quarta-feira, 14 de outubro de 2026

20 anos de Homo Morbus Est do Paradise In Flames!!!

Não me lembro de ter ido à caça de minhas revistas velhas antes de escrever uma resenha de 20 anos, mas desta vez aconteceu. Isso porque eu me lembrava de ter lido uma resenha de lançamento de Homo Morbus Est, da banda mineira Paradise In Flames, e de ter procurado por esse álbum na época, justamente por causa da resenha. Bom, fiz isso muitas vezes enquanto ainda colecionava revistas, mas o que me marcou foi não ter conseguido o álbum, vindo a ouvi-lo por inteiro apenas muitos anos depois, com a proliferação de postagens no YouTube.

Mas cá estou eu, com a edição 94, de novembro de 2006, da revista Roadie Crew em mãos, com uma resenha que atribuiu nota 9 ao álbum, assinada por Alexandre Oliveira. E, para minha surpresa, algo que nem imaginava mais, a mesma edição trazia uma entrevista com a banda, que acabava de fazer uma turnê de mais de 30 shows em nove estados brasileiros, antes mesmo do lançamento do debut. Valeu a pena revirar as gavetas!

A banda, que nasceu em Santa Luzia, região metropolitana de Belo Horizonte, e depois se mudou para a capital, veio com seu black metal sinfônico carregado de melodias e teclados, além de muita maldade sonora. Com uma capa bem legal, que mostra uma menina caminhando em meio a um mundo em chamas (alguém lembrou de Carrie aí?), tons avermelhados e um logo totalmente decifrável — algo impensável para uma banda de black metal no início da jornada —, Ricardo Andrade, na guitarra e no baixo, Thiago Andrade, na bateria, e o idealizador da banda, André Damien, nos vocais, guitarra e teclados, criaram um baita trabalho.

Os vocais ficam no meio-termo entre aquele rasgado mais agudo e o gutural, e as guitarras geralmente comandam o som, apesar de os teclados estarem sempre presentes, fazendo fundo para músicas extremas que não tentam trazer melodias bonitas ou tristes, mas, ainda assim, apresentam muitas melodias em meio a riffs às vezes quase death, como os de “Empty Feelings”.

Vale destacar também a faixa “Mortal Ossetia”, com um belo título e um início muito bem feito. Mas não se prenda aos destaques. Se não conhece esse trabalho e curte black metal com melodia, sem tentar soar bonito, pode conferir sem medo. 

 

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