Klagebilder, o nono álbum dos alemães do Crematory, é frequentemente queimado nas fornalhas dos fiscais do metal como um dos maiores traidores da sonoridade death/gótica que a banda construiu em seus primeiros anos. Mas a verdade é que todos os álbuns dessa fase, seja Revolution ou Believe, que já foram resenhados aqui no Metal e Loucuras, sofrem do mesmo estigma. Daí a gente coloca a bolacha para tocar, ouve com atenção para poder resenhar e percebe que, ou a galera que critica mal ouviu o trabalho, ou a banda simplesmente caiu no nosso gosto musical, independentemente da fase.
Não foi diferente com esta obra, gravada por Felix Stass nos vocais guturais, Matthias Hechler nos vocais limpos e guitarras, Katrin Jüllich nos teclados, Harald Heine no baixo e Marcus Jüllich na bateria. Era uma formação que trabalhava junta desde 1999, quando Matthias entrou para a banda, enquanto os demais já estavam presentes desde o início dos anos 90.
A introdução é instrumental e não compromete em nada, mas a faixa seguinte talvez tenha sido uma escolha ruim para apresentar a cara do álbum. "Die Abrechnung" soa bem até chegar ao refrão, quando o vocal limpo não cai tão bem, soando fora de sintonia e um tanto forçado na tentativa de levar a música para um lado mais comercial.
Que bom que o restante não sofre da mesma doença. Isso não significa que a banda não tenha tentado soar mais acessível neste trabalho, com seu lado gótico bastante evidente, mas pelo menos as coisas soam mais naturais a partir de "Hoffnungen".
Aliás, temos algumas músicas muito interessantes, como a ótima "Ein Leben Lang", com um riff forte que lembra algo mais próximo do thrash metal dos conterrâneos do Kreator — que, vale lembrar, também flertou com o gótico em determinado período. "Warum" é outra faixa que agrada profundamente meus ouvidos, graças a um riff pesado, carregado de groove e capaz de fazer a cabeça balançar sem precisar recorrer à velocidade.
Um momento mais introspectivo aparece em "Der Nächste", com vocais mais sussurrados e uma atmosfera perfeita para quem gosta de viagens mais contemplativas.
Os teclados de Katrin sempre foram importantes na música do Crematory, independentemente da fase, e aqui não seria diferente. A diferença é que sinto as guitarras mais evidentes, fazendo com que os teclados funcionem muito mais como apoio e preenchimento do que como protagonistas. E isso funciona muito bem para a proposta do álbum.
Se você não conhece Klagebilder, não o coloque para tocar esperando momentos para sair batendo cabeça pela sala. Ouça-o para relaxar, acompanhado de uma música que, mesmo sem ter essa missão declarada, consegue te arrancar por alguns minutos daquela rotina entediante do dia a dia.

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