quinta-feira, 27 de abril de 2023

20 anos de Watching In Silence do Circle II Circle!!!


Prefiro os álbuns do Savatage com Zak Stevens nos vocais, então é natural que eu tivesse a curiosidade de conhecer o Circle II Circle, banda que o excelente vocalista formou após deixar o Savatage. Talvez pela voz de Zak, muito do que se ouve em "Watching In Silence", trabalho de estreia dos americanos, lembre a banda anterior, mas a estrutura das músicas, que teve participação de Jon Oliva (sim, o rompimento não foi traumático) e do guitarrista Chris Caffery, remete a muito do que foi escrito entre "Edge of Thorns" e "The Wake of Magelan". Ouça o refrão de "Into The Wind" e não deixe de lembrar da atmosfera de "Handful of Rain" ou até mesmo a ótima faixa título, a que mais traz lembranças do passado. É bom que este review veio num momento especial, em que Oliva anunciou que está preparando um último trabalho do Savatage, a ser lançado em abril de 2024, o qual ele promete que será o melhor álbum da banda. A gente até aceita que ele não seja, o que queríamos mesmo era um novo álbum dos caras. Porém mesmo com toda atmosfera peculiar, ainda acho que o Circle II Circle é menos épico, apresenta alguns riffs mais diretos ocasionalmente, como em "Sea of White". Quase não temos solos de guitarra, algo que até não se sente muita falta em faixas cheias de vários elementos diferentes e bastante teclado preenchendo as lacunas. Acompanhou Zak nesta primeira jornada o guitarrista Matt LaPorte (falecido em 2011 aos 40 anos vítima de um ataque cardíaco), o baixista Kevin Rothney, o baterista Chris Kinder e o tecladista John Zahner. E sabe o que é mais curioso? No ano seguinte toda a banda deixou Zak Stevens sozinho e se juntou ao Jon Oliva para gravar o debut de Jon Oliva's Pain. Destaques ainda para "Out of Reach", a belíssima "Forgiven" e a épica "F.O.S." Envelhecendo muito bem!

 

sábado, 22 de abril de 2023

20 anos de Viva Emptiness do Katatonia!!!

 


Confesso que nenhuma empolgação me atinge quando tenho pela frente qualquer álbum do Katatonia pós "Brave Murder Day" para resenhar. Mas como se vão mais 20 anos de um álbum dos suecos, que são uma banda ainda relevante no cenário, para muitos fãs, mas não todos, vamos ao trabalho. Começando pelo que este "Viva Emptiness" tem de bom: primeiro é a arte da capa, que traz uma criança caminhando sozinha em um mundo aparentemente desolado, em tons de cinza (não são 50 tons, oh glória!). Stephen King, que sempre coloca alguma criança no centro de suas obras caóticas amaria esta capa, ainda mais com aquele abutre (ou seria um corvo?) à espreita no poste. Segundo ponto positivo é a produção, a cargo dos próprios músicos Anders Nyström e Jonas Renkse, que deixou tudo bem claro, mesmo que as guitarras soem mais sujas que nos 2 trabalhos anteriores. Estes músicos, inclusive, fazem parte também do Bloodbath (com Holmes do Paradise Lost nos vocais) e despejam um som verdadeiramente metal na outra banda. Bom, os pontos positivos acabam por aí, porque ouvir este álbum é um tormento. Aqui e ali até aparece uma guitarra mais pesada (por uns 5 ou 10 segundos) e tudo volta à normalidade incolor da banda. Se a banda queria soar melancólica, ela falhou terrivelmente, e o trabalho, pelo menos em mim, não conseguiu arrancar nenhum sentimento. Tudo muito parecido, soando como "post rock" ou seja lá como chamam isso. E cada vez que a banda anuncia um novo lançamento vejo as pessoas se mobilizando e com expectativas, então, ainda há muitos apreciadores desta música chata. Ouvindo o álbum, somente em dois momentos minha atenção foi chamada, no início dos vocais de Renkse em "Sleeper" e numa melodia de guitarras quase no final de "Complicity". Quase nada em mais de 52 minutos de música.

quarta-feira, 19 de abril de 2023

20 anos de Goremaggedon: The Saw And The Carnage Done do Aborted!!!

 


Selvageria gore! É o que podemos encontrar no terceiro álbum do Aborted, banda da Bélgica que chegava a 2003 vomitando temas sujos sobre os prazeres das cirurgias sangrentas e assassinos mutiladores. Mas apesar da velocidade alucinante, os riffs goregrind inquietos e antipáticos, podemos ouvir alguns solos com (pasmem) melodia. Como se o futuro mais melódico que a banda assumiria em alguns anos se incorporasse nas 6 cordas de Bart Vergaet e Thijs de Cloedt. Os vocais de Sven estão terrivelmente lindos, despejando guturais raivosos e gritos rasgados sensacionais. Em raros momentos a banda desacelera, como na ótima "Ornaments of Derision", quando tudo passa a se arrastar para que os holofotes caiam sobre um solo perfeito de guitarra. Nesta música também podemos ver como a técnica do baterista contratado Dirk Verbeuren (Megadeth) é avassaladora, seja com as mãos ou os pés, o cara é uma máquina insana. Completa o time o baixista Frederic Vanmassenhove, que pouco se ouve em meio ao caos despejado em "Goremageddon". A arte da capa poderia deixar seus filhos com medo de ir ao médico, portanto, mantenha este CD meio escondido na prateleira. Pra quem gosta de comparações, quando Sven canta rasgado, como na faixa "Charted Carnal Effigy", você certamente se lembrará do Carcass, que obviamente é uma grande influência para o Aborted. Álbum horrível, e por isso mesmo, lindo!!!

sexta-feira, 14 de abril de 2023

20 anos de Damnation do Opeth!!!


Com a criatividade em alta e lançando 1 álbum a cada ano naquele período, a banda sueca Opeth lançou em 2003 um de seus álbuns mais controversos. Tudo bem que eles não foram os primeiros a sair de um som ultra pesado com vocais cavernosos para algo suave e pinkfloydiano, então os fãs já poderiam esperar por isso, visto que seu trabalho anterior é repleto de nuances acústicas e vocais chorados. Porém em "Damnation" eles elevarem isso à décima potência. É ruim? Eu diria que não, mas não é um som para se ouvir muitas vezes, pois pode se tornar cansativo. É bem melancólico mas não chega a ser triste o suficiente e nestes casos eu prefiro a simplicidade instrumental, aquela que realmente te joga numa vala vazia enquanto anseia por uma pá de terra, mas o Opeth não te traz esta sensação, pois o som é bastante progressivo, mas... concordo que "Damnation" não seja tão progressivo quanto o trabalho anterior, eles tentaram soar mais simplistas, mas definitivamente não têm esta característica. Ouvindo o álbum por inteiro eu ainda não consigo identificar grandes destaques, pois ao longo do tempo as melodias acabam ficando muito parecidas, talvez "Windowpane" por ser a faixa de abertura chame mais atenção, enquanto "Death Whispered a Lullaby" seja a que menos gostei, justamente por ser mais progressiva. Fãs da fase clean do Katatonia provavelmente têm "Damnation" em alta conta. 

 

quinta-feira, 13 de abril de 2023

Esoteric - Metamorphogenesis!

 



A banda Esoteric foi concebida em 1992 no Reino Unido, bem no meio daqueles caras que elevaram o death/doom a um status de reconhecimento até então inédito, e bandas como My Dying Bride e Anathema ainda nem haviam lançado seus debuts, portanto engana-se quem ache que o Esoteric foi na onda de seus conterrâneos, pois eles estavam lá durante o big bang. Porém seu som característico é muito mais mortal que as demais bandas, pois saiu das catacumbas do nicho funeral doom. Metamorphogenesis é o terceiro full destes caras, depois de lançar 2 álbuns duplos, com média de 6 músicas cada, agora eles vieram com apenas 3 músicas, porém com seus 44 minutos de duração, como pede a cartilha do estilo, músicas longas, riffs arrastados, mas o melhor de tudo, sem soar cansativo. Caramba, difícil imaginar como eles conseguiram esta façanha. A abertura com "Dissident" por exemplo, traz um som extremamente sujo, analógico, doentio, com influência de metal industrial, como se em seu início toneladas de máquinas conscientes se arrastassem pelas ruas do mundo calando vozes e sufocando o ar. Mas no decorrer da faixa a alternância de andamentos, do arrastado ao "quase" rápido, é realizada com tanta competência, que você mal sente. As outras faixas, "The Secret of the Secret" e "Psychotropic Transgression", carregam um pouco mais de melodia, mas não se enganem. Não temos melodias bonitas nem a intenção de te fazer chorar com dedilhados ou teclados carregados de tristeza, mas sim um sentimento de desolação, de inquietude, de terror insolucionável. Os vocais são rosnados entrelaçados aos riffs mórbidos, mas ouvimos gritos constantes por todas as partes, e guitarras soladas que parecem pretender a eternidade. Não é um trabalho para apreciação de todos, mas para mentes que já sabem lhe dar com seus demônios e conviver com suas loucuras e no caos do silêncio sempre prestes a explodir internamente. Este trabalho está sendo lançado com exclusividade no Brasil e merece sua atenção, não apenas pelo som único apresentado, mas pelo capricho do material físico. Merece o carimbo de "FUDIDO" do Metal e Loucuras!

quarta-feira, 12 de abril de 2023

20 anos de Figure Number Five do Soilwork!!!


Para aproveitar o bom momento iniciado em "Natural Born Chaos", que pela primeira vez teve suporte da poderosa Nuclear Blast, o Soilwork cravou depois de 1 ano o álbum "Figure Number Five", que completa 20 anos neste mês e como propõe o título, é o 5º trabalho dos suecos. A arte da capa desta vez tem o preto como base, ao contrário do branco interior, e mais uma vez se saiu bem, apesar de não conseguir entender muito o que significa, mas imagino que tenha algo a ver com tempo e direção (relógios e bússolas), mas vai saber! O início com "Rejection Role" mostra uma música com muita melodia, algumas partes com efeitos ruins nos vocais e um refrão, que se não foi feito para cantar junto, foi para ser lembrado. "Overload" já começa com Strid berrando de forma bem melhor, mesmo que os vocais limpos se façam presentes no refrão. Percebemos que os teclados soam industriais, e esta é uma marca deste trabalho, para o bem ou para o mal. A faixa título mostra uma variação vocal extrema maior, com quase guturais se saindo muito bem e rasgados sofríveis, mas a música tem um riff legal. Talvez o maior problema deste álbum é o pouco peso. As guitarras não entregam aquilo que um 'headbanger' espera, e escorregam para um lado mais pop do rock pesado, mesmo que ainda assim não tenham aquele apelo comercial para figurarem em FMs. A faixa "Light the Torch", mesmo não sendo muito brilhante, ganhou um vídeo clipe, que juro que tentei entender com todas aquelas criaturas estranhas e cabeças de balde, mas a letra não se associa muito. Para quem quer algo ainda mais melódico, "Departure Plan" é uma boa pedida. Algo que senti falta neste trabalho também foram os solos memoráveis que a banda geralmente mandava em trabalhos anteriores, e não tiveram sua devida atenção. Resumindo, FNF não é o melhor trabalho do Soilwork, mas tem alguns bons momentos.