quinta-feira, 9 de abril de 2026

20 anos de Armada do Keep Of Kalessin!!!


Pouco comentada no cenário, a banda Keep of Kalessin surgiu em 1995 na Noruega, após seus dois primeiros anos sob a alcunha de Ildskjaer (e que bom terem mudado o nome). Depois de algumas mudanças de formação — sendo a mais significativa nos vocais, com a entrada de Thebon (Torbjørn Schei) — o grupo chegava, em 2006, ao seu terceiro álbum, Armada.

A capa apresenta a silhueta de um exército diante de montanhas e de um céu carregado, enquanto o logo da banda surge pela primeira vez de forma clara e plenamente legível. Após uma intro insignificante, “Crown of the Kings” desponta carregada de fúria bélica. Riffs melódicos de guitarra se sobrepõem a uma base de baixo firme e a uma bateria veloz, com pedais rapidíssimos, transmitindo a sensação de que esse exército não apenas marcha, mas corre em direção à batalha.

Em meio ao black metal praticado pela banda, os vocais soam menos como demônios enclausurados em cavernas e mais como guerreiros brandindo espadas e ordenando que seus soldados não tenham piedade do inimigo. “The Black Uncharted” é uma faixa ainda mais impressionante: os vocais mostram-se mais consistentes, tangenciando o death metal, surgem passagens com vocais limpos e um interlúdio melancólico conduzido por um violão de clima quase flamenco acompanhado de percussão, enriquecendo a atmosfera e alçando a banda ao panteão dos grandes de bom gosto..

“Vengeance Rising” remete a certos momentos de Immortal em sua construção instrumental, especialmente pela bateria incansável, em que pedais e pratos parecem ganhar vida própria. Há aqui uma massa sonora típica do black metal norueguês que convida ao mosh, mas com um diferencial importante: trata-se de um metal ríspido, porém muito bem produzido, sem o chiado proposital que por vezes obscurece detalhes ou disfarça limitações técnicas.

As letras são agressivas, mas em nenhum momento descambam para o desrespeito religioso pueril nem apelam para temas de estupro ou misoginia que algumas bandas do estilo insistem em explorar. “Winged Watcher” é outra grande faixa, marcada por boas mudanças de andamento. Um ponto menos inspirado aparece em “Into the Fire”, cujos riffs lembram excessivamente os de “Vengeance Rising”; ainda que a estrutura da música siga caminhos diferentes, fica a sensação de déjà-vu.

Já “The Wealth of Darkness” é uma excelente porta de entrada para conhecer o som do Keep of Kalessin, com vocais diferenciados e um instrumental veloz e implacável. No fim das contas, temos um trabalho que agrada aos apreciadores de música extrema, combinando melodia regrada, velocidade acima do permitido e um vocalista versátil que representou um claro salto de qualidade para a banda liderada pelo guitarrista Obsidian Claw.


 

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