Pela terceira vez, o baterista Edu Lane se cercou de músicos para gravar Quarrel in Hell. Agora ao lado de Wellington Simões (hoje no Genocídio) e Vinícius de Souza (hoje no Neophitus) nas guitarras, o baixista Thiago Anduscias (hoje no Amazarak) e Daniel Blasphemoon (hoje no Shaytan) como frontman, a banda mostrou uma evolução nesta terceira jornada e gravou um de seus álbuns mais conceituados. Na balança, o prato Thrash ficou mais leve, enquanto o prato Death quase encostou na base da mesa, mostrando que os novos músicos trouxeram uma veia ainda mais extrema ao já poderoso som do Nervochaos, enquanto seu nome já ecoava pelos empoeirados porões do underground.
Os vocais são guturais em sua maioria, mas temos também aquele rasgado para trazer um contraponto. Edu faz os backing vocals aqui. Algumas letras, no melhor estilo Cannibal Corpse, como em Putrid Pleasure, que começa com o som de uma pá cavando (lembraram de The Worst, do Sarcófago, de 1996?), trazem o tema da necrofilia, enquanto Evocations também tem uma sonoplastia medonha e digna do black metal.
A bateria é incessante, como em Nailed to the Bed of Worms, uma das mais death metal do trabalho, com guturais dominantes, incluindo berros em coro no refrão, um grande momento do petardo.
A inovação deste trabalho é que a banda criou as músicas pensando em convidados especiais para participar das faixas. Daí vieram várias participações especiais de peso no trabalho. Alex Camargo, do Krisiun, em “Horde of Demons”; John McEntee, do Incantation, em “Cursed Soul”; Emperor Magus Caligula, do Dark Funeral, em “Televangelism”; Sanguine e Wrath, do Averse Sefira, em “Evocations”; e Barney Greenway, do Napalm Death, em “Nailed to the Bed of Worms”.
Outra curiosidade é que o álbum foi gravado duas vezes, pois houve mudança na formação antes de seu lançamento. E uma coisa que vira e mexe acontecia naqueles anos também aparece aqui em Quarrel in Hell: uma faixa escondida, um tempo depois da última música, e, após alguns sons demoníacos, temos uma versão da clássica “Iron Fist”, do Motörhead. Em versão death metal, claro.
Já faz 20 anos, mas é sempre bom ouvir de novo!

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