sábado, 28 de fevereiro de 2026

20 anos de Out For Blood do Sadus!!!


O Sadus é aquela banda clássica da Califórnia que raramente entra nas primeiras citações quando o assunto é Bay Area — muito porque resolveu temperar seu thrash com doses generosas de death metal. Em 2006, após nove anos sem material inédito, lançava seu quinto trabalho mantendo a mesma formação de Elements of Anger (1997): Darren Travis na guitarra e vocal, o monstro do baixo que dispensa apresentações Steve DiGiorgio e Jon Allen (Testament / Dragonlord) na bateria.

A faixa de abertura, “In The Name Of…”, já chega agressiva, carregando elementos de metal da morte que remetem ao Master de Paul Speckmann. Os vocais estão furiosos, o baixo soa paranormal como sempre, e os riffs — ainda que não sejam memoráveis — entregam energia suficiente para justificar o impacto inicial.

Na sequência vem “No More”, uma boa música sabotada por sintetizadores de extremo mau gosto. Quem teve aquela ideia deveria responder em tribunal. “Smackdown” não traz surpresas desagradáveis, enquanto a faixa-título surge carregada de peso, especialmente no final, reforçada pelos guturais de Juan Urteaga.

“Lost It All” mostra uma faceta diferente: andamento mais arrastado, vocais sussurrados e uma letra que aponta para alguém à beira da insanidade. Aqui, curiosamente, os sintetizadores funcionam, criando uma atmosfera mais enigmática.

“Sick” acelera agradando fãs de Destruction, enquanto “Down” poderia muito bem estar em um álbum do Pantera — não fossem os vocais, claro. O play segue com “Freedom”, faixa forte que alterna uma parte mais cadenciada e death metal com breakdowns eficientes, tornando-se um dos grandes momentos do disco. “Freak” aposta numa pegada mais moderna e agressiva, e então chegamos à mais longa, “Cursed”, com mais de oito minutos e aquele show alienígena de baixo que só DiGiorgio sabe entregar.

O gran finale vem com “Crazy”, que conta com a participação de Chuck Billy despejando sua voz potente e inconfundível.

Vi muitas pedradas direcionadas a esse álbum, lançado há vinte anos pelo Sadus. Tirando os ruídos lamentáveis em “No More”, o trabalho se sustenta muito bem.

No fim das contas, vale a pena.


 

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