O Expulser nasceu em 1987 na cidade de Lavras, no interior de Minas Gerais, distante cerca de 230 km da capital Belo Horizonte, e hoje com mais de 105 mil habitantes. Era a época do boom do maior movimento metálico brasileiro, quando a MGArea ganhava contornos de movimento clássico do underground — e no mesmo ano em que vieram à luz os icônicos Schizophrenia, do Sepultura, e I.N.R.I., do Sarcófago.
Lançaram pela Cogumelo Records, em 1992, o álbum The Unholy One que, para mim, é o melhor disco lançado por uma banda mineira fora das imediações da capital. Em 2006, em meio a uma turbulenta separação entre os integrantes, saiu o segundo trabalho, Haeresis, de forma praticamente independente — momento em que a banda encerrou atividades, para retornar muitos anos depois.
Haeresis não tem a mesma aura do debut e, na formação que o concebeu, apenas o guitarrista D. Strike da fase inicial permanecia, agora assumindo também parte dos vocais. O outro vocalista e guitarrista era Jose Bougleux, enquanto o baixo ficou a cargo de Maria Juanna e a bateria de Kiko Ciociola (hoje na banda de thrash Aneurose).
Os vocais vêm gritados em uníssono — tanto o gutural quanto o rasgado, quase no limite. A única lembrança mais direta da fase áurea aparece na bateria “bate-estaca”, com a inclusão incessante dos pedais duplos. As guitarras, que outrora flertavam com o thrash, agora se voltam mais ao death metal, com alguma melodia pouco convencional — há até uma viagem astral no início de “Dismembering God”, que chega a 7 minutos de duração (a música, não a viagem).
Outras duas faixas instrumentais também aparecem no disco, sendo que “Blessed Angels”, com seus 4 minutos à la Morbid Angel, merecia um bom vocal. Dá pra pinçar alguns bons momentos de solos, como em “The Pages”, faixa resgatada da demo de 2004, junto com “Nevermore” e “The Enchanter”, que abre a bolacha.
Um detalhe que não dá pra deixar passar é a faixa que encerra o álbum e dá nome a ele: “Haeresis”. Porque ela realmente é uma heresia para o death metal. Ouça e comprove!

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