domingo, 26 de abril de 2026

20 anos de Memorial do Moonspell!!!



A maior banda de Portugal — e sem esforço também uma das maiores da Europa — o Moonspell vinha, pouco a pouco, deixando à mostra novamente seus dentes afiados no caminho de volta ao metal extremo. Subindo as escadas do Olimpo ou descendo os degraus do inferno, a banda já havia ensaiado esse retorno ao incorporar peso em Darkness and Hope e agressividade em The Antidote. Ainda assim, ambos permaneciam mergulhados até o pescoço no gothic metal.

Mas então veio Memorial (2006), lançado pela Steamhammer. Um novo degrau na carreira — e que degrau: em chamas. A capa, simples e belíssima, com árvores mortas sobre um fundo vermelho-sangue e a logo em branco, já antecipa o clima do álbum. Para o fã que acompanhou a banda até Irreligious, aqui soa como um retorno triunfal do filho pródigo, e um carneiro foi imolado para comemoração, ao som brutal da banda, como ela sabe fazer.

Das quatro faixas instrumentais, a abertura com “In Memoriam” foge do lugar-comum das intros descartáveis. Ela prepara o terreno, acende o pavio e provoca aquele arrepio há muito esquecido desde 96. E quando “Finisterra” entra, o impacto é imediato: guitarras densas, atmosfera sufocante e os vocais de Fernando Ribeiro em estado bruto — cavernosos, poderosos, viscerais como poucos conseguem entregar.

Ao longo do álbum, percebe-se — e até se sente falta — daquele vocal grave e gótico mais constante de outrora. Aqui, Ribeiro alterna momentos de fúria com passagens mais narrativas, reservando seu timbre mais profundo para ocasiões específicas, como em “Luna”. Essa faixa, aliás, é o respiro do disco: mais amena, sem perder identidade, e enriquecida pela participação da alemã Birgit Zacher, em sua quarta e última colaboração com a banda. Um dos pontos altos, sem dúvida, mostrando como o Moonspell expande seu próprio universo sem soar artificial.

Os teclados, divididos entre Ricardo Amorim e Pedro Paixão, são uma presença constante — muitas vezes assumindo protagonismo à frente das guitarras. Não comprometem o resultado, mas em certos momentos fica a sensação de que riffs mais evidentes poderiam elevar ainda mais o peso do conjunto.

Na bateria, Miguel Gaspar atua com precisão e discrição, sustentando a base com eficiência, mas também surpreendendo com momentos mais extremos, como os blast beats em “Finisterra”.

Os solos são econômicos, quase raros, e talvez por isso se destaquem tanto quando aparecem — como na excelente faixa bônus “Atlantic”, que facilmente poderia ocupar lugar no corpo principal do álbum, substituindo canções menos impactantes como “Upon the Blood of Men” ou “At the Image of Pain”. E aqui vale o ajuste: “menos impactantes” dentro de um disco que opera em nível alto — ainda superiores a muito do que a fase mais experimental da banda produziu.

Entre os grandes momentos, ainda se destacam “Memento Mori”, “Sanguine”, “Once It Was Ours!” e “Best Forgotten”.

Memorial não é um álbum de classificação simples. Para quem busca um rótulo, algo como death/black com fortes nuances góticas talvez se aproxime do ideal. Mas, no fim das contas, rótulos pouco importam diante de um trabalho que reafirma identidade, resgata agressividade e reposiciona a banda com autoridade.

Curiosamente, não há lembrança de um lançamento oficial desse artefato no Brasil — o que, convenhamos, seria uma jogada mais do que bem-vinda. Selos, alguém se habilita?


 

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