Criaturas, esse é o tipo de álbum perfeito pra dar um respiro no metal extremo do dia a dia. Sem choradeira, sem preconceito com voz feminina no metal — afinal, estamos falando da rainha dos headbangers. Em 2006, Doro chegava ao seu 10º álbum da carreira solo com o excelente Warrior Soul, um trabalho que deixa claro, sem rodeios, que ela realmente tem alma de guerreira.
Imaginar tudo o que Doro deve ter enfrentado em um mundo metal ainda profundamente machista — jovem, bela e à frente do Warlock desde os vinte e poucos anos — já seria motivo suficiente para medalhas, troféus e reconhecimento eterno. Mas o mérito aqui vai muito além da história: Doro é uma cantora de voz especial, personalidade forte e inteligência musical, sempre cercada de músicos que conseguem materializar exatamente o que ela tem em mente.
Neste álbum, ela conta novamente com Joe Taylor (guitarra), Oliver Palotai (guitarra e teclados), Nick Mitchell (baixo) e Johnny Dee (bateria), a mesma formação do ótimo Fight (2002). Vale lembrar que o disco anterior não é esse, já que em 2004 Doro lançou Classic Diamonds, um trabalho focado em covers e versões — principalmente da fase Warlock — e recheado de convidados.
Warrior Soul é daqueles álbuns que prendem a atenção faixa após faixa, mesmo que alguns momentos soem familiares entre si. Não é um disco para quem busca velocidade: os andamentos variam do lento ao médio, com espaço para baladas, atmosferas bem construídas e teclados ocupando papel central. Os solos de guitarra são, em sua maioria, curtos e funcionais, com destaque absoluto para o belíssimo solo de “Above The Ashes”.
Há espaço até para um momento punk, “Ungebrochen”, com pouco mais de um minuto e meio e Doro cantando com aquela voz rasgada deliciosa, remetendo ao álbum anterior. “In Liebe Und Freundschaft” é uma bela balada cantada em alemão, sua língua nativa. Outras baladas são “Shine On”, que encerra o play com um final bombástico, enquanto a faixa-título “Warrior Soul” arrepia e deixa claro o quanto a voz de Doro consegue mexer com quem ouve — além de reaparecer de forma acústica e escondida no final do álbum.
“Creep Into My Brain” é a faixa ideal para medir a potência vocal da loira, enquanto músicas como “Haunted Heart”, “Strangers Yesterday”, “Thunderspell” e “You’re My Family” entregam aquele Heavy Rock honesto, prazeroso e sem culpa, pra curtir sem medo de ser feliz.
A arte da capa mais uma vez é de Geoffrey Gillespie, e novamente ficou um arraso, com Doro ilustrada empunhando uma espada frente a criaturas horrendas, mas girando o rosto para te olhar nos olhos com charme: feroz e cativante!
No fim das contas, Warrior Soul é mais uma prova da força, consistência e relevância de Doro — um ótimo trabalho de uma rainha que, mesmo 20 anos depois, continua firme no trono.

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