domingo, 10 de maio de 2026

20 anos de Kvass do Kampfar!!!


Se você está em busca de um álbum de black metal norueguês empolgante, recheado de riffs velozes e bateria destruindo tudo pela frente... melhor procurar outro disco para ouvir. O terceiro trabalho dos noruegueses do Kampfar não entrega exatamente esse tipo de brutalidade, ainda que alguns momentos justifiquem essa expectativa, como em “Ravenheart”. Terceira faixa de um álbum com apenas seis músicas, ela é a primeira a realmente flertar com a velocidade. Curiosamente, também é a única cantada em inglês, e a voz de Dolk soa muito bem na língua universal.

Foi um erro gigantesco não abrir o álbum com essa música, já que a escolhida para essa tarefa milenarmente importante foi “Lyktemenn”, uma daquelas faixas feitas sob medida para qualquer ouvinte menos resiliente desistir da audição. Em seus mais de oito minutos, ela é extremamente monótona. O riff apático praticamente não muda, assim como as batidas da bateria. O vocal, para piorar, soa quase como uma narração, entoado da mesma maneira do início ao fim.

É verdade que o Pagan Black Metal não precisa necessariamente apresentar elementos musicais óbvios que indiquem imediatamente sua ligação com o paganismo — como passagens folk ou viking, por exemplo — deixando muitas vezes essa responsabilidade para as letras. Mas o som do Kampfar, ao menos em Kvass — e sem dar spoiler, também em seu sucessor — carece de alguma característica mais marcante que demonstre uma identidade realmente firme em seus ideais, não ficando apenas nesse black metal insípido flertando com a natureza e seus poderes.

Por outro lado, se sua procura for por algo mais “viagem”, um som extremo para relaxar, mas sem cair totalmente no atmosférico, e que ainda possa trazer longas e até cansativas passagens de teclado, Kvass pode acabar sendo uma boa opção. “Hat Og Avind”, inclusive, traz uma ótima pegada black metal, com guitarras em trêmulo que remetem diretamente às bandas clássicas dos anos 90.

Já “Gaman Av Drommer” incorpora muito mais o espírito pagan folk, proporcionando um excelente encerramento para o álbum, com Ask entregando seu melhor trabalho na bateria e vocais muito mais empolgantes e agressivos.

No fim das contas, Kvass erra apenas em sua faixa de abertura. Passando por ela sem dormir, o restante do álbum oferece músicas bastante interessantes para quem realmente procura um som “viagem”, mas sem mergulhar completamente no black metal atmosférico.



 

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