sábado, 29 de agosto de 2026

20 anos de Thornography do Cradle of Filth!!!


Se eu perdi o interesse no Cradle of Filth, após um período sedento por todo material lançado pela banda, foi com Thornography. Não que eu tenha ouvido muito do álbum quando foi lançado, pois naquela época nos baseávamos mais nas resenhas de revistas especializadas para, então, ir atrás do material — caro, diga-se de passagem, principalmente quando se tratava dos álbuns do Cradle, que quase sempre eram importados.

Mas é claro que a paixão por uma banda não acaba apenas por causa de resenhas. É um processo lento e contínuo, construído ao longo de alguns trabalhos que já não trazem o mesmo brilho aos olhos de antigamente. E, ao ouvir agora o sétimo álbum da banda, 20 anos depois, percebo que o (pré)conceito muitas vezes prejudica a nós mesmos. Deixamos de acompanhar um material de qualidade baseados apenas no achismo ou na resenha de outrem, ou seja, em uma opinião muito particular, mesmo quando sustentada por descrições minuciosas da música. Afinal, aquele que escreve também deixa quase sempre explícito aquilo que o álbum representava para ele naquele momento.

O trabalho tem como premissa os riffs de guitarra, o que já vale muitos pontos, já que Paul Allender e Charles Hedger desenvolveram melodias rápidas e condizentes com a proposta de melodic black metal da banda. Os teclados e as orquestrações, com a participação de vários convidados, complementam os elementos góticos e sinfônicos que também preenchem a carenagem da banda.

Adrian Erlandsson, do At The Gates e The Haunted, faz um trabalho de qualidade na bateria, tanto nos momentos acelerados quanto naqueles mais calmos, como em "Lovesick for Mina". A música, inclusive, apresenta algumas guitarras que remetem ao Iron Maiden — não àquele som cavalgado de "Run to the Hills", mas a uma melodia mais progressiva.

Um dos momentos mais interessantes do álbum está em "The Foetus of a New Day Kicking", uma tentativa descarada de soar mais popular e que, em minha opinião, deu muito certo. A banda sai da caixinha e navega por mares já visitados por outros gigantes, como Moonspell e Tiamat. É uma música mais curta e, claro, ganhou videoclipe para divulgação, com Dani se aventurando nos vocais limpos no refrão. Poderia ter soado ridículo, mas ficou muito interessante.

Vendidos? Bem, se esta foi a palavra que você pensou, talvez precise de mais uns 20 anos para se reposicionar.

Um pouco estranha foi a participação de Ville Valo, da banda gótica finlandesa HIM. Definitivamente, acho que seu vocal não combinou em nada com a música Byronic Man do Cradle.

Outra faixa que ganhou videoclipe foi "Tonight in Flames", e chama atenção a base quase heavy metal criada para a música, destoando um pouco do restante, mas sem reduzir a pontuação do trabalho.

David Pybus continua mandando bem no baixo, que aparece de forma mais clara em "Dirge Inferno", faixa que vem logo após a introdução. E minha faixa favorita talvez seja "Under Huntress Moon", com corais bem encaixados, riffs pesados à la Midian e uma grande interpretação de Dani Filth, que, como sempre, é a maior atração da banda, com seus variados vocais demoníacos.

É um álbum que realmente descobri 20 anos depois e que, hoje, teria prazer em ter na minha coleção.


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