Metal e Loucuras

Metal e Loucuras

domingo, 31 de agosto de 2014

Os Dez Melhores Álbuns do Metal Nacional.


Listas são sempre polêmicas. Sejam elas baseadas em pesquisas ou no gosto pessoal de alguém, pois quando se fala de predileções, cada pessoa tem um gosto diferente, seja ele político, no cinema, ou musical, como é o nosso caso. Estamos chegando perto de completar nossa sequência dos melhores álbuns do metal nacional já lançados mas uma coisa sempre ficou martelando em nossa mente. Quais seriam os melhores dentre os melhores? Uma lista definitiva daqueles álbuns que não têm uma música sequer que não gostemos. Aquele tipo de álbum que já ouvimos duas ou três vezes seguidas sem tirar o disco do aparelho e mesmo assim não ficamos de saco cheio de ouvir a mesma coisa várias vezes. Aqueles que passaram pelo teste do tempo e não foram apenas um alvoroço momentâneo. 
Como este que vos escreve é nascido e criado em Minas com certeza a presença de bandas mineiras foi marcante nesta escolha: 7. E álbuns lançados através da gravadora Cogumelo também, porque a facilidade de encontrar material deste selo morando ao seu lado foi muito maior ao longo dos anos. Outro fator que influenciou esta decisão foi o ano em que comecei a ouvir heavy metal: 1992, o que fez com que a maioria dos álbuns aqui presentes tenham sido lançados no início dos anos 90.
A sequência do décimo ao primeiro lugar não é tão importante e não indica que um é melhor que o outro, o que pode sempre variar com o tempo, mas apenas para seguir uma ordem.
Todos estes álbuns já foram resenhados neste blog, portanto deixaremos apenas algumas linhas a cerca de cada um. Quem quiser saber mais sobre cada um deles pode esmiuçar nossas páginas, e boa viagem.
10º - Blood On The Rocks
10º - Blood on the Rocks - Witch Hammer.
Mirror My Mirror poderia estar listado aqui tranquilamente, pois tem as duas melhores músicas já gravadas por esta banda capitaneada por Casito e Paulinho: Mirror My Mirror e A Party For The Sunrise. Mas Blood on the Rocks é mais pesado, consistente e homogênio e cada faixa nos faz banguear loucamente. O thrash aqui é vigoroso e faixas como Blood on the Rocks, God's Growing Older, Looking For War, Terrorist Prize e a pesadíssima e minha favorita Path To The Cemetary são de tirar o chapéu. Se existia algum bom humor nos álbuns anteriores aqui se converteram em fúria e precisão.



9º - I.N.R.I.

9º I.N.R.I. - Sarcófago
O fato do Sarcófago aparecer duas vezes nesta lista não é surpresa para quem me conhece. Afinal sou fanático por esta horda brasileira e nenhuma outra banda nacional conseguiu ou conseguirá superar este gosto. Este álbum é a maior prova de destruição sonora da história, tendo em Nightmare seu ápice com um dos riffs mais assustadores já criados em todos os tempos. O visual carregado e músicas como Satanic Lust, Christ's Death a citada Nightmare e The Last Slaughter sempre serão lembradas quando o assunto for o extremo do extremo.



8º Jachol Ve Tehilá

8º Jachal Ve Tehilá - Amen Corner
Ainda não encontrei uma banda de black/dark metal no Brasil tão boa quanto o Amen Corner. E este álbum em especial mostra o quanto eles estavam inspirados. O clima mórbido encontrado aqui através de guitarras arrastadas e os vocais sempre rasgados e chorados de Paulista deixam qualquer fã de bandas européias como Samael, Anathema e katatonia felizes (ou não). A diferença é que ainda hoje o Amen Corner continua gravando álbuns com a mesma podridão de outrora enquanto as 3 bandas citadas já esqueceram como se faz um metal mórbido de qualidade.


7º Circus of Death

7º Circus of Death - Overdose
Seria impossível uma matéria sobre os maiores álbuns do Brasil sem a presença de Overdose, não é a toa que Século XX foi o pioneiro de nosso especial. E Progress of Decadence também poderia estar nesta lista de hoje. Mas a escolha de Circus se deve principalmente por causa de 3 músicas: Violence, The Zombie Factory e Profit. Todas as outras são maravilhosas mas estas três são perfeitas. Todas representam as principais características do thrash. A primeira com a velocidade, a segunda com o peso e a terceira com as paradinhas e refrão simples e direto. Sem contar os solos de guitarra presentes em todas.
6º Punishment At Dawn

6º Punishment At Dawn - Head Hunter DC
O primeiro disco Born Suffer Die, já me impressionou bastante. Mas quando soltaram esta pérola do death metal a coisa ficou séria de verdade. Por um bom tempo eu soube todas as letras deste álbum de cór. Os vocais de Ballof entre guturais e rasgados sempre chamaram a atenção  e a bateria bate estaca nunca cansa. O logotipo perfeito contrasta com a capa bela e assustadora. Citar músicas aqui seria desnecessário mas se quiser começar ouvindo Terrible Illusion, Hallucinations, Bloodbath, Searching For Rottenness ou a mais trabalhada e pesada Deadly Sins of the Soul, não se arrependerá.


5º Death is a Lonely Business

5º Death Is a Lonely Business - Chakal
Tudo bem que Vladimir Korg e Chakal são meio que sinônimos e que Demon King poderia ser listado aqui. Mas acontece que Sérgio, que gravou este álbum também tem um baita vocal e as três melhores músicas já compostas pelo Chakal estão aqui: Beholder, a super pesada Choked com riffs de guitarra simplesmente fantásticos (aquele começo com uma guitarra de um lado e a outra ainda mais pesada do outro tira o fôlego) e a fantástica ultra porrada e precedida de mugidos Fear of Death. Acho que o volume de meu aparelho de som aumenta automaticamente quando começa essa música.


4º Funeral Serenade

4º Funeral Serenade - SexTrash
Muitos preferem Sexual Carnage, mas Funeral Serenade abandonou de vez qualquer influência thrash e trouxe toda essência do death metal em faixas empolgantes com os vocais de Oswald ainda mais insanos. Não tem música pra completar espaço aqui, todas são trabalhadas para serem identificadas ao primeiro acorde. Espero ansiosamente  pelo relançamento deste disco em CD pela Cogumelo. Só pra não passar em branco sem citar alguma faixa fica o registro de Wind Assassin pelo riff da segunda parte e a faixa bônus Hot Juicy & Bitch com os gritinhos femininos no início. 


3º The Hangman Tree

3º The Hangman Tree - The Mist
Não acho que este disco deveria estar apenas na lista dentre os melhores do Brasil mas sim do mundo. Tudo aqui é perfeito. A capa, as letras carregadas de poesia, cada uma das faixas.
Uma sequência de clássicos feita com sangue nos olhos mas com uma técnica e noção de estarem forjando algo sem precedentes de cada um dos membros que nos deixa com lágrimas nos olhos. Só de ouvir God of Black and White Images você sabe que está diante de algo sobrenatural.



2º Arise

2º Arise - Sepultura
A disputa por um lugar entre os dez melhores fica acirrada quando olhamos para a discografia do Sepultura desde Bestial Devastation até Chaos AD e o principal concorrente de Arise seria Morbid Visions, por toda sua fúria. Mas o thrash metal mundial não seria o mesmo sem Arise. Músicas como a faixa título, Dead Embryonic Cells, Desperate Cry, Altered State e Under Siege ficaram cravadas na história do metal mundial e a verdade é que o Sepultura, ao lado de Pantera e Metallica foram os pilares do heavy metal em uma época em que muitos acreditaram que este gênero estava morto. O nome deste álbum já contradiz isto.
1º The Laws of Scourge

1º The Laws of Scourge - Sarcófago
O que já era bom ficou ainda melhor. Assim podemos falar deste álbum que mostrou uma banda mais técnica mas ainda assim cheia de ódio. The Laws é a prova de que o death metal pode ser perfeito e ao mesmo tempo primitivo. E quando foi relançado com 2 faixas bônus do EP Crush Kill Destroy ficou ainda mais completo. Minha música favorita muda com o tempo neste álbum, o que demonstra a qualidade que cada uma tem, seja Midnight Queen, Screeches From The Silence, Prelude To a Suicide ou qualquer outra. O Sarcófago mostrou que tinha poder de fogo para se equiparar ao Sepultura no cenário mundial. Mas depois disso preferiu descer para o porão e reinar no underground, que é a casa do metal maldito.

sábado, 23 de agosto de 2014

Demon King


O Chakal estava há 10 anos sem lançar um álbum em 2003 e a banda não tinha um futuro certo. Depois de lançar 03 full lengths, cada um com um vocalista, a banda surpreendeu com o retorno de seu vocalista originou Vladimir Korg (The Mist) e lançou o álbum 'Deadland'. Não vou falar deste trabalho pois não o conheço, aliás, não quis ouvir mais do que alguns minutos na época de seu lançamento, pois não fazia jus aos trabalhos anteriores. Mas a rapaziada chamou Mark de volta e resolveu o problema no ano seguinte, lançando um dos melhores álbuns de sua carreira. Demon King reúne tudo que o Chakal apresentou nos anos 80 e 90. Agressividade, peso (e que peso) e shows de abertura que deixaram as bandas principais de queixos caídos. É indiscutível a força que Korg dá à banda no comando de um show, e a partir deste álbum os shows ficaram repletos de suas músicas e mais umas duas da época do Abominable (Jason Lives é claro, não poderia faltar). 'Morlocks Will Rise' abre a pancadaria sem deixar respirar, thrash de primeira com a voz rouca de Korg e a bateria de Wiz descendo o porrete.
'Demon King' é peso em seu estado bruto, essa música ao vivo, com Korg mostrando os chifres, era um dos pontos altos dos shows.'Christ In Hell' é uma que lembra bem a primeira fase da banda, aquele thrash atropelando, quase à beira de um death metal old school. 'Mirror Made-Tricks' dá sequência alternando partes rápidas e arrastadas. Depois vem um clássico do death metal, 'Evil Dead' da banda de Chuck Schuldiner, muito bem interpretado. 'War Drums', com a participação de Fernando do Drowned foi outra sempre apresentada nos shows, uma ótima música com ótimos riffs de Mark e André. 'Flowers On Your Grave' é uma de minhas favoritas, tem um riff da escola americana, na linha de Testament, matador. Segue com 'Human Remains Banquet' e logo depois outra fantástica, 'Psycho'. 'The Mask of the Red Death' é uma instrumental e o CD fecha com 'Mastered Dogs'. Me lembro de um show, com Sodom no Armazém 841, que o baixista Giuliano Toniolo ficou emocionado quando Korg apresentou toda a banda e frente à receptividade do público. Não é de se assustar, afinal um show do Chakal, apresentando tantas músicas fantásticas deste Demon King, é para emocionar  mesmo.

domingo, 17 de agosto de 2014

Profanus

O quarto trabalho de estúdio dos baianos do Mystifier é o que mais o distancia do black metal, pois tem bases de guitarra bem death metal, apesar da parte lírica ainda conservar toda essência black e em algumas passagens de teclado ainda levarem aquela morbidez tradicional. Mas também é o álbum mais bem produzido da banda. Lançado em 2001 através da Encore Records contou com Beelzeebubth nas guitarras, Louis Bear na bateria, Asmoodeeus nos vocais, Leandros nos teclados e Bruno Rheys no baixo.
O álbum abre com risadas tiradas das profundezas dos infernos e a música Unspeakable Dementia, uma faixa perfeita para abrir o petardo.
O Mystifier desfilou faixas de extremo bom gosto neste trabalho, alternando passagens mais calmas e arrastadas a outras mais aceleradas, uma evolução natural ao EP Demystifying The Mystified Ones...de 1999. Como diferencial os vocais que além de alternarem entre rasgados e guturais ainda aparecem de forma limpa (nada naquele estilo gótico bonitinho) mas gritado. Difícil citar maiores destaques pois o álbum é bem homogênio, mas dá pra perceber uma leve evolução na sequência em que as músicas foram dispostas no álbum, chegando a 'Celebrate the Antichristian Millennium', uma das melhores, 'Showing The Evil in Our Hearts' (matadora) e 'Hangman's Noose'. Um disco para mostrar pra galera que acha que metal nacional de qualidade no Brasil morreu nos anos 90, estava errada.

sábado, 9 de agosto de 2014

XVI

O Miasthenia foi criado em Brasilia em 1994 e depois de demos e splits gravou em 2000 seu primeiro full length, lançado pela Somber Music que mais uma vez deu uma aula de arte gráfica, começando pela capa que tudo tem a ver com o lirismo da banda, acerca do paganismo e culturas obscuras latino americanas. A principal figura por trás da banda é a vocalista, tecladista e historiadora Hécate, que escreve as letras do Miasthenia com embasamento histórico. Após a abertura, com o prelúdio de tempos ruins que se aproximam da cultura pagã, vem a faixa título 'XVI' em referência ao século após o primeiro ano de descobrimento do Brasil, quando várias culturas começaram a ser dizimadas. As guitarras são tipicamente black metal, com distorção mas sem muito peso, acompanhadas constantemente pelos teclados. Hécate canta rasgado mas algumas frases aparecem com sua voz natural, como vemos em 'Lagrimones do Falcão'. Todas as músicas são em português, e 'De Volta ao reino de Paa-zuma' tem ótimas melodias, com guitarras mais arrastadas.
As músicas de 'XVI' são longas mas nem de perto chegam a ser enjoativas, são passagens que mudam constantemente e um dos pontos altos desta é o solo de Thormianak, que destoa do restante da canção de forma positiva, pois te leva a um outro ponto para depois retornar. Uma ótima canção. Já 'Rituais de Rebelião' tem passagens que lembram o antigo Suidakra. Uma música que demonstra que mesmo sendo o primeiro álbum completo o Miasthenia já estava preparado para invadir o mercado nacional com muita qualidade e bom gosto. Tem até uma passagem apenas no baixo de 'Mist' acompanhado da bateria de 'Miclantecutli' que mostra a qualidade dos músicos. 'Onde Sangram Pagãs Memórias', 'Brumas Xamônicas' e a instrumental e pesada 'Malquis Imortais' fecham este excelente trabalho. Depois do conhecido P.U.S. Brasilia nos brindava com mais uma grande banda de metal extremo com uma mulher em suas fileiras.

domingo, 3 de agosto de 2014

...and Evil Returns.

"...dor e ódio são as razões do mal. Vingança e ódio são as razões que me mantêm vivo." Com esta inscrição na contracapa o Murder Rape de Curitiba lançou seu segundo álbum, o '...and Evil Returns', em 1996, agora pela gravadora da própria banda, a Evil Horde Records, sendo este o seu primeiro lançamento. E maldade é o que transpira este CD, com andamentos arrastados e Sabatan cantando bem mais rasgado que no debut 'Celebration of Supreme Evil'. Aliás, além de sempre um novo álbum ter uma música com o título do disco anterior, todos os lançamentos do Murder Rape levam a palavra 'Evil' nos títulos. Detalhes interessantes daqueles que se preocupam com tudo que se identifica com a banda, e não apenas a música, assim como outras bandas como Morbid Angel e Drowned também fazem, e somente os verdadeiros fãs identificam.
São apenas seis músicas, mas todas carregando o espírito black metal e tão bem compostas que nos deixam com vontade de ouvi-las novamente ao final do último hino. 'Pail Air of Melancholy' inicia o trabalho com um riff mórbido e cortante, com o teclado de Sérgio (não creditado como membro da banda), dando uma camada fúnebre ao fundo, bem como em todas as composições. As guitarras de Ipsissimus e Azarack são bem arrastadas, e poderiam muito bem estar em uma banda de death doom ou funeral doom. Em 'For The Glory of Evil Warriors' as guitarras já aparecem em doses mais cavalgadas, porém na mesma velocidade. Nos primeiros álbuns a banda não se preocupava com a velocidade ou pedais duplos acelerados, o negócio era soar mórbido ao extremo. Essa música tem um riff lá pelo um minuto e meio de tirar o chapéu. Depois vem 'Echoes From the New Millenium', a música mais acelerada, com Ichthys Niger ditando o ritmo de sua bateria, ele que viria a se tornar um baita baterista quando saiu do Murder e foi para o Evil War, passando a tocar bem mais técnico e preciso, até sua fatídica morte em 2008, dois dias antes de completar 33 anos. O curioso é que o baixo de Agathodemon não aparece muito, ele que é um dos fundadores da horda, faz backing vocais em todos os álbuns, é o fundador da gravadora Evil Horde e editor da revista 'A Obscura Arte', aquela mesmo em preto e branco com bandas extremas do underground mundial. As outras faixas são 'Descendant From Dark Side', 'Wonders of Shadows' que também é uma das melhores, e tem aquela risada malévola e característica de Sabatan, e 'Celebratrion of Supreme Evil', com um início pra lá de maquiavélico. Só faltou o logo da banda na capa do CD para ser completo.