Já li várias obras do escritor brasileiro Paulo Coelho. O Diário de um Mago, O Demônio e a Srta. Prym, Onze Minutos, Brida, O Zahir e o melhor deles, O Alquimista. Ainda assim, nunca tive a oportunidade de ler Veronika Decide Morrer, justamente a obra que dá nome ao terceiro álbum da banda dinamarquesa Saturnus. Mesmo com o título retirado do livro, a banda afirma que as letras não refletem diretamente aquilo que encontramos em suas páginas.
A verdade é que o lirismo apresentado aqui nasce de um desespero legítimo, onde amor, dor, desolação e escuridão se misturam ao sabor salgado das lágrimas. Ouvir Veronika Decides to Die é mergulhar em uma jornada fria, doce e sensível, onde sentimentos que jamais ousamos revelar sob a luz brotam da alma em nossos momentos mais amargurados.
A produção é cristalina sem esconder o peso. Pelo contrário: reforça as melodias inquietantes, onde todos os instrumentos se unem para idealizar a tragédia da imperfeição humana. Os solos de guitarra, longos e belíssimos, conduzem o ouvinte a um estado de espírito quase inebriante. As passagens de bateria também não servem apenas como detalhe; foram cuidadosamente pensadas para enriquecer as linhas e reafirmar sua importância dentro do melodic death/doom, sem sequer fingir acelerações desnecessárias apenas para quebrar nuances. Este trabalho não precisa destruir nada além de nossas almas.
Tais Pedersen e Peter Poulsen eram os responsáveis pelas belas melodias nas seis cordas, com Lennart Jacobsen no baixo e Nikolaj Borg na bateria. Nos teclados, Anders Nielsen — presente na banda desde 1994 e realizando aqui seu último trabalho com o grupo — enquanto Thomas Jensen assumia os vocais, sendo hoje o único integrante daquela formação ainda presente na banda. Sua voz transita pelo gutural tradicional, pelo narrado e por um gutural mais aberto, como podemos ouvir em “Pretend”.
São oito hinos espalhados por praticamente uma hora de música, onde momentos mais introspectivos, compostos apenas por dedilhados, teclados e vozes limpas, fazem você mergulhar em um lago gelado, como acontece em “All Alone”. Os solos viajantes estão por toda parte, mas destacar “Descending” é indispensável.
Ainda assim, você não precisa se prender a uma faixa específica. Veronika Decides to Die foi feito para ser sofrido em sua totalidade.

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