Esta semana mesmo li um post na internet sobre o antigo vocalista do Cannibal Corpse, Chris Barnes, afirmando que a banda ainda se sentiria ameaçada por ele, o que tornaria inviável qualquer aproximação entre o Cannibal e o Six Feet Under, grupo criado após sua saída. Sabemos que alguns fãs mais radicais permanecem presos à eterna ladainha de que apenas os quatro primeiros álbuns dos caras de Buffalo seriam realmente representativos, mas a verdade é que, após a entrada do vocalista George Fisher, o death metal nojento da banda ganhou uma projeção que poucos imaginariam para um grupo que insiste em grunhir sobre temas tão macabros e putrefatos envolvendo morte e a fragilidade humana.
Uma prova contundente dessa reputação nada amigável é Kill, lançado em março de 2006 e que acaba de completar 20 anos. O disco já era o décimo da carreira dos americanos e o sexto com o Pescoçudo à frente do microfone, girando a cabeleira como se estivesse presa a uma turbina de avião.
Lançado pela Metal Blade Records e produzido por Erik Rutan, que aparentemente buscou um equilíbrio entre a sujeira da era analógica e a nitidez digital — e, se essa era a intenção, acertou em cheio — temos aqui mais um petardo absurdamente pesado. As guitarras de Pat O'Brien e Rob Barrett (de volta à banda após dez anos e quatro álbuns, substituindo Jack Owen) surgem como verdadeiras paredes de chumbo, enquanto o baixo de Alex Webster preenche qualquer lacuna possível. Já a bateria de Paul Mazurkiewicz vem socada com raiva, como manda o manual do bom death metal. Basta ouvir “Purification by Fire” para sentir o peso dessa pancadaria.
Se a pergunta for sobre os solos de guitarra, a resposta é simples: ouça “Maniacal”. O solo é tão rápido que você provavelmente voltará a faixa algumas vezes para absorver o que acabou de acontecer. As mudanças de andamento continuam sendo um dos grandes trunfos da banda. Quando os riffs já são excelentes, essas viradas elevam ainda mais o nível, transformando faixas como “Submerged in Boiling Flesh”, já na reta final do álbum, em momentos difíceis de ignorar.
“Infinity Misery” encerra o petardo no único instante realmente arrastado do disco, com guitarras solo que remetem aos melhores momentos de James Murphy em Cause of Death.
Mas, se a ideia é se apaixonar por Kill, minha recomendação é começar pela abertura “The Time to Kill Is Now”, com toda a sua selvageria, e seguir direto para “Make Them Suffer”, onde um leve groove no refrão certamente vai fazer você testar a resistência do conjunto pescoço/garganta, além de saltar como um canguru na pista. De negativo em Kill, somente a falta de nossos famigerados zumbis na capa simples.

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