O nono álbum de estúdio do Impaled Nazarene traz um título que sugere um trabalho fortemente voltado ao patriotismo em relação ao seu país de origem. No entanto, ao analisar as letras de Pro Patria Finlandia, não se percebe exatamente um disco centrado nessa temática, já que o conteúdo lírico muitas vezes segue por caminhos mais anticristãos e provocativos do que propriamente reverentes à bandeira nacional.
Bandeira que, aliás, aparece muito bem representada na arte da capa: uma paisagem de árvores altas ao fundo, a tradicional combinação azul e branca manchada de sangue sobre pedras e o imponente logo da banda destacando-se na parte mais clara do céu. O nacionalismo finlandês, de modo geral, não costuma seguir uma linha explicitamente política ou separatista, estando mais ligado à história de um país que esteve sob domínio estrangeiro, especialmente do Império Russo, até conquistar sua autonomia em 1917.
Falando de música, o Impaled Nazarene mantém aqui sua sequência sólida de álbuns de black metal fortemente influenciado pelo thrash europeu. A faixa de abertura, “Weapons to Tame a Land”, é um exemplo claro da identidade da banda: veloz, com espaço perceptível para o baixo, vocal rasgado e um solo de guitarra — recurso que nem sempre foi tão explorado em trabalhos anteriores. A letra desta música, curiosamente, é uma das poucas que você pode mostrar a alguém sem maiores constrangimentos, e o refrão com múltiplas vozes bradando “devastate, annihilate, exterminate” ajuda a torná-la um dos destaques do disco.
Falando em solos, em “Something Sinister” a distorção é tão áspera que pode até gerar dúvida se o destaque é guitarra ou baixo, enquanto em “Psychosis” encontramos um solo limpo e muito bem executado, que merece atenção. O vocal de Mika Luttinen ocasionalmente assume um tom mais gutural, como em “I Wage War”, uma das faixas mais brutais do trabalho — abordagem que poderia ser explorada com mais frequência, pois acrescenta uma dinâmica interessante ao conjunto.
Mesmo sendo um álbum bastante veloz, com muitos blast beats de Reima Kellokoski, as músicas quase sempre apresentam pequenas mudanças de andamento, geralmente migrando para trechos mais cavalgados antes de retornar à brutalidade predominante. Isso fica evidente na faixa de encerramento, “Hate–Despise–Arrogance”, que possui pouco mais de três minutos, mas que facilmente poderia se estender por mais tempo sem perder o impacto.
Para você, criatura noturna, que ainda não teve a oportunidade de ouvir este trabalho e se interessou pela proposta, a recomendação inicial fica por conta da já citada faixa de abertura ou da poderosa “One Dead Nation Under Dead God”, outra em que a letra não causa constrangimentos e que, em certos momentos, lembra a finada carioca Unearthly na fase do álbum Black Metal Commando — uma excelente pedida para ouvir logo após Pro Patria Finlandia.
No baixo, a banda já contava com Mika Arnkil, enquanto as guitarras ficaram a cargo de Tuomo Louhio, que permaneceu cerca de quatro anos no grupo, e Jarno Anttila, dupla que contribuiu de forma decisiva para o peso e a identidade desta obra.

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