Se você leu as resenhas dos três álbuns anteriores do Katatonia nesta página, certamente já não espera uma análise muito positiva para The Great Cold Distance, o sétimo trabalho dos suecos, lançado pela Peaceville Records em 2006. Vou tentar não ser tão negativo, já que, a essa altura, também não esperava nada particularmente emocionante no som destes senhores. Respeito a banda, mas apreciar essa fase clean e um tanto insossa não é exatamente uma tarefa fácil de encarar.
É verdade que alguns aspectos ajudam a evitar que o álbum seja tão fraco quanto seus antecessores. Há uma variação um pouco maior nas estruturas das músicas — nada radical, mas ao menos nem todas seguem aquela linha reta e previsível. A faixa “Soil’s Song”, por exemplo, chega a ser até simpática dentro da proposta.
O problema é que as guitarras, ainda que um pouco mais sujas, não empolgam nem mesmo nas passagens que deveriam soar mais pesadas, como em “Consternation”, enquanto os vocais carecem de emoção. Jonas Renkse canta como se estivesse lutando contra o sono depois de um longo dia aguardando um voo atrasado em um aeroporto — e o voo nunca decola, porque as músicas simplesmente não levam a lugar algum.
Independentemente disso, a banda segue com uma legião fiel de admiradores. Algumas passagens de bateria chegam a ser lamentáveis, como o trecho mais calmo de “Increase”, que tenta soar progressivo sem que a melodia realmente importe ou desperte algo além de um leve desânimo.
Gostaria de encontrar algo mais animador para não desmerecer tanto o trabalho, mas a verdade é que ouvir o álbum inteiro acaba sendo um esforço ao qual não me sinto muito inclinado. E antes que alguém venha questionar ao me ver vestindo uma camisa da banda, vale lembrar: trata-se de uma lembrança dos bons tempos. Uma fase que, ao que tudo indica, dificilmente voltará.

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