você ouvirá em um trabalho da banda. Under The Gun tem um solo pra lá de especial de Campbell e uma participação especial no baixo de Mike Inez, do Alice in Chains.
Um dos melhores momentos de Kiss of Death é a faixa God Was Never on Your Side, que ganhou um videoclipe cheio de imagens religiosas e de pessoas importantes da história. É uma música triste, com uma letra sem fé e esperança. Uma crítica aos cristãos, na verdade. Ela conta com um solo de guitarra de C.C. DeVille, guitarrista do Poison, além de vocais adicionais de Zoli Téglás, na época em uma banda chamada Ignite.
O trabalho segue com grandes músicas, como Living in the Past, Christine (que não é o carro de Stephen King), Sword of Glory, Be My Baby (que também ganhou um videoclipe), Kingdom of the Worm e Going Down, que o filho de Phil ajudou a escrever.
Este é o último trabalho do Motörhead a contar com uma arte de capa de Joe Petagno, criador do mascote Snaggletooth.
Se você acha que Lemmy, que completou 60 anos no mesmo ano de lançamento de Kiss of Death, abaixaria a guarda, você foi reprovado na prova, meu caro.






