É até estranho dizer que se esperava um álbum mais comercial do Sodom. Mas é exatamente essa a sensação depois de cinco anos de espera. Afinal, a banda vinha de nada menos que Code Red e M-16, duas bombas sensacionais que ampliaram o leque do grupo, trazendo um som mais carregado de personalidade — músicas com vida própria, sem depender de fórmulas ou padrões pra existir.
Até dá pra perceber isso no 11º álbum dos alemães, Sodom, lançado em 2006. Mas há algo que o impede de alçar voos mais altos. E sejamos justos: não estamos falando de um trabalho fraco — pelo contrário, é muito bom. Só que, se alguém esperava algo próximo de um “Black Album” da banda, acabou esbarrando em uma característica peculiar do trio: a produção suja.
Elementar, meu caro Watson. Uma distorção crua, agressiva até demais pra alcançar um estrelato maior — ainda que esse nunca tenha sido exatamente o objetivo dos caras, e convenhamos, nem de boa parte dos fãs. Nesse sentido, M-16 segue sendo o ponto mais próximo de uma “superprodução” dentro da discografia da banda.
Voltando ao opus, com uma capa escura que não desperta grande emoção, o petardo abre com “Blood On Your Lips”. Não é das mais agressivas nem das mais rápidas, mas permanece na memória mesmo após duas décadas — uma faixa obscura, sustentada por um riff cavalgado interessante, embora talvez pedisse uma ponte que o levasse a algo menos previsível.
“Wanted Dead” já mostra que a banda não cairia na repetição, trazendo um solo de guitarra com evolução melódica. A sequência do álbum vai revelando uma progressão: as músicas ganham corpo, aumentam o peso e encontram direções mais definidas, sem fugir da proposta. “Axis of Evil”, por exemplo, apresenta um baixo gordo, vocais narrados e um riff pesado com uma pegada quase americana.
A velocidade arranca sorrisos em “Lords of Depravity”, mas especialmente em “Bibles And Guns”, outra faixa acima da média. O mesmo vale para “City of God”, que ganhou videoclipe e talvez represente o momento mais “comercial” do disco — e isso não é demérito, mas sim reflexo da capacidade de Tom Angelripper, Bernemann e Bobby Schottkowski em equilibrar agressividade e um thrash mais trabalhado dentro da mesma proposta.
“No Captures” captura bem essa dualidade (sem trocadilho proposital): começa no estilo rápido e sujo do thrash alemão, apresenta um solo quase virtuoso e, na sequência, engata um riff mais aberto na melhor escola Slayer, com Tom despejando seu vocal agressivo e inconfundível.
E falando nele, talvez seu melhor momento no álbum esteja em “Lay Down The Law”, mostrando que Angelripper conseguiu preservar sua agressividade vocal melhor que muitos de seus contemporâneos do thrash alemão.
Não é o masterpiece que alguns esperavam — mas é bom pra caracolas!

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