Em 2006, o Darkthrone chegava ao seu décimo segundo álbum de estúdio, provocando questionamentos daqueles que não aceitam tudo como simples curso natural das coisas. Seria mais proveitoso se a dupla norueguesa, formada por Nocturno Culto e Fenriz, planejasse melhor seus lançamentos, com menos títulos no catálogo e uma qualidade mais consistente?
Podemos seguir a linha de raciocínio de que a banda nunca se preocupou com estética ou polimento musical e apenas faz, com simplicidade quase teimosa, aquilo a que sempre se propôs. Ainda assim, alguns trabalhos conseguem enfurecer até os fãs mais fiéis do black metal ríspido. The Cult Is Alive é apenas mais do mesmo ou traz algum elemento novo — para o bem ou para o mal?
A veia doom ensaiada dois álbuns antes não se consolida aqui. Embora algumas faixas apresentem andamentos mais arrastados, como “Too Old Too Cold”, isso soa quase como uma ironia consciente: se “somos velhos demais, apenas malucos do rock ’n’ roll”, então podemos muito bem seguir mais devagar. A gravação é até limpa para o estilo, com instrumentos bem destacados, e os vocais aparecem roucos, porém sem aquela fúria que um dia causou arrepios.
A arte da capa, meio bizarra, também não ajuda na recepção do petardo. Fica a sensação de que a banda queria apenas manter a máquina girando, aumentar a fatura sem grandes sobressaltos — mostrar que ainda estava viva, nada além disso.
O desafio de analisar um álbum dessa estirpe vinte anos depois é perceber que aquela imagem de metalheads revoltados, isolados em florestas sombrias e caçando a própria comida com flechas, já não encontra muito espaço nesta era tecnológica e caótica. Talvez a magia estética tenha se dissipado, e o que restou foi transferir ao som uma carga de utopia enegrecida que já não encontra o mesmo eco.
A verdade é que o metal praticado pelo Darkthrone em The Cult Is Alive não assusta mais as criancinhas, não sacia a fome de old school do seu séquito e tampouco arranca sorrisos de quem busca novidades que agreguem valor à discografia. É apenas mais um álbum — e, convenhamos, nunca teve hits tocando nas rádios.

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