Dizem que banda de black metal sem polêmica não ganha notoriedade na cena. Em alguns casos, até concordo. Quando a banda é ruim mesmo, nada melhor do que queimar algumas igrejas e matar uns coleguinhas para ficar famosa. Mas não era o caso do Evil War, cujo som sempre foi muito bom ao longo de seus curtos nove anos de existência.
Quando éramos adolescentes de dezoito anos e acompanhávamos a cena de Curitiba, que se destacava no black metal nacional, vivíamos uma realidade bem diferente da atual. Em uma era sem internet, sobrevivíamos de rumores, escolhíamos lados, fazíamos alianças e até brigávamos sem ter certeza do que realmente acontecia no sul do país. Algumas histórias diziam que Murder Rape e Amen Corner eram bandas inimigas, algo que acabou sendo desmentido ao longo dos anos.
O que realmente ocorreu foi uma rixa interna no Murder Rape, culminando na saída de três integrantes e no nascimento da blasfema Evil War, em 1999. Com o passar do tempo, entre casos de suicídio e conversão ao cristianismo, a banda acabaria encerrando suas atividades. Antes disso, porém, lançou seu derradeiro opus em 2006, apenas dois anos antes do fim.
Mesmo tendo permanecido fiel à proposta black metal durante toda a carreira, Bleeding in the Shades of Baphomet é, sem dúvida, o trabalho mais black metal do Evil War. A banda mudou de logotipo pela terceira vez, trocou a parceria com a Somber Records pela Mutilation Records e passou por alterações importantes na formação. O vocalista original Sabatan deixou os vocais para que o guitarrista Halphas assumisse a função, enquanto Shaitan, que anos depois gravaria o clássico Chri$t World Corporation com o Amen Corner, entrou na vaga de Typhon Set. O baterista Ichthys Niger, um dos fundadores do Evil War, permanecia firme na formação.
O som ficou mais próximo daquilo que as bandas norueguesas faziam na época, e é justamente daí que vem minha afirmação de que este é o álbum mais black metal da carreira do grupo. Os riffs são excelentes, como os de "Deluge of Blood", claramente influenciados por nomes como Immortal. A bateria apresenta um timbre limpo e definido, alternando momentos de velocidade, passagens conduzidas por pedais duplos e batidas diretas, sem floreios técnicos, mas carregadas de força.
Os vocais de Halphas são predominantemente rasgados, contrastando com Sabatan, que recorria com frequência aos guturais. Gravado no Estúdio Clínica e produzido por Murilo da Rós em conjunto com a banda, o álbum apresenta uma sonoridade muito acima da média, talvez uma das melhores produções já alcançadas dentro do underground nacional de black metal.
E, para fechar a saga do escudo — citada nas resenhas que fizemos dos dois primeiros trabalhos —, ele aparece aqui revigorado, pronto para uma nova batalha que, infelizmente, jamais aconteceu.

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