Confesso que, logo de cara, ao ouvir "Ice-Olation", pensei: "ok, o mesmo de sempre, nada demais". Começar uma resenha do décimo segundo álbum de estúdio de uma das maiores bandas de thrash metal dos anos 80 dessa forma talvez não fosse muito justo. Ainda bem que a sequência de músicas não segue esse padrão. Graças a Baco, não segue.
A cerveja, como sempre, é um dos temas preferidos do quarteto, ainda mais quando o petardo se chama The Beauty and the Beer. A bela retratada na capa também deve ter povoado o imaginário de muitos thrashers adolescentes, que certamente sonharam em ocupar o lugar da criatura alienígena.
A partir da segunda faixa, a excelente "We Still Drink the Old Ways", o álbum engrena de vez. As músicas parecem disputar entre si qual será a melhor. E isso inclui "Rockstars No. 1", talvez a faixa mais criticada do trabalho. Com breakdowns interessantes e um riff marcante, um tanto americanizado, ela acabou sendo rejeitada por alguns fãs. Eu, particularmente, gostei bastante.
Escolher uma música essencial aqui não é tarefa fácil. Há várias candidatas. A faixa-título, por exemplo, traz uma estrutura que remete ao thrash dos anos 90, quando o estilo parecia flertar cada vez mais com o power metal. Já "Metal to Metal" é simplesmente sensacional e está entre as melhores composições da carreira da banda. Sua introdução carrega uma melodia quase sinistra, algo que normalmente não associamos ao Tankard, mas que combinou perfeitamente com meus ouvidos.
Os solos de guitarra são outra atração à parte. Em alguns momentos, a banda nem perde tempo e já começa a música solando, como acontece na ótima "Forsaken World".
Confesso que senti falta daquela faixa mais pesada e arrastada que o Tankard costumava encaixar em seus discos. O mais próximo disso aparece no início de "Dirty Digger", que une crítica política e riffs empolgantes até o último segundo.
Com Gerre nos vocais, Frank Thorwarth no baixo, Andy Gutjahr na guitarra, Olaf Zissel na bateria e Andy Classen produzindo toda a bagaça, o Tankard forjou uma verdadeira obra-prima.
The Beauty and the Beer merece ser ouvido. Talvez com uma bela ao lado. Mas certamente com uma cerveja na mão.
