quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

20 anos de Come Clarity do In Flames!!!

Se o personagem que segura um coração na capa de Come Clarity, do In Flames, não for o mesmo que executa um trabalho manual no planeta Terra em Roorback, do Sepultura (2003), eu não me chamo Raimundo. Tudo bem, porque não me chamo mesmo — mas o fato é que o responsável por ambas as artes é o americano Derek Hess, e é impossível olhar para uma sem imediatamente lembrar da outra, sobretudo pelos tons semelhantes e pela estética melancólica que as conecta.

Musicalmente, em relação ao antecessor Soundtrack to Your Escape (2004), o In Flames conseguiu incorporar aqui algo que faltava naquele álbum: alma. Sim, talvez você não curta essa fase mais metalcore ou com grooves evidentes da banda, mas a verdade é que, em Come Clarity, eles ao menos tiraram do coração (sem trocadilho… ou talvez com) aquilo que se propuseram a fazer.

Há faixas mais melódicas, como a própria música-título, bem distante da fase melodic death metal que consagrou o grupo. Por outro lado, surgem momentos mais agressivos, como a rápida “Scream”, que dialoga melhor com o passado, ainda que filtrado pela estética atual da banda em 2006. “Vacuum” já funciona como um meio-termo interessante, mesclando agressividade com vocais mais chorados.

O instrumental, vale destacar, não se rende completamente ao metalcore: não há aquela obsessão por riffs secos e minimalistas. As guitarras ainda trabalham com camadas e ambiências que remetem a um death metal mais progressivo, algo que sempre foi um diferencial do In Flames. Uma surpresa bastante agradável aparece em “Dead End”, com a participação de Lisa Miskovsky — cantora e compositora sueca — cuja entrada com vocais femininos adiciona sensibilidade e peso emocional à faixa.

Talvez o maior problema do álbum esteja na insistência em empurrar refrões goela abaixo. Não que refrões sejam um problema em si — o thrash metal, por exemplo, sempre viveu muito bem com eles —, mas aqui o In Flames força uma aproximação excessiva com o som americano (e não exatamente o melhor recorte dele), sem real necessidade. Se não fosse por isso, somado ao uso frequente de vocais limpos por Anders Fridén, talvez — e isso é apenas uma suposição — a banda pudesse ter reconquistado uma parcela maior dos fãs antigos com Come Clarity.

Se você aprecia essa fase da banda, este álbum certamente tem muito a oferecer. Se sua relação com o In Flames terminou em Clayman, talvez seja melhor permanecer por lá — ou, no máximo, ouvir “Our Infinite Struggle” antes de decidir se vale a pena se aprofundar neste capítulo da discografia.


 

Nenhum comentário:

Postar um comentário