Metal e Loucuras

Metal e Loucuras

sábado, 26 de outubro de 2013

RETRIBUTION ENGINE

O metal brasileiro é reconhecido principalmente pelo som extremo e brutal, herança de bandas como Sepultura e Sarcófago de meados dos anos 80. Mas também apresenta várias outras vertentes de qualidade espalhadas por seus mais de oito milhões e meio de quilômetros quadrados, inclusive aqueles que fogem à regra do "death metal" incorporando novos elementos, tentando assim alcançar um lugar ao sol. Retribution Engine de Belo Horizonte é uma banda em início de carreira, mas que tem seu estilo definido: o "extreme industrial metal". Sobre isso e o lançamento de seu primeiro single, conversamos com Felipe Zymor (vocal e guitarra) e Willye Rodrigues (vocal e baixo) em entrevista exclusiva. Só no Metal e Loucuras.

Primeiramente agradeço sua participação no Metal e Loucuras. O Retribution Engine lançou seu primeiro single no dia 07 de outubro. O que traz este single?

 Felipe - Nós que agradecemos por esta entrevista! O single lançado dia 07 de Outubro, chamado Uroboros, traz uma música que define bem o nosso estilo, demonstrando um metal industrial mais extremo, rápido e técnico.
Willye – Obrigado pelo espaço aberto a uma banda independente, fico muito feliz de conceder essa entrevista, visto que, acompanho o Metal e Loucuras desde o início. O nosso single Uroboros sintetiza bem a ideia principal da banda, um som rápido técnico e extremo, com influencias diversas dentro da cena de metal extremo e industrial.

 A banda é nova, me lembro que nos encontramos no centro de BH não faz muito tempo, vocês estavam recrutando membros para tocar, mas já tinham o estilo definido dentro do que queriam. O som saiu como planejado ou mudou de acordo com o estilo de cada integrante?


 Felipe - Sim, nosso som sofreu mudanças. Nós (Willye e eu) já tínhamos o estilo que queríamos fazer, Industrial Metal, mas sempre fomos atraídos pela música extrema. Com a formação da banda, o som evoluiu até chegar ao resultado de hoje, mais pesado e técnico.
 Willye – E como sofreu mudanças desde a ultima vez que nos vimos, porque como o Felipe disse, a idéia inicial era fazer Metal Industrial , mas como sempre fomos fãs de Metal Extremo as coisas foram fluindo organicamente para esse lado e hoje temos influências das mais variadas vertentes do metal extremo como Death, Black, Math e Djent Metal. Acredito que o resultado é uma evolução que teve como ponto de partida o que cada um da banda escuta, por que cada um tem as suas preferências e isso acaba por enriquecer o som.

    Vocês se rotulam "extreme industrial metal", vejo que rola até uma influência do Sounds of a New Machine do Fear Factory, pelo vocal gutural. A tendência deve ser seguir cada vez mais o caminho industrial e diminuir o lado death metal?

 Felipe  - Somos grandes fãs do Fear Factory, é realmente uma influência impactante em nosso som. Nosso trabalho está se desenvolvendo homogeneamente na parte orgânica e na parte de efeitos, tendo como objetivo aprimorar sempre para a parte extrema do metal, sem perder na beleza das composições, e aprimorar a produção de efeitos para nossas músicas. De forma mais objetiva, pode-se dizer que estamos trabalhando para que o som fique cada vez mais pesado e brutal, misturado com a beleza e versatilidade dos efeitos eletrônicos. Viemos para brutalizar a música industrial!
 Willye – Somos muito fãs do Fear Factory, inclusive até tenho a capa do Demanufacture tatuada nas costas. Eles foram uma das primeiras, se não forem os percursores dessa mistura de metal extremo com industrial, complementada com a alternância de vocal entre os limpos e melódicos para os guturais extremamente graves e o uso de efeitos e sintetizadores. Acho que nós nunca vamos deixar de dosar os dois lados, o industrial e o extremo, porque são duas coisas que já estão no DNA da banda, a motivação para essa vertente musical já foi bem absorvida por cada integrante, pois todos escutam tanto o metal extremo como o  industrial e  quando estamos compondo uma nova música ou apenas mostrando um novo riff pensamos já nos possíveis efeitos ou teclados a serem aplicados, o que nos dá uma versatilidade maior nas composições, elevando o nível do metal industrial a outros patamares cada vez mais extremos.

       A divulgação está pesada, com promoção no site, camiseta... Como está esta divulgação e os shows?

 Felipe - Estamos investindo pesado na banda, divulgando bastante, em prol de uma boa visualização e reconhecimento do público. Temos shows marcados para este fim de ano, começando pelo próximo dia 27, onde tocaremos na Casa Cultural Matriz. Estamos divulgando muito, ensaiando  e trabalhando firmemente,  para fazermos um bom show. Realizamos uma promoção de lançamento para o single Uroboros, onde sortearemos dois kits com Camisa + Adesivo + Bottom, o resultado do sorteio se dará dia 26, véspera do show. 
Willye – Sim, estamos divulgando bastante a banda e como hoje em dia nós temos a internet como aliada, alcançamos a vantagem de manter contato mais próximo com outras bandas, por exemplo, aumentamos o nosso network com algumas bandas de São Paulo, como o Tallene que é uma banda de Southern Metal, o que contribui para promover cada vez mais nosso som. Além dessa rede de interações musicais, decidimos investir em promoções para atrair um público maior do mundo do metal e estamos com camisas, bottons, e adesivos da banda que estão a venda e podem ser pedidos na page do Retribution no facebook . Isso é apenas o pontapé inicial, vamos fazer cada vez mais material para divulgação, pensamos na banda como qualquer outra empresa e sabemos que para nosso trabalho ser conhecido é necessário uma divulgação pesada e investimento de todos os envolvidos e esperamos que a galera goste e que fiquem ligados no nosso sorteio no dia 26/10, véspera do nosso show na Casa Cultural Matriz.    

 Vocês acreditam que o metal industrial tem espaço e pode crescer no Brasil?

Felipe - A música industrial está em constante crescimento. É cada vez mais comum a utilização de efeitos eletrônicos no Metal, e com a propagação do Djent, novo estilo de Metal tendo como exemplo bandas como Animals As Leaders, Intervals e Volumes, essa mescla Metal/Eletrônica tem se tornado ainda mais comum. Existem ótimas bandas adeptas ao metal industrial e/ou possuem grandes influências aqui no Brasil, e é um tipo de som que tem muito a ganhar, por ser muito versátil e evolutivo. Vale lembrar bandas como Elétrika e Optical Faze, banda do Distrito Federal que representam muito bem a cena Industrial, desempenhando um ótimo trabalho.
 Willye – Como o Felipe disse o metal industrial está em constante crescimento e mudança e muitas bandas que não são industriais usam de recursos eletrônicos, bandas de Death Metal Melódico e algumas de Metal Core usam também. No Brasil eu conheço poucas bandas de industrial, o Elétrika daqui de BH liderado pelo Cláudio David do Overdose, o Chipset Zero que é de São Paulo e os nossos amigos do Optical Faze do Distrito Federal que já estão com uma certa projeção nacional e com o último disco deles o The Pendulum Burns bem divulgado e com algumas resenhas positivas em veículos do meio como o Whiplash.net. Com eles tendo essa projeção é natural que outras bandas do gênero acabem aparecendo e isso é bom para essa vertente do metal que é pouco difundida no Brasil, mas bem reconhecida em países vizinhos e na Europa.

Qual o próximo passo do Retribution?

 Felipe - Aprimorar cada vez mais nosso trabalho, continuar empenhado para a criação de nosso EP e espalhar nosso som por aí. Os motores da Retribution Engine não páram!
 Willye – Bom, continuar com a divulgação da banda, terminar a gravação de nosso EP que será lançado no ano que vem,  divulgá-lo e tentar contatos de distribuição dele fora do país, vamos mandar algumas copias para São Paulo e Europa e se possível tocar muito no próximo ano, não só em Minas Gerais mas como em todo o Brasil e quem sabe fora dele, tudo vai depender do lançamento do EP pra galgarmos mais conquistas pra banda. Let´s Industrialize The World

sábado, 19 de outubro de 2013

Brasil.

Em 1989 a paulista Ratos de Porão, composta pelo polêmico João Gordo (vocal), Spaghetti (bateria), Jabá (baixo) e Jão (guitarra) se enveredaram por um lado menos punk e mais metal no álbum intitulado Brasil, apesar das músicas ainda serem curtas, já que o disco tem 18 faixas espalhadas por 30 minutos. A capa é muito bem bolada, ilustrando vários problemas sociais brasileiros ao redor de um campo de futebol, a paixão nacional que faz o povo esquecer as mazelas. As letras como sempre críticas com teor irônico vinham dispostas em um encarte em forma de jornal, onde cada letra é uma notícia. Mais um ponto para a criatividade do Ratos.
O disco todo é muito bom, mas podemos destacar algumas faixas, como "Amazônia Nunca Mais", "Aids, Pop, Repressão", "Lei do Silêncio", o hino "Beber Até Morrer", "Farça Nacionalista" e "Vida Animal". Criticada pelos punks à época, pelo som mais trabalhado, e acolhida de braços abertos pela comunidade metálica, podemos afirmar que apesar de ter um vocalista falastrão, porém com enorme carisma, o Ratos de Porão foi responsável por quebrar as barreiras que existiam entre metalheads e punks no país. Graças ao Brasil.  

sábado, 12 de outubro de 2013

Mais de 5.000 visualizações.

 O Metal e Loucuras neste mês de outubro comemora com muito prazer a marca de mais de 5.000 visualizações de página. Obrigado a todos que acompanham nossas publicações e nos motivam cada vez mais a continuar divulgando o heavy metal e todas as loucuras que a vida proporciona. 

Blood On The Rocks

 Escrever sobre um álbum musical que gostamos é muito bom. Ouvindo este álbum fica excelente. E o prazer de falar de algo que gostamos como se fosse feito por nós mesmo é indescritível. Blood On The Rocks é o terceiro e melhor trabalho do Witchhammer de Belo Horizonte, lançado em 1992. A capa simples com a foto da banda não revela a qualidade materializada em música que cada faixa neste play contém. Me lembro que em nossos ensaios em 1994 eu sempre levava alguns LPs para ouvirmos e Blood On The Rocks sempre estava lá. Aqueles que conheciam apenas os dois primeiros discos da banda assustavam com a pegada deste álbum. Mais um dos vários que conheci através do Headbanger Attack da Extra FM, não tem uma passagem sequer aqui que não empolgue o ouvinte. Quantas vezes batemos cabeça tocando "air guitar" ouvindo esta pérola do metal.  
O início com a faixa título já mostrava que tudo seria fenomenal, O timbre das guitarras, a levada do baixo e o som de bateria estava perfeito. O vocal de Casito, mais rasgado e potente casou perfeitamente com o instrumental. "God's Growing Older" vem mais cadenciada e é uma das melhores já compostas. Fica difícil dizer isso dentro de um álbum tão bom. Os backing vocals foram essenciais  no refrão desta música. Depois vem "The Leather Boy" com uma base bem criativa, aliás as bases deste disco fazem as músicas serem gostosas de ouvir. "The Orchestra Of Irony" emenda na sequência com uma primeira parte bem thrash e uma bela pancadaria na sequência com solo curto e estonteante. "Call: X" é aquela música diferente que a banda sempre coloca em seus álbuns, com pouco mais de dois minutos e o vocal que não sei porque sempre me lembra  Red Hot Chili Peppers. Iniciando o lado B a pancadaria volta a comer solta com "Looking For War" onde os backing vocals continuam fazendo um papel importante. "Bitter Night (Far From Home)" e "Switched On Telly" seguem com a qualidade em alta e em seguida aquela que naquela época era minha preferida, a longa e arrastada "Path To The Cemetery" (alguém lembrou de Ramones aí?). Essa música é simplesmente espetacular, é daquelas que quando chega a vez você aumenta o volume para o máximo. Tem uma base com paradinhas lá pelos três minutos que não dá pra ficar sem banguear. (Obrigado Witchhammer rsrsrs). E o final não poderia ser melhor sem "Terrorist Prize" mandando mísseis no governo. O único problema deste disco reside no fato dele ainda não ter sido lançado em CD após 21 anos de lançamento em vinil. Tem coisas no mundo da música que não dá pra entender.