Como já falamos na resenha de Savage or Grace, a banda passava por um momento conturbado durante sua gravação, o que acabou levando ao encerramento das atividades pouco depois, em 2003. Mas o grupo holandês Sinister retornou — e com mudanças interessantes: o baterista original Aad largou as baquetas para assumir os vocais, enquanto o baixista Alex Paul também voltava, gravando tanto as 4 quanto as 6 cordas. Já o novato Paul Beltman iniciava seu curto período de dois anos socando o kit.
Esse retorno pariu Afterburner, o sétimo trabalho do Sinister, uma obra infinitamente superior ao seu antecessor e, até hoje, um dos melhores da banda. Começando pela arte da capa que, mesmo naquela confusão de Photoshop, ficou bem interessante — com o monstro maligno e todas as tetas espalhadas.
Musicalmente, o play é um atropelo. Na maior parte do tempo acelerado, mas com passagens mais cadenciadas muito bem encaixadas — vide a faixa-título, a melhor do álbum, cujo refrão mais lento é simplesmente um dos melhores que o death metal já concebeu.
“The Grey Massacre” abre a pedrada com maestria: rápida, com ótimas viradas de bateria, riffs pesados e um vocal ultra gutural excelente, ainda com espaço para o baixo aparecer. “Altruistic Suicide” mantém a pancadaria até desembocar num andamento médio perfeito para o mosh.
Quando você pega uma música como “Presage of the Mindless” e acompanha a letra, fica difícil não notar certa similaridade com Chris Barnes, especialmente pela abordagem vocal que remete ao trabalho dele no Six Feet Under ou no álbum "The Bleeding" do Cannibal Corpse. Em quase 8 minutos, com direito a solo de guitarra, a faixa despeja momentos arrastados em meio ao caos acelerado, trazendo riffs técnicos que não soam cansativos dentro da estrutura.
Há também alguns trechos narrados aqui e ali, mas nada que torne a audição monótona — pelo contrário, agregam valor à bolacha. Já “The Riot Crossfire” é a mais curta e uma das mais brutais do disco, com uma parte de guitarra menos agressiva e mais pesada em sua metade, remetendo de forma certeira aos americanos do Obituary.
Se você se deixou levar pelo desânimo com a banda após alguns álbuns irrelevantes que sucederam o início matador com Cross the Styx e Diabolical Summoning, e acabou deixando passar Afterburner, talvez seja a hora perfeita de corrigir isso — ainda mais agora que ele completa 20 anos.
Furioso e excelente!

Nenhum comentário:
Postar um comentário