quinta-feira, 9 de abril de 2026

20 anos de Metal Black do Venom!!!


Lembro de quando o 11º álbum de estúdio dos ingleses do Venom foi anunciado: chegou cercado por um misto de curiosidade e desconfiança. Afinal, a arte da capa era fenomenal, uma das melhores da história da banda, porém o uso do nome de seu maior álbum com a troca de posição das palavras soava muito mal. E ficava a pergunta: viria o Venom com um trabalho à altura de Black Metal de 1982?

Uma coisa já preocupava: o guitarrista Mantas havia pulado fora após o álbum anterior, Resurrection, e em seu lugar entrou Mike Hickey (creditado como Mykus), que já havia participado de Calm Before the Storm de 1987, além de trabalhos solo de Cronos. Após as especulações, era hora de conferir o que realmente importa: as músicas de Metal Black. E a empolgação era grande, afinal Resurrection foi um primor digno de nota 10.

Mas quando a faixa “Antechrist” abre o play (com esse “e” mesmo, grafado errado), a primeira coisa que vem à mente é: “o álbum foi mixado? Teve problema na produção? Que merda de som é essa?”. Ok, alguns vão dizer que foi proposital, que Cronos queria entregar algo com a sonoridade oitentista, suja e deficiente. Se o Sepultura fizesse algo parecido até seria interessante, porque a produção de Morbid Visions ou Bestial Devastation, mesmo com poucos recursos, ainda soa muito bem; ao passo que ouvir Welcome to Hell hoje em dia, por exemplo, é decepcionante justamente pela baixa qualidade de gravação. E o Venom resolve fazer exatamente a mesma coisa? Nota zero pra eles.

E sabe o que é ainda mais triste? São boas músicas. Conseguindo filtrar a qualidade do som, percebe-se que as composições seguem o caminho que a banda havia iniciado seis anos antes, no álbum anterior. Músicas pesadas, com bons riffs, vocal ainda excelente de Cronos e uma bateria sem muito brilho de Antton, mas cumprindo seu papel. “House of Pain”, “Rége Satanas” e “Assassin” são boas faixas que ao vivo devem soar muito bem. Uma pena o Venom tê-las trucidado com essa sonoridade pobre e suja.

Um destaque absoluto é “Hours of Darkness”, música de andamento mais lento e mais trabalhada; se estivesse em Resurrection, seria um clássico da banda.

Enfim, algumas ideias às vezes simplesmente não funcionam. Acredito que Cronos tenha dado ouvidos a pessoas próximas que acusaram Resurrection de ser polido demais. É o único motivo que explica essa guinada negativa, que prejudicou deveras um momento que poderia ter sido muito mais marcante na trajetória da banda.


 

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