Gostei bastante desta. Ela tem uma pegada mais descontraída e agressiva, que combina muito com o Asesino. Mantive suas brincadeiras, principalmente a referência ao filme no final, mas corrigi algumas repetições e deixei mais claro o contraste entre o som do Asesino e o trabalho de Dino no Fear Factory.
Conhecido mundialmente como guitarrista do Fear Factory, Dino Cazares ajudou a criar o Brujeria em 1989, utilizando o nome de Assassino, ou Asesino, em espanhol. Também criou o Divine Heresy e, logo que saiu do Brujeria, formou o Asesino, banda que carregava seu nome de mascarado e seguia a mesma proposta: death/grind cantado em espanhol. Cristo Satánico foi o segundo álbum, lançado em 2006, e representa mais um capítulo monstruoso de sua trajetória.
Ao seu lado estavam o vocalista e baixista Maldito X, ou Tony Campos, e o baterista El Sadístico, ou Emilio Marques, formando um trio avassalador. O que chama a atenção de imediato é a produção do álbum, com todos os instrumentos muito bem equalizados. A bateria é rápida, carregada de blast beats e viradas velozes, mas sem perder a precisão dos timbres.
Outro destaque são os vocais monstruosos de Maldito. Seja no gutural mais profundo ou no rasgado, ele despeja podridão com força e uma entonação perfeitamente encaixada no instrumental.
As letras, evidentemente, não podem ser levadas muito a sério. Há muito sarcasmo e um humor de quinta série que, dependendo do seu estado de espírito, pode ser simplesmente ignorado ou até divertido. Títulos inusitados como "Puta con Pito?" e "Y Tu Mamá También" deixam claro que seriedade não é algo que você deve esperar por aqui. Se para você o que importa é o som, Cristo Satánico é um prato de fel caprichado.
Cazares, como sempre, despeja riffs insanos por todos os lados. Mas há uma diferença importante em relação ao que ele faz no Fear Factory. Aqui não temos aquele groove, os riffs gordos e as notas extensas que marcaram sua outra banda. As palhetadas são mais rápidas e curtas, mantendo o instrumental em constante estado de agressividade. São raros os momentos em que o som diminui a intensidade, como acontece em "Padre Pedófilo" e "Sadístico".
Minha faixa preferida é justamente a que vem logo depois da introdução, "Regresando Odio", uma verdadeira cassetada carregada de agressividade, perfeita para aquele mosh com nome de filme antigo: "Pague para entrar, reze para sair". Aqui, a destruição não é uma possibilidade, mas parte do pacote.
Temos algumas participações especiais no trabalho, mas duas merecem destaque. O guitarrista Andreas Kisser do Sepultura, creditado como Sepulculo, e o o vocalista James Jasta do Hatebreed, como El Odio, que adiciona seus berros na citada Regresando Odio.
Uma pena é que este tenha sido o último trabalho do Asesino até agora. Passadas duas décadas, Cristo Satánico continua sendo um registro brutal, sarcástico e extremamente divertido de uma das faces mais podres — no melhor sentido possível — de Dino Cazares.

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