sábado, 31 de outubro de 2026

20 anos de A Line of Deathless Kings do My Dying Bride!!!

O que esperar do lançamento de uma banda que, dois anos antes, havia lançado um dos melhores trabalhos de sua carreira, o perfeito Songs of Darkness, Words of Light? É até natural você se decepcionar um pouco quando a expectativa é muito grande, e foi o que aconteceu no meu caso quando o 9º trabalho dos ingleses do My Dying Bride aportou por aqui, no Brasil, via Black Metal Attack Records, em 2006, sob licença da Peaceville. O que mais me incomodou na época foi a redução da maldade e da sujeira que o death doom trouxera, dando lugar a uma jornada mais melódica. Tudo bem que álbuns mais melódicos já haviam sido lançados antes, como The Angel and the Dark River, que é sensacional, por sinal, mas o maior problema aqui era que o vocalista Aaron Stainthorpe estava cantando. E antes que você me chame de louco, afinal, os vocalistas cantam, mas não Aaron. Ou ele rosnava, ou rugia como um trovão nos primórdios, ou chorava e falava. Mas cantar? Caracas, man, não esperava por isso.

Claro que se passaram 20 anos e minha percepção deste álbum mudou completamente. E, como vinho, A Line of Deathless Kings envelheceu soberbamente. Temos um álbum mais limpo, em que as guitarras são sentidas com perfeição. Na primeira faixa, "To Remain Tombless", temos algo pouco típico no som da banda: as guitarras não se apresentam choradas, com aquelas melodias arrastadas. Ao contrário, soam como rápidos arpejos, como os últimos e carregados suspiros de um anjo. Mas em "L'amour Détruit" o trem retorna aos trilhos com a famigerada e esperada melodia carregada de mortandade, fazendo desta um dos melhores momentos do opus. "Thy Raven Wings" é uma das faixas para se perceber o quão bem Aaron está cantando, numa interpretação de arrasar corações enegrecidos. Você quase não ouve rosnados neste play. Eles aparecem em momentos bem escassos, como em "Love's Intolerable Pain".

Algo que sempre faz falta no som do My Dying são os violinos, afinal, a banda era conhecida em seus primórdios pelo uso do clássico instrumento, que introduzia uma dose de sofrimento ao som aterrorizante de metal da morte arrastado. Aqui temos os teclados de Sarah Stanton dando um clima de profundidade e mistério, sem muitos holofotes, porém os violinos fazem falta. A arte da capa traz sete figuras que podem representar os deuses imortais que o título sugere. Algumas vezes, ela foi interpretada como uma associação à ficção científica, algo totalmente fora do contexto pretendido tanto pela banda quanto pelo artista Matthew Vickerstaff, que era um conceito voltado aos faraós do antigo Egito.

E, para finalizar, a banda soube deixar para o final aquela que é uma das melhores músicas que o My Dying Bride já compôs: a ótima "The Blood, The Wine, The Roses", com seus riffs cavalgados e uma bela interpretação de Aaron, com a peculiaridade de apresentar, nos últimos segundos, uma passagem de death metal explícito. Só ouvindo para sentir toda a essência. 

 

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