sábado, 11 de julho de 2026

20 anos de Suffocation do Suffocation!!!


O Suffocation nasceu em 1989, em Nova York, numa época em que o death metal americano já havia cravado seu nome na história como um dos mais insanos e influentes do planeta. Nem por isso a banda resolveu ser apenas mais uma cópia dos gigantes que já dominavam o estilo. Muito pelo contrário. O Suffocation carrega o estigma — e também o mérito — de ser um dos criadores do technical brutal death metal, subgênero que une a brutalidade de um som ignorante e doentio à complexidade de quebras de ritmo, baterias repletas de viradas intrincadas, guitarras dissonantes e um alto grau de virtuosismo.

Neste álbum autointitulado, o quinto da carreira, encontramos exatamente essa combinação explosiva. O que o diferencia de muitos outros trabalhos do estilo é seu andamento mais arrastado, como se o caminhão do sorveteiro do inferno estivesse subindo uma ladeira enquanto o sujeito lá dentro congela membros amputados e embalados a vácuo. A violência continua presente, mas é conduzida por um peso quase sufocante.

Há espaço até para melodias inesperadas, como na introdução de "Redemption", que logo desemboca em um longo solo de guitarra. Já "Translucent Patterns of Delirium" talvez seja o maior exemplo da proposta técnica do álbum, apresentando riffs que desafiam qualquer lógica estabelecida dentro do death metal.

E é curioso falar em padrões dentro do heavy metal, um estilo que nasceu justamente para defender a liberdade de expressão e de escolhas, mas que, no fim das contas, acaba se tornando refém de uma característica tipicamente humana: a necessidade de criar rótulos e regras.

Já que o assunto são guitarras, faça um favor a si mesmo e ouça o solo de "Creed of the Infidel". Está entre os melhores que o Suffocation já compôs.

Outro aspecto que merece destaque são os vocais de Frank Mullen. Não é por acaso que ele é apontado como uma das maiores influências para vocalistas do death metal moderno. Seu gutural gravíssimo, surpreendentemente inteligível em boa parte do álbum, ajudou a consolidar o death growl como referência dentro do estilo. Além disso, surgem alguns fraseados que lembram os pig squeals, aquele vocal que mais parece um porco enfurecido sendo esfaqueado.

A arte da capa, assinada por Jon Zig — conhecido por trabalhos com bandas como Exhumed e Averse Sefira —, retrata um cenário sombrio e desolado, povoado por esqueletos soterrados e demônios errantes. O logotipo da banda e seu símbolo ocupam posição de destaque na parte superior da composição, resultando em uma ilustração simples, mas extremamente eficiente.

E como presente temos uma regravação da música "Prelude To Repulsion", faixa do eterno clássico trabalho Breeding the Spawn de 1993, que novamente ficou arrasadora.

Completam a formação Terrance Hobbs e Guy Marchais nas guitarras, Derek Boyer no baixo e Mike Smith na bateria.

Material absolutamente não recomendável para ouvidos sensíveis.


 

sábado, 4 de julho de 2026

20 anos de Transcendental do Imago Mortis!!!


O terceiro trabalho dos cariocas do Imago Mortis é Transcendental. Liderada pelo vocalista Alex Voorhees, a banda contava com Dennis Pombo e Rafael Bianzeno nas guitarras — este último também responsável pelas passagens de violino. A formação se completava com Bruno Coe no baixo e André Delacroix na bateria. Já o tecladista Pedro Santos aparece como músico convidado, embora participe de metade das doze faixas do álbum.

A banda continua trilhando o caminho do doom metal, ainda que incorpore, em diversos momentos, influências de power metal e até de thrash metal, como acontece na agressiva "Kali Yuga". Curiosamente, a música traz um órgão Hammond em destaque, instrumento que vez ou outra aparece em algum trabalho de metal, mas com o qual confesso nunca consegui me acostumar.

Há espaço também para um quase death/thrash em "Sangue e Dor", a faixa mais agressiva do disco e a única cantada em português. Em contrapartida, a abertura formada por "Hall of Souls" e "Across the Desert" mergulha de cabeça no épico doom metal, agradando facilmente aos fãs de Candlemass e Solitude Aeternus.

A participação especial de Melissa Matos, creditada como Mel Bôa Morte e conhecida por sua passagem pela banda de gothic metal Trinnity, enriquece "Searching for a Touch of Divinity" com seus vocais femininos.

O trabalho das guitarras merece elogios à parte. Em alguns momentos, como na belíssima "Love Path", as melodias remetem ao My Dying Bride, especialmente à fase de Like Gods of the Sun.

Meu momento preferido, no entanto, é a épica "Undrying Tears". Talvez porque ela faça parte de uma de minhas coletâneas pessoais de muitos anos atrás, mas também porque reúne com enorme competência diferentes atmosferas e elementos musicais, conduzindo o ouvinte de um sentimento a outro com naturalidade, classe e desenvoltura. É impossível não reservar um lugar especial para uma composição como essa.

Como bônus, o álbum ainda traz "Bring Out Your Dead", clássico absoluto e provavelmente a música mais conhecida da banda, originalmente lançada no álbum de estreia, em 1998.

Transcendental é mais uma prova da enorme qualidade do vasto e poderoso cenário nacional, e chega aos vinte anos como um trabalho que merece ser redescoberto.


 

domingo, 28 de junho de 2026

20 anos de Triumph Or Agony do Rhapsody!!!


Confesso que, em 2006, o Rhapsody já não era mais um nome presente em meu radar metálico como havia sido nos primeiros anos. A banda parecia ocupar mais espaço nas discussões sobre os direitos de seu próprio nome do que em meu aparelho de som. Também era um fenômeno que conquistava rapidamente uma parcela mais jovem dos fãs de metal, aqueles que não suportavam o sangue e os zumbis de bandas como Cannibal Corpse e passavam as tardes de sábado jogando RPG como se os poderes das cartas emanassem de seus próprios corpos.

Ouvindo Triumph or Agony hoje, percebo uma banda que se aproximou muito mais de uma trilha sonora para jogos de fantasia do que propriamente de uma banda de metal. E isso não é necessariamente um defeito. O álbum é agradável, os corais são empolgantes e a voz de Fabio Lione continua cativando por sua beleza natural. O problema é que as guitarras de Luca Turilli passaram a exercer um papel quase figurativo dentro do conjunto da obra, enquanto vocais, corais e orquestrações assumiram definitivamente o protagonismo.

Alguns solos, como os de "The Myth of the Holy Sword", ainda preservam resquícios do heavy metal que consagrou a banda, mas quem realmente dita as regras aqui é a orquestra. A redução da duração das faixas foi uma decisão interessante, embora a épica "The Mystic Prophecy of the Demonknight" ultrapasse os dezesseis minutos. Felizmente, suas diversas mudanças de andamento justificam a extensão, principalmente quando a criatividade da banda explode na parte mais agressiva da música, por volta dos nove minutos e meio.

As baladas também marcam presença. Entre elas está "Il Canto del Vento", cantada em italiano, língua natal da banda. Ainda assim, em vez de apostar em uma abordagem mais folk, baseada apenas em voz e violão, o Rhapsody novamente entrega o protagonismo às orquestrações, que ocupam praticamente todos os espaços.

"Silent Dreams" é uma das raras ocasiões em que as guitarras recebem maior destaque. Mesmo sem fazer da velocidade uma prioridade, a faixa desperta uma nostalgia que remete aos primeiros trabalhos do grupo.

No fim das contas, Triumph or Agony não é um álbum indicado para quem pretende extravasar como faria ao ouvir um verdadeiro disco de heavy metal. Agora, se a ideia é colocá-lo para tocar enquanto você mergulha em um bom livro de fantasia, no melhor estilo O Senhor dos Anéis, aí sim, criatura noturna, você estará muito bem equipado — e melhor acompanhado.

 

20 anos de The Nether Hell do Scars!!!


Uma amiga de Barueri/SP me enviou de presente o EP The Nether Hell, da banda paulista Scars, em uma época em que a comunidade metal ainda trocava cartas e material pelo Brasil afora, sem que as pessoas sequer se conhecessem pessoalmente. Aquele presente abriu as portas para que eu conhecesse uma banda sensacional, que anos mais tarde estaria concedendo uma entrevista aos nossos canais.

A qualidade de The Nether Hell é um primor, seja na produção, na arte gráfica ou, principalmente, na música. O Scars entrega um thrash metal agressivo que agrada facilmente aos fãs de Exodus e Korzus, já que o timbre de voz de Régis lembra bastante o de Marcello Pompeu. Os riffs de Alex Zeraib e Eduardo Boccomino transbordam peso e distorção, deixando evidente um trabalho construído com dedicação e capricho.

O baixo de André Sterzza ganha destaque em "Hidden Roots of Evil", apresentando uma performance diferenciada. Aliás, a faixa que encerra o EP carrega fortes influências do death metal e uma agressividade fora do comum. A escolha de "Creatures That Come Alive in the Dark" para abrir o trabalho foi mais do que acertada, já que essa porrada não dá ao ouvinte sequer um instante para respirar. É um verdadeiro arrasa-quarteirão, apresentando a banda de maneira bombástica, enquanto a faixa-título, um pouco menos acelerada, cria o clima ideal para apreciar suas melodias raivosas.

Curiosamente, as músicas já estavam prontas quando a banda decidiu criar um conceito lírico para o EP. A inspiração veio de Inferno, de Dante Alighieri, obra que o guitarrista Alex havia lido algum tempo antes e que se encaixava perfeitamente na mensagem que pretendiam transmitir, estabelecendo um paralelo entre os pecados descritos por Dante e a corrupção humana. Para ilustrar a capa e todo o encarte, foram utilizadas obras de Gustave Doré, Sandro Botticelli e Amos Nattini, artistas que, ao longo dos anos, eternizaram visualmente o universo criado pelo escritor italiano. O resultado é um conjunto gráfico que amplia ainda mais a atmosfera sombria e o conceito do trabalho.

The Nether Hell é um EP com a força, a consistência e a missão de um álbum completo. Um lançamento que jamais deveria ser esquecido.



 

domingo, 14 de junho de 2026

20 anos de A Light In The Dark do Metal Church!!!

Parece que os americanos do Metal Church estavam tentando evocar a arte de seu primeiro e aclamado álbum autointitulado de 1984, com a clássica guitarra cruciforme tombada na capa. Ou talvez fosse apenas uma lembrança deliberada dos velhos tempos, já que este oitavo trabalho, A Light in the Dark, também remete ao segundo petardo da carreira, The Dark, no título.

Era o primeiro álbum sem o baterista original Kirk Arrington. As baquetas ficaram a cargo de Jeff Plate, ex-Savatage e integrante do Trans-Siberian Orchestra. E o que posso dizer é que Plate fez um trabalho excelente. Grande baterista, encaixou-se perfeitamente na proposta da banda.

Como de costume, o Metal Church seguia mesclando um heavy metal mais melódico com um thrash metal sem tanta agressividade, resultando em um power metal encorpado e distante da velocidade apresentada nos primeiros anos. Ainda assim, o álbum proporciona uma audição extremamente prazerosa, alternando momentos mais introspectivos, como em "The Believer", e passagens mais aceleradas. O mais próximo de um speed metal que você encontrará aqui é a ótima "Mirror of Lies".

Os vocais de Ronny Munroe transitam entre o melódico e o áspero. Isso já fica evidente na faixa-título que abre o álbum, onde sua interpretação combina muito bem com a atmosfera da fase clássica da banda.

A sexta faixa entrega aquele épico que sempre agrada aos fãs do estilo, com seus quase dez minutos de duração. "Temple of the Sea" começa de forma melódica, com destaque para o baixo de Steve Unger, e de repente mergulha em um terreno mais agressivo, acompanhado por uma letra de tom quase apocalíptico.

Jay Reynolds e Kurdt Vanderhoof caminham com segurança por todo o trabalho. Seja nos riffs, solos ou melodias, a dupla demonstra experiência suficiente para não se aventurar em terrenos de areia movediça.

Outras faixas em que Munroe apresenta um vocal mais agressivo são a poderosa "Pill for the Kill" e "Son of the Son". Nesses momentos, fãs de Accept e talvez até de Grave Digger certamente se sentirão em casa.

O lendário vocalista David Wayne, responsável pelos dois primeiros álbuns da banda e também pelo retorno em Masterpeace, de 1999, havia falecido em maio de 2005, pouco tempo após um grave acidente automobilístico. Em sua homenagem, a banda regravou a clássica "Watch the Children Pray", uma das grandes músicas de The Dark, lançado em 1986.

Curiosamente, aquele mesmo álbum havia sido dedicado a Cliff Burton, que faleceu poucos dias antes de seu lançamento. Como muitos já sabem, o Metallica costumava ensaiar e se reunir no apartamento dos integrantes do Metal Church antes de alcançar o sucesso mundial.

São coincidências e conexões que tornam a história da banda tão interessante quanto sua própria música.


 

sábado, 6 de junho de 2026

20 anos de Bleeding in the Shades of Baphomet do Evil War!!!


Dizem que banda de black metal sem polêmica não ganha notoriedade na cena. Em alguns casos, até concordo. Quando a banda é ruim mesmo, nada melhor do que queimar algumas igrejas e matar uns coleguinhas para ficar famosa. Mas não era o caso do Evil War, cujo som sempre foi muito bom ao longo de seus curtos nove anos de existência.

Quando éramos adolescentes de dezoito anos e acompanhávamos a cena de Curitiba, que se destacava no black metal nacional, vivíamos uma realidade bem diferente da atual. Em uma era sem internet, sobrevivíamos de rumores, escolhíamos lados, fazíamos alianças e até brigávamos sem ter certeza do que realmente acontecia no sul do país. Algumas histórias diziam que Murder Rape e Amen Corner eram bandas inimigas, algo que acabou sendo desmentido ao longo dos anos.

O que realmente ocorreu foi uma rixa interna no Murder Rape, culminando na saída de três integrantes e no nascimento da blasfema Evil War, em 1999. Com o passar do tempo, entre casos de suicídio e conversão ao cristianismo, a banda acabaria encerrando suas atividades. Antes disso, porém, lançou seu derradeiro opus em 2006, apenas dois anos antes do fim.

Mesmo tendo permanecido fiel à proposta black metal durante toda a carreira, Bleeding in the Shades of Baphomet é, sem dúvida, o trabalho mais black metal do Evil War. A banda mudou de logotipo pela terceira vez, trocou a parceria com a Somber Records pela Mutilation Records e passou por alterações importantes na formação. O vocalista original Sabatan deixou os vocais para que o guitarrista Halphas assumisse a função, enquanto Shaitan, que anos depois gravaria o clássico Chri$t World Corporation com o Amen Corner, entrou na vaga de Typhon Set. O baterista Ichthys Niger, um dos fundadores do Evil War, permanecia firme na formação.

O som ficou mais próximo daquilo que as bandas norueguesas faziam na época, e é justamente daí que vem minha afirmação de que este é o álbum mais black metal da carreira do grupo. Os riffs são excelentes, como os de "Deluge of Blood", claramente influenciados por nomes como Immortal. A bateria apresenta um timbre limpo e definido, alternando momentos de velocidade, passagens conduzidas por pedais duplos e batidas diretas, sem floreios técnicos, mas carregadas de força.

Os vocais de Halphas são predominantemente rasgados, contrastando com Sabatan, que recorria com frequência aos guturais. Gravado no Estúdio Clínica e produzido por Murilo da Rós em conjunto com a banda, o álbum apresenta uma sonoridade muito acima da média, talvez uma das melhores produções já alcançadas dentro do underground nacional de black metal.

E, para fechar a saga do escudo — citada nas resenhas que fizemos dos dois primeiros trabalhos —, ele aparece aqui revigorado, pronto para uma nova batalha que, infelizmente, jamais aconteceu.


 

sexta-feira, 5 de junho de 2026

20 anos de The Beauty And The Beer do Tankard!!!


Confesso que, logo de cara, ao ouvir "Ice-Olation", pensei: "ok, o mesmo de sempre, nada demais". Começar uma resenha do décimo segundo álbum de estúdio de uma das maiores bandas de thrash metal dos anos 80 dessa forma talvez não fosse muito justo. Ainda bem que a sequência de músicas não segue esse padrão. Graças a Baco, não segue.

A cerveja, como sempre, é um dos temas preferidos do quarteto, ainda mais quando o petardo se chama The Beauty and the Beer. A bela retratada na capa também deve ter povoado o imaginário de muitos thrashers adolescentes, que certamente sonharam em ocupar o lugar da criatura alienígena.

A partir da segunda faixa, a excelente "We Still Drink the Old Ways", o álbum engrena de vez. As músicas parecem disputar entre si qual será a melhor. E isso inclui "Rockstars No. 1", talvez a faixa mais criticada do trabalho. Com breakdowns interessantes e um riff marcante, um tanto americanizado, ela acabou sendo rejeitada por alguns fãs. Eu, particularmente, gostei bastante.

Escolher uma música essencial aqui não é tarefa fácil. Há várias candidatas. A faixa-título, por exemplo, traz uma estrutura que remete ao thrash dos anos 90, quando o estilo parecia flertar cada vez mais com o power metal. Já "Metal to Metal" é simplesmente sensacional e está entre as melhores composições da carreira da banda. Sua introdução carrega uma melodia quase sinistra, algo que normalmente não associamos ao Tankard, mas que combinou perfeitamente com meus ouvidos.

Os solos de guitarra são outra atração à parte. Em alguns momentos, a banda nem perde tempo e já começa a música solando, como acontece na ótima "Forsaken World".

Confesso que senti falta daquela faixa mais pesada e arrastada que o Tankard costumava encaixar em seus discos. O mais próximo disso aparece no início de "Dirty Digger", que une crítica política e riffs empolgantes até o último segundo.

Com Gerre nos vocais, Frank Thorwarth no baixo, Andy Gutjahr na guitarra, Olaf Zissel na bateria e Andy Classen produzindo toda a bagaça, o Tankard forjou uma verdadeira obra-prima.

The Beauty and the Beer merece ser ouvido. Talvez com uma bela ao lado. Mas certamente com uma cerveja na mão.


 

sábado, 30 de maio de 2026

20 anos de Homem Inimigo do Homem do Ratos de Porão!!!


Considerando todos os álbuns lançados em português e suas respectivas versões em inglês, o Ratos de Porão chegava, em 2006, ao seu 15º trabalho de estúdio: Homem Inimigo do Homem.

Começando pela arte da capa, vemos dois homens adultos saindo na porrada enquanto a imprensa registra tudo — ou quase tudo, já que o cinegrafista à direita parece mais interessado em um desenho do Mickey. Ao redor, uma plateia formada por pessoas e macacos se diverte assistindo à violência. Nada que não tenha piorado nos últimos vinte anos.

A formação clássica, com João Gordo nos vocais, Jão na guitarra, Boka na bateria e Juninho no baixo, retornava quatro anos após o lançamento de Onisciente Coletivo com mais meia hora de pancadaria sonora e crítica social. E sobrou para todo mundo: da Igreja, em "Pedofilia Santa", à polícia, em "PMs de Satã", sem esquecer de um certo Luis em "Quem Te Viu..." (sim, escrito com S de propósito, mas todos sabemos que o motivo da música se escreve com Z).

Musicalmente, o som é aquele crossover violento que transformou o R.D.P. em uma das bandas mais respeitadas da América do Sul. A alternância dos vocais entre o urrado e um gritado menos grave é um dos diferenciais do álbum, e em "Quem Te Viu..." esse recurso produz um efeito sensacional.

Alguns solos de guitarra surgem em faixas como "Covardia de Plantão", deixando tudo ainda mais interessante. A produção também merece elogios: as linhas de baixo são claramente audíveis, enquanto a distorção soa como um soco na cara seguido de alguns pontapés.

Para entender todas as letras, porém, talvez você precise recorrer ao encarte, porque João Gordo despeja suas palavras em uma velocidade impressionante.

Vale a pena separar trinta minutos do seu dia para encarar essa porrada.


 

sábado, 23 de maio de 2026

20 anos de Ruun do Enslaved!!!


Não se chega a nove álbuns de estúdio fazendo música ruim. Partindo disso, e até como defesa diante das acusações direcionadas à música muitas vezes difícil de compreender da banda norueguesa Enslaved, podemos dizer que música ruim realmente existe — mas existe também música boa para certos ouvidos.

Você, fã de metal extremo, especialmente de black metal, que acredita que tudo o que o Darkthrone faz desde o nascimento é o único paradoxo aceito na comunidade, provavelmente arrepia só de ouvir o nome Enslaved. Mas talvez se surpreenda ao ouvir Ruun, lançado em 2006.

Em meio a toda a progressividade encontrada aqui, quase nada se compara às loucuras e experimentações registradas em Monumension, tornando a audição deste petardo muito mais coerente com o universo ao qual estamos acostumados a acordar todos os dias — ou noites.

Logo de início, em “Entroper”, temos a faixa mais metal do trabalho: rápida, carregada de riffs cheirando a enxofre e mostrando que parte da melancolia do álbum anterior, Isa, ficou pelo caminho. Conforme o álbum avança, fica evidente que a banda está mais raivosa desta vez.

Momentos como “Api-vat”, mesmo com teclados quebrando o instrumental gelado, mostram um Enslaved menos interessado em divagações e mais disposto ao confronto sangrento, voltando a caminhar por todos os invernos, como diz sua letra.

Em “Path to Vanir”, o ritmo desacelera um pouco, mas ainda assim temos uma das melhores músicas do álbum. Seu encerramento traz uma passagem extremamente calma, onde os vocais limpos aparecem. E é bom frisar: eles são usados com certa moderação aqui, já que Grutle Kjellson já abusou desse recurso em outros trabalhos da banda.

“Fusion of Sense and Earth” também merece destaque. Sua estrutura é um deleite para quem procura algo mais melódico, com camadas de teclado profundas e anestesiantes.

A maior viagem de Ruun fica para a faixa de encerramento, “Heir to the Cosmic Seed”. Ainda assim, mesmo com vozes limpas e guitarras estelares, ela talvez contenha as melodias mais belas do álbum, incluindo um solo que beira Pink Floyd sobre uma base completamente distorcida.

No fim das contas, Ruun me caiu melhor do que os três trabalhos anteriores do Enslaved. 

 

domingo, 17 de maio de 2026

20 anos de Veronika Decides To Die do Saturnus!!!


Já li várias obras do escritor brasileiro Paulo Coelho. O Diário de um Mago, O Demônio e a Srta. Prym, Onze Minutos, Brida, O Zahir e o melhor deles, O Alquimista. Ainda assim, nunca tive a oportunidade de ler Veronika Decide Morrer, justamente a obra que dá nome ao terceiro álbum da banda dinamarquesa Saturnus. Mesmo com o título retirado do livro, a banda afirma que as letras não refletem diretamente aquilo que encontramos em suas páginas.

A verdade é que o lirismo apresentado aqui nasce de um desespero legítimo, onde amor, dor, desolação e escuridão se misturam ao sabor salgado das lágrimas. Ouvir Veronika Decides to Die é mergulhar em uma jornada fria, doce e sensível, onde sentimentos que jamais ousamos revelar sob a luz brotam da alma em nossos momentos mais amargurados.

A produção é cristalina sem esconder o peso. Pelo contrário: reforça as melodias inquietantes, onde todos os instrumentos se unem para idealizar a tragédia da imperfeição humana. Os solos de guitarra, longos e belíssimos, conduzem o ouvinte a um estado de espírito quase inebriante. As passagens de bateria também não servem apenas como detalhe; foram cuidadosamente pensadas para enriquecer as linhas e reafirmar sua importância dentro do melodic death/doom, sem sequer fingir acelerações desnecessárias apenas para quebrar nuances. Este trabalho não precisa destruir nada além de nossas almas.

Tais Pedersen e Peter Poulsen eram os responsáveis pelas belas melodias nas seis cordas, com Lennart Jacobsen no baixo e Nikolaj Borg na bateria. Nos teclados, Anders Nielsen — presente na banda desde 1994 e realizando aqui seu último trabalho com o grupo — enquanto Thomas Jensen assumia os vocais, sendo hoje o único integrante daquela formação ainda presente na banda. Sua voz transita pelo gutural tradicional, pelo narrado e por um gutural mais aberto, como podemos ouvir em “Pretend”.

São oito hinos espalhados por praticamente uma hora de música, onde momentos mais introspectivos, compostos apenas por dedilhados, teclados e vozes limpas, fazem você mergulhar em um lago gelado, como acontece em “All Alone”. Os solos viajantes estão por toda parte, mas destacar “Descending” é indispensável.

Ainda assim, você não precisa se prender a uma faixa específica. Veronika Decides to Die foi feito para ser sofrido em sua totalidade.

Se você ainda não foi completamente corrompido pela modernidade — essa era em que música se tornou descartável e gravadoras pedem até mesmo a bandas gigantes que eliminem minutos acústicos de seus lançamentos — tire um momento da sua noite para ouvir este artefato com calma. Abra o coração e sinta o sangue correndo pelas veias, porque você está vivo. 

 

domingo, 10 de maio de 2026

20 anos de Kvass do Kampfar!!!


Se você está em busca de um álbum de black metal norueguês empolgante, recheado de riffs velozes e bateria destruindo tudo pela frente... melhor procurar outro disco para ouvir. O terceiro trabalho dos noruegueses do Kampfar não entrega exatamente esse tipo de brutalidade, ainda que alguns momentos justifiquem essa expectativa, como em “Ravenheart”. Terceira faixa de um álbum com apenas seis músicas, ela é a primeira a realmente flertar com a velocidade. Curiosamente, também é a única cantada em inglês, e a voz de Dolk soa muito bem na língua universal.

Foi um erro gigantesco não abrir o álbum com essa música, já que a escolhida para essa tarefa milenarmente importante foi “Lyktemenn”, uma daquelas faixas feitas sob medida para qualquer ouvinte menos resiliente desistir da audição. Em seus mais de oito minutos, ela é extremamente monótona. O riff apático praticamente não muda, assim como as batidas da bateria. O vocal, para piorar, soa quase como uma narração, entoado da mesma maneira do início ao fim.

É verdade que o Pagan Black Metal não precisa necessariamente apresentar elementos musicais óbvios que indiquem imediatamente sua ligação com o paganismo — como passagens folk ou viking, por exemplo — deixando muitas vezes essa responsabilidade para as letras. Mas o som do Kampfar, ao menos em Kvass — e sem dar spoiler, também em seu sucessor — carece de alguma característica mais marcante que demonstre uma identidade realmente firme em seus ideais, não ficando apenas nesse black metal insípido flertando com a natureza e seus poderes.

Por outro lado, se sua procura for por algo mais “viagem”, um som extremo para relaxar, mas sem cair totalmente no atmosférico, e que ainda possa trazer longas e até cansativas passagens de teclado, Kvass pode acabar sendo uma boa opção. “Hat Og Avind”, inclusive, traz uma ótima pegada black metal, com guitarras em trêmulo que remetem diretamente às bandas clássicas dos anos 90.

Já “Gaman Av Drommer” incorpora muito mais o espírito pagan folk, proporcionando um excelente encerramento para o álbum, com Ask entregando seu melhor trabalho na bateria e vocais muito mais empolgantes e agressivos.

No fim das contas, Kvass erra apenas em sua faixa de abertura. Passando por ela sem dormir, o restante do álbum oferece músicas bastante interessantes para quem realmente procura um som “viagem”, mas sem mergulhar completamente no black metal atmosférico.



 

sexta-feira, 1 de maio de 2026

20 anos de Reinkaos do Dissection!!!

O derradeiro álbum do Dissection, Reinkaos, completou 20 anos ontem, 30 de abril de 2026. Considerada por muitos fãs uma das bandas mais importantes surgidas na Suécia, o Dissection — liderado por Jon Nödtveidt — entregou dois clássicos absolutos do black metal nos anos 90: The Somberlain e Storm of the Light’s Bane, antes de seu líder ser preso, em 1997, por participação em um assassinato.

Após sete anos atrás das grades, Jon concebeu o último trabalho da banda ao lado do guitarrista italiano Set Teitan e do baterista Tomas Asklund (ex-Dark Funeral). O baixo ficou a cargo de Brice Leclercq, do Nightrage, embora não tenha sido creditado como membro oficial.

Musicalmente, o álbum desagradou uma grande parcela dos fãs pela mudança de proposta: aqui, o som se aproxima muito mais de um death metal melódico, com a malignidade black aparecendo de forma mais sutil. Por outro lado, há quem idolatre o disco — seja pela devoção à figura de Jon como um verdadeiro black metalhead, seja por não se identificar tanto com a fase mais crua da banda, ou simplesmente porque Reinkaos funciona muito bem dentro do que se propõe.

Pessoalmente, reconheço que deveria ter tido mais contato com a fase inicial. Se tivesse conhecido os dois primeiros álbuns ainda no fim dos anos 90, provavelmente o Dissection estaria entre minhas bandas favoritas. Mas foi só anos depois, na casa de um amigo, que tive meu primeiro contato com Reinkaos — e foi amor à primeira audição. Eu realmente não esperava algo tão envolvente.

Reinkaos não é uma obra-prima revolucionária nem um marco de inovação. Pelo contrário: é um trabalho relativamente simples, com produção cristalina e direta. Os riffs de guitarra flertam com o power metal, e os momentos mais acelerados são poucos. Não há explosões de bateria, nem blast beats. O grande destaque fica para os solos: melodias acima da média, carregadas de emoção — especialmente na faixa-título instrumental, que entrega um dos momentos mais marcantes do disco.

“Xeper-i-Set” é a faixa mais energética, ainda que seu riff soe quase alto astral demais para o histórico da banda. “Internal Fire” também traz mais agressividade, com bumbos mais acelerados, mas no geral o álbum caminha em andamentos médios. Os vocais rasgados e inconfundíveis de Jon são um dos pilares do trabalho — e, sem eles, talvez o disco não tivesse o mesmo impacto.

Minha favorita é “Dark Mother Divine”. Desde a primeira audição, ela se destacou com sua introdução mais contida e um desfecho explosivo. Ainda assim, outros fãs costumam apontar diferentes preferidas, como a faixa de encerramento “Maha Kali” — talvez a que mais se aproxima da proposta black, contando com a participação da vocalista Nyx 218, cuja identidade permanece desconhecida. “Beyond the Horizon” e “Starless Aeon” também aparecem com frequência entre as mais lembradas.

Reinkaos pode ser definido como um disco pop lançado no inferno — onde tudo, por natureza, soa mais pesado e carregado. Seu conteúdo ocultista, profundamente ligado à visão de mundo de Jon, dialoga diretamente com quem compartilha desse tipo de filosofia. Mas, acima de tudo, o que realmente importa é que, mesmo diante de uma mudança tão significativa de estilo, trata-se de uma obra atemporal.

Satisfeito com o resultado, Jon tirou a própria vida pouco mais de três meses após o lançamento — o que inevitavelmente torna a experiência de ouvir Reinkaos ainda mais densa, enigmática e carregada de significado do que qualquer outra obra da banda.


 

domingo, 26 de abril de 2026

20 anos de Rape From Hell do Sextrash!!!


Quando as bandas clássicas da cena mineira voltaram a lançar álbuns em meados dos anos 2000 — movimento encabeçado por Deadland (2003), do Chakal, e seguido por nomes como Holocausto, Witchhammer e Sextrash após mais de uma década sem registros — Rape From Hell, do Sextrash, foi o que mais curti. É verdade que o Chakal já havia soltado dois petardos nessa fase, incluindo o fenomenal Demon King, mas isso é outra história.

O Sextrash havia interrompido suas atividades em 1997, após a morte prematura de Oswald “Pussy Ripper” em um acidente automobilístico — uma perda que abalou profundamente a cena mineira, não só pela figura de frontman marcante, mas pela pessoa querida que era. Anos depois, o baixista Krueger reativou a banda e, ao lado do vocalista Cláudio Siqueira (Doom, ex-Brutal Distortion), do guitarrista Marck Monthebar — remanescente da formação que gravou o impecável Funeral Serenade — e do baterista Quake (ex-Obsessed), o grupo retornava com seu terceiro full-length, Rape From Hell, lançado pela Cogumelo Records.

A arte de capa, assinada por Fernando Lima, resgata o nu feminino e reforça, junto ao título, a fidelidade da banda à sua linha lírica sexual. Já na audição desatenta, o álbum pode soar homogêneo, como se priorizasse apenas a brutalidade sem maiores nuances. Mas basta parar e ouvir com cuidado para perceber que, em meio ao caos, há bastante coisa interessante acontecendo.

A começar pela produção, clara e bem definida. Ainda que a própria banda preferisse algo mais sujo, não há prejuízo aqui — pelo contrário. As palhetadas vêm um pouco abafadas, algo inerente ao death metal, enquanto os vocais de Doom seguem um gutural firme, pouco variado, mas bastante inteligível e próximo do death/thrash.

“Suck Me”, uma das melhores do disco, abre o trabalho com velocidade, descambando para um "provocamosh" logo após a segunda sequência de refrão, chegando até bem próximo do slow death na ponte para o solo estilo Cause of Death do Obituary (que coisa linda).

“Brutal Sex” começa com um efeito de guitarra um pouco estranho, mas rapidamente se ajusta quando os riffs entram em aceleração. É uma faixa mais cadenciada, que atinge um peso “bate-estaca” por volta dos dois minutos, remetendo aos tempos de D.D. Crazy. Vale destacar também a presença de dois solos distintos, mostrando que ainda havia muita lenha para queimar.

“Chemical Orgy” chega quebrando tudo, com vocais mais rasgados e diretos enfatizando o título. A música alterna bem entre velocidade e momentos mais cadenciados, com um riff que pede palco — fácil de imaginar funcionando ao vivo.

E aqui cabe um parêntese: tive a oportunidade de ver essa formação ao vivo em Belo Horizonte, durante a turnê de divulgação do álbum, abrindo para o Kreator — e me deleitei com a apresentação.

Na sequência vem minha favorita: “Fuck In All”. Pesada, com riff marcante, refrão melódico e uma parte mais rápida que se inicia com um solo bem característico da fase Funeral Serenade, além de vocais rasgados que remetem diretamente ao Campo de Extermínio do Holocausto.

“Possessed By Cruelty” abre com breakdowns que lembram “Ceremony of the Seventh Circle”, do álbum Let Us Pray, do Vital Remains. O disco segue com “Maze of the Damn Madness”, trazendo riffs malignos e vocais agressivos; a faixa-título, com pegada quase thrash e gritos femininos no momento mais diabólico das guitarras; “Lust, Money and Violence”, com bases cavalgadas e uma sonoplastia soturna bem encaixada; além de “Obscure Doors”, “Sweet Suffering” e “Tchambs”.

Um belo retorno do Sextrash ao cenário — ainda que, até aqui, tenha representado também seu último suspiro em estúdio. Fica a torcida para que não seja o final definitivo. Ainda mais sabendo que a banda voltou a ensaiar e já carrega algumas músicas novas no bolso.


 

20 anos de Memorial do Moonspell!!!



A maior banda de Portugal — e sem esforço também uma das maiores da Europa — o Moonspell vinha, pouco a pouco, deixando à mostra novamente seus dentes afiados no caminho de volta ao metal extremo. Subindo as escadas do Olimpo ou descendo os degraus do inferno, a banda já havia ensaiado esse retorno ao incorporar peso em Darkness and Hope e agressividade em The Antidote. Ainda assim, ambos permaneciam mergulhados até o pescoço no gothic metal.

Mas então veio Memorial (2006), lançado pela Steamhammer. Um novo degrau na carreira — e que degrau: em chamas. A capa, simples e belíssima, com árvores mortas sobre um fundo vermelho-sangue e a logo em branco, já antecipa o clima do álbum. Para o fã que acompanhou a banda até Irreligious, aqui soa como um retorno triunfal do filho pródigo, e um carneiro foi imolado para comemoração, ao som brutal da banda, como ela sabe fazer.

Das quatro faixas instrumentais, a abertura com “In Memoriam” foge do lugar-comum das intros descartáveis. Ela prepara o terreno, acende o pavio e provoca aquele arrepio há muito esquecido desde 96. E quando “Finisterra” entra, o impacto é imediato: guitarras densas, atmosfera sufocante e os vocais de Fernando Ribeiro em estado bruto — cavernosos, poderosos, viscerais como poucos conseguem entregar.

Ao longo do álbum, percebe-se — e até se sente falta — daquele vocal grave e gótico mais constante de outrora. Aqui, Ribeiro alterna momentos de fúria com passagens mais narrativas, reservando seu timbre mais profundo para ocasiões específicas, como em “Luna”. Essa faixa, aliás, é o respiro do disco: mais amena, sem perder identidade, e enriquecida pela participação da alemã Birgit Zacher, em sua quarta e última colaboração com a banda. Um dos pontos altos, sem dúvida, mostrando como o Moonspell expande seu próprio universo sem soar artificial.

Os teclados, divididos entre Ricardo Amorim e Pedro Paixão, são uma presença constante — muitas vezes assumindo protagonismo à frente das guitarras. Não comprometem o resultado, mas em certos momentos fica a sensação de que riffs mais evidentes poderiam elevar ainda mais o peso do conjunto.

Na bateria, Miguel Gaspar atua com precisão e discrição, sustentando a base com eficiência, mas também surpreendendo com momentos mais extremos, como os blast beats em “Finisterra”.

Os solos são econômicos, quase raros, e talvez por isso se destaquem tanto quando aparecem — como na excelente faixa bônus “Atlantic”, que facilmente poderia ocupar lugar no corpo principal do álbum, substituindo canções menos impactantes como “Upon the Blood of Men” ou “At the Image of Pain”. E aqui vale o ajuste: “menos impactantes” dentro de um disco que opera em nível alto — ainda superiores a muito do que a fase mais experimental da banda produziu.

Entre os grandes momentos, ainda se destacam “Memento Mori”, “Sanguine”, “Once It Was Ours!” e “Best Forgotten”.

Memorial não é um álbum de classificação simples. Para quem busca um rótulo, algo como death/black com fortes nuances góticas talvez se aproxime do ideal. Mas, no fim das contas, rótulos pouco importam diante de um trabalho que reafirma identidade, resgata agressividade e reposiciona a banda com autoridade.

Curiosamente, não há lembrança de um lançamento oficial desse artefato no Brasil — o que, convenhamos, seria uma jogada mais do que bem-vinda. Selos, alguém se habilita?


 

quinta-feira, 23 de abril de 2026

20 anos de Sodom do Sodom!!!


É até estranho dizer que se esperava um álbum mais comercial do Sodom. Mas é exatamente essa a sensação depois de cinco anos de espera. Afinal, a banda vinha de nada menos que Code Red e M-16, duas bombas sensacionais que ampliaram o leque do grupo, trazendo um som mais carregado de personalidade — músicas com vida própria, sem depender de fórmulas ou padrões pra existir.

Até dá pra perceber isso no 11º álbum dos alemães, Sodom, lançado em 2006. Mas há algo que o impede de alçar voos mais altos. E sejamos justos: não estamos falando de um trabalho fraco — pelo contrário, é muito bom. Só que, se alguém esperava algo próximo de um “Black Album” da banda, acabou esbarrando em uma característica peculiar do trio: a produção suja.

Elementar, meu caro Watson. Uma distorção crua, agressiva até demais pra alcançar um estrelato maior — ainda que esse nunca tenha sido exatamente o objetivo dos caras, e convenhamos, nem de boa parte dos fãs. Nesse sentido, M-16 segue sendo o ponto mais próximo de uma “superprodução” dentro da discografia da banda.

Voltando ao opus, com uma capa escura que não desperta grande emoção, o petardo abre com “Blood On Your Lips”. Não é das mais agressivas nem das mais rápidas, mas permanece na memória mesmo após duas décadas — uma faixa obscura, sustentada por um riff cavalgado interessante, embora talvez pedisse uma ponte que o levasse a algo menos previsível.

“Wanted Dead” já mostra que a banda não cairia na repetição, trazendo um solo de guitarra com evolução melódica. A sequência do álbum vai revelando uma progressão: as músicas ganham corpo, aumentam o peso e encontram direções mais definidas, sem fugir da proposta. “Axis of Evil”, por exemplo, apresenta um baixo gordo, vocais narrados e um riff pesado com uma pegada quase americana.

A velocidade arranca sorrisos em “Lords of Depravity”, mas especialmente em “Bibles And Guns”, outra faixa acima da média. O mesmo vale para “City of God”, que ganhou videoclipe e talvez represente o momento mais “comercial” do disco — e isso não é demérito, mas sim reflexo da capacidade de Tom Angelripper, Bernemann e Bobby Schottkowski em equilibrar agressividade e um thrash mais trabalhado dentro da mesma proposta.

“No Captures” captura bem essa dualidade (sem trocadilho proposital): começa no estilo rápido e sujo do thrash alemão, apresenta um solo quase virtuoso e, na sequência, engata um riff mais aberto na melhor escola Slayer, com Tom despejando seu vocal agressivo e inconfundível.

E falando nele, talvez seu melhor momento no álbum esteja em “Lay Down The Law”, mostrando que Angelripper conseguiu preservar sua agressividade vocal melhor que muitos de seus contemporâneos do thrash alemão.

Não é o masterpiece que alguns esperavam — mas é bom pra caracolas!

segunda-feira, 20 de abril de 2026

20 anos de Under The Mind's Sheet do Eternal Fall!!!


O logo e a fonte utilizados no título do segundo álbum do Eternal Fall neste post são diferentes da arte que publicamos em 2019, mas trata-se do mesmo disco já resenhado por aqui — naquela ocasião, por conta de seu relançamento, quando recebeu o carimbo de “fudido” do M&L. Ainda assim, não dava pra deixar passar batido o aniversário de 20 anos de uma das bandas de death doom mais importantes do cenário nacional, mais precisamente de Belo Horizonte, com seu segundo trabalho de 2006, Under The Mind's Sheet.

Com André Salatiel nos vocais, João Silva na guitarra, Anderson Gualberto no baixo e Luiz Toledo na bateria, a banda arrastava ainda mais o seu som em relação ao debut, caprichando na morbidez — algo perceptível já de cara em “For The Eternity”, quando uma voz sinistra e narrada inicia a jornada, acompanhada apenas por baixo e um piano soturno.

A banda atravessava um processo meio conturbado de troca de vocalista: o original Salatiel retornava a tempo de gravar as vozes deste play — uma decisão mais que acertada, já que seu vocal rosnado e cavernoso casa perfeitamente com o instrumental. “Angústia Suprema” é a primeira faixa em português do álbum, com dedilhados de guitarra sustentando uma melodia agonizante, enquanto “Tears To The Wind” traz passagens narradas que remetem a Darren White, vocalista original do Anathema.

A instrumental “Zahir” — palavra de origem árabe — apresenta uma melodia de guitarra levemente oriental, o que pode ter inspirado o nome. Popularmente, o termo remete a algo em que você não consegue parar de pensar, e também intitula obras do brasileiro Paulo Coelho e do argentino Jorge Luis Borges.

Em “Valhalla”, a banda até acelera um pouco o ritmo, mas nada comparado à ótima “Amaldiçoado”, segunda faixa em português, que começa com teclados, engata um riff muito interessante, acelera no momento mais death metal do álbum e termina com falas que remetem imediatamente ao Rotting Christ em seu excelente Passage to Arcturo.

A faixa-título, mesmo com várias facetas, também evidencia a influência dos paranaenses do Amen Corner, especialmente em uma passagem cuja melodia remete ao EP Darken In Quir Hareset.

O interessante é que, mesmo absorvendo influências diversas, o som do Eternal Fall mantém uma aura única: arrastada, mórbida, por vezes indo além do puro death doom — um prato cheio pra quem aprecia seres rastejantes sobre a terra úmida.

“The Old And The Mirror” encerra o trabalho com a mesma pegada e qualidade indiscutível de todo o artefato.

Se não conhece, procure.


quinta-feira, 16 de abril de 2026

20 anos de Afterburner do Sinister!!!


Como já falamos na resenha de Savage or Grace, a banda passava por um momento conturbado durante sua gravação, o que acabou levando ao encerramento das atividades pouco depois, em 2003. Mas o grupo holandês Sinister retornou — e com mudanças interessantes: o baterista original Aad largou as baquetas para assumir os vocais, enquanto o baixista Alex Paul também voltava, gravando tanto as 4 quanto as 6 cordas. Já o novato Paul Beltman iniciava seu curto período de dois anos socando o kit.

Esse retorno pariu Afterburner, o sétimo trabalho do Sinister, uma obra infinitamente superior ao seu antecessor e, até hoje, um dos melhores da banda. Começando pela arte da capa que, mesmo naquela confusão de Photoshop, ficou bem interessante — com o monstro maligno e todas as tetas espalhadas.

Musicalmente, o play é um atropelo. Na maior parte do tempo acelerado, mas com passagens mais cadenciadas muito bem encaixadas — vide a faixa-título, a melhor do álbum, cujo refrão mais lento é simplesmente um dos melhores que o death metal já concebeu.

“The Grey Massacre” abre a pedrada com maestria: rápida, com ótimas viradas de bateria, riffs pesados e um vocal ultra gutural excelente, ainda com espaço para o baixo aparecer. “Altruistic Suicide” mantém a pancadaria até desembocar num andamento médio perfeito para o mosh.

Quando você pega uma música como “Presage of the Mindless” e acompanha a letra, fica difícil não notar certa similaridade com Chris Barnes, especialmente pela abordagem vocal que remete ao trabalho dele no Six Feet Under ou no álbum "The Bleeding" do Cannibal Corpse. Em quase 8 minutos, com direito a solo de guitarra, a faixa despeja momentos arrastados em meio ao caos acelerado, trazendo riffs técnicos que não soam cansativos dentro da estrutura.

Há também alguns trechos narrados aqui e ali, mas nada que torne a audição monótona — pelo contrário, agregam valor à bolacha. Já “The Riot Crossfire” é a mais curta e uma das mais brutais do disco, com uma parte de guitarra menos agressiva e mais pesada em sua metade, remetendo de forma certeira aos americanos do Obituary.

Se você se deixou levar pelo desânimo com a banda após alguns álbuns irrelevantes que sucederam o início matador com Cross the Styx e Diabolical Summoning, e acabou deixando passar Afterburner, talvez seja a hora perfeita de corrigir isso — ainda mais agora que ele completa 20 anos.

Furioso e excelente!


 

20 anos de Haeresis do Expulser!!!


O Expulser nasceu em 1987 na cidade de Lavras, no interior de Minas Gerais, distante cerca de 230 km da capital Belo Horizonte, e hoje com mais de 105 mil habitantes. Era a época do boom do maior movimento metálico brasileiro, quando a MGArea ganhava contornos de movimento clássico do underground — e no mesmo ano em que vieram à luz os icônicos Schizophrenia, do Sepultura, e I.N.R.I., do Sarcófago.

Lançaram pela Cogumelo Records, em 1992, o álbum The Unholy One que, para mim, é o melhor disco lançado por uma banda mineira fora das imediações da capital. Em 2006, em meio a uma turbulenta separação entre os integrantes, saiu o segundo trabalho, Haeresis, de forma praticamente independente — momento em que a banda encerrou atividades, para retornar muitos anos depois.

Haeresis não tem a mesma aura do debut e, na formação que o concebeu, apenas o guitarrista D. Strike da fase inicial permanecia, agora assumindo também parte dos vocais. O outro vocalista e guitarrista era Jose Bougleux, enquanto o baixo ficou a cargo de Maria Juanna e a bateria de Kiko Ciociola (hoje na banda de thrash Aneurose).

Os vocais vêm gritados em uníssono — tanto o gutural quanto o rasgado, quase no limite. A única lembrança mais direta da fase áurea aparece na bateria “bate-estaca”, com a inclusão incessante dos pedais duplos. As guitarras, que outrora flertavam com o thrash, agora se voltam mais ao death metal, com alguma melodia pouco convencional — há até uma viagem astral no início de “Dismembering God”, que chega a 7 minutos de duração (a música, não a viagem).

Outras duas faixas instrumentais também aparecem no disco, sendo que “Blessed Angels”, com seus 4 minutos à la Morbid Angel, merecia um bom vocal. Dá pra pinçar alguns bons momentos de solos, como em “The Pages”, faixa resgatada da demo de 2004, junto com “Nevermore” e “The Enchanter”, que abre a bolacha.

Um detalhe que não dá pra deixar passar é a faixa que encerra o álbum e dá nome a ele: “Haeresis”. Porque ela realmente é uma heresia para o death metal. Ouça e comprove!


 

quinta-feira, 9 de abril de 2026

20 anos de Metal Black do Venom!!!


Lembro de quando o 11º álbum de estúdio dos ingleses do Venom foi anunciado: chegou cercado por um misto de curiosidade e desconfiança. Afinal, a arte da capa era fenomenal, uma das melhores da história da banda, porém o uso do nome de seu maior álbum com a troca de posição das palavras soava muito mal. E ficava a pergunta: viria o Venom com um trabalho à altura de Black Metal de 1982?

Uma coisa já preocupava: o guitarrista Mantas havia pulado fora após o álbum anterior, Resurrection, e em seu lugar entrou Mike Hickey (creditado como Mykus), que já havia participado de Calm Before the Storm de 1987, além de trabalhos solo de Cronos. Após as especulações, era hora de conferir o que realmente importa: as músicas de Metal Black. E a empolgação era grande, afinal Resurrection foi um primor digno de nota 10.

Mas quando a faixa “Antechrist” abre o play (com esse “e” mesmo, grafado errado), a primeira coisa que vem à mente é: “o álbum foi mixado? Teve problema na produção? Que merda de som é essa?”. Ok, alguns vão dizer que foi proposital, que Cronos queria entregar algo com a sonoridade oitentista, suja e deficiente. Se o Sepultura fizesse algo parecido até seria interessante, porque a produção de Morbid Visions ou Bestial Devastation, mesmo com poucos recursos, ainda soa muito bem; ao passo que ouvir Welcome to Hell hoje em dia, por exemplo, é decepcionante justamente pela baixa qualidade de gravação. E o Venom resolve fazer exatamente a mesma coisa? Nota zero pra eles.

E sabe o que é ainda mais triste? São boas músicas. Conseguindo filtrar a qualidade do som, percebe-se que as composições seguem o caminho que a banda havia iniciado seis anos antes, no álbum anterior. Músicas pesadas, com bons riffs, vocal ainda excelente de Cronos e uma bateria sem muito brilho de Antton, mas cumprindo seu papel. “House of Pain”, “Rége Satanas” e “Assassin” são boas faixas que ao vivo devem soar muito bem. Uma pena o Venom tê-las trucidado com essa sonoridade pobre e suja.

Um destaque absoluto é “Hours of Darkness”, música de andamento mais lento e mais trabalhada; se estivesse em Resurrection, seria um clássico da banda.

Enfim, algumas ideias às vezes simplesmente não funcionam. Acredito que Cronos tenha dado ouvidos a pessoas próximas que acusaram Resurrection de ser polido demais. É o único motivo que explica essa guinada negativa, que prejudicou deveras um momento que poderia ter sido muito mais marcante na trajetória da banda.


 

20 anos de Armada do Keep Of Kalessin!!!


Pouco comentada no cenário, a banda Keep of Kalessin surgiu em 1995 na Noruega, após seus dois primeiros anos sob a alcunha de Ildskjaer (e que bom terem mudado o nome). Depois de algumas mudanças de formação — sendo a mais significativa nos vocais, com a entrada de Thebon (Torbjørn Schei) — o grupo chegava, em 2006, ao seu terceiro álbum, Armada.

A capa apresenta a silhueta de um exército diante de montanhas e de um céu carregado, enquanto o logo da banda surge pela primeira vez de forma clara e plenamente legível. Após uma intro insignificante, “Crown of the Kings” desponta carregada de fúria bélica. Riffs melódicos de guitarra se sobrepõem a uma base de baixo firme e a uma bateria veloz, com pedais rapidíssimos, transmitindo a sensação de que esse exército não apenas marcha, mas corre em direção à batalha.

Em meio ao black metal praticado pela banda, os vocais soam menos como demônios enclausurados em cavernas e mais como guerreiros brandindo espadas e ordenando que seus soldados não tenham piedade do inimigo. “The Black Uncharted” é uma faixa ainda mais impressionante: os vocais mostram-se mais consistentes, tangenciando o death metal, surgem passagens com vocais limpos e um interlúdio melancólico conduzido por um violão de clima quase flamenco acompanhado de percussão, enriquecendo a atmosfera e alçando a banda ao panteão dos grandes de bom gosto..

“Vengeance Rising” remete a certos momentos de Immortal em sua construção instrumental, especialmente pela bateria incansável, em que pedais e pratos parecem ganhar vida própria. Há aqui uma massa sonora típica do black metal norueguês que convida ao mosh, mas com um diferencial importante: trata-se de um metal ríspido, porém muito bem produzido, sem o chiado proposital que por vezes obscurece detalhes ou disfarça limitações técnicas.

As letras são agressivas, mas em nenhum momento descambam para o desrespeito religioso pueril nem apelam para temas de estupro ou misoginia que algumas bandas do estilo insistem em explorar. “Winged Watcher” é outra grande faixa, marcada por boas mudanças de andamento. Um ponto menos inspirado aparece em “Into the Fire”, cujos riffs lembram excessivamente os de “Vengeance Rising”; ainda que a estrutura da música siga caminhos diferentes, fica a sensação de déjà-vu.

Já “The Wealth of Darkness” é uma excelente porta de entrada para conhecer o som do Keep of Kalessin, com vocais diferenciados e um instrumental veloz e implacável. No fim das contas, temos um trabalho que agrada aos apreciadores de música extrema, combinando melodia regrada, velocidade acima do permitido e um vocalista versátil que representou um claro salto de qualidade para a banda liderada pelo guitarrista Obsidian Claw.


 

quarta-feira, 8 de abril de 2026

20 anos de Dante XXI do Sepultura!!!


Dante XXI, obra do Sepultura baseada nos poemas de Dante Alighieri em A Divina Comédia, marca de forma bastante simbólica algumas fases importantes da trajetória da banda de Belo Horizonte. É o décimo álbum da carreira, já com dez anos de estrada sem o vocalista e guitarrista Max Cavalera, e também o último trabalho a contar com seu irmão Iggor Cavalera na bateria. Quer mais? Talvez não seja consenso geral, mas Dante XXI pode ser considerado o primeiro álbum da era Derrick Green que realmente merece uma atenção mais cuidadosa.

Nesta fase da banda, o disco funciona como uma espécie de virada de chave, momento em que parte dos fãs passou a olhar o Sepultura com menos desconfiança. Em minha opinião, “False” é a primeira música a realmente chamar atenção na sequência do play, com riffs pesados e carregados de groove — mas não aquele groove arrastado e previsível, e sim algo mais próximo da pegada thrash metal. O vocal de Derrick aparece mais gutural (oh glória). Antes dela, “Convicted in Life” já dava sinais dessa mudança positiva, enquanto “Fighting On” mantém peso e agressividade, com a guitarra de Andreas Kisser remetendo à fase de Chaos A.D. (oh glória II — e nada a ver com o nome da esposa de ninguém, é louvor mesmo!).

Interessante notar que as três intros do álbum marcam o início das músicas de acordo com as três partes do livro: “Lost” abre o caminho para o Inferno, “Limbo” introduz o Purgatório e “Eunoé” conduz ao Paraíso. A primeira faixa completa do “purgatório”, “Ostia”, quase funciona como uma purificação sonora, trazendo um belo solo de violino que acrescenta uma atmosfera diferenciada ao trabalho. Derrick também entrega uma interpretação bastante expressiva nessa música.

Outros destaques interessantes são “Nuclear Seven”, “Crown and Miter”, “City of Dis” e a enigmática “Still Flame”, que incorpora cellos e uma atmosfera quase oriental.

Para quem ama thrash metal, talvez não seja um álbum para ouvir do início ao fim esperando apenas velocidade e riffs cortantes, pois ainda há uma presença forte de elementos hardcore, perceptível já na abertura com “Dark Wood of Error”. Ainda assim, trata-se de uma obra que carrega uma mensagem bastante clássica: há, sim, uma luz no fim do túnel.