sábado, 10 de janeiro de 2026

20 anos de Eclipse do Amorphis!!!


Às vezes a vida dá uma guinada repentina, daquelas que podem ser vistas a grande distância. E essa guinada tanto pode apontar para frente quanto para trás. No caso dos finlandeses do Amorphis, em “Eclipse” (2006), seu sétimo álbum de estúdio, ela foi claramente para frente — e com força. Aqui, a banda descarta por completo uma era inteira, como se tivesse entrado em um casulo e emergido com novas cores, novas asas e, sobretudo, um novo espírito.

Após um início arrebatador que conquistou boa parte do público do metal extremo e, mais adiante, uma fase quase descartável — daquelas que não deixam saudade alguma, como já ficou claro nos dois discos anteriores —, o Amorphis se reformula e apresenta ao mundo um dos grandes trabalhos de sua fase moderna: o espetacular “Eclipse”.

A mudança mais visível está no vocal. Sai Pasi Koskinen, entra Tomi Joutsen, e tudo indica que essa troca funcionou como um verdadeiro choque de energia para a banda inteira. O que nunca saberemos ao certo é se o grupo já planejava um disco mais pesado e coeso — o que teria motivado a saída de Pasi — ou se as composições já nasceram pensando na nova voz. Seja como for, Tomi acabou sendo a peça que faltava, a cereja no topo do bolo.

Se em álbuns como “Far From the Sun” é difícil apontar duas músicas realmente memoráveis, em “Eclipse” o desafio é justamente o oposto: encontrar uma faixa fraca beira o impossível. Logo na abertura, “Two Moons” surge com um órgão diferenciado e apresenta Joutsen como aquele jogador versátil que o técnico pode escalar em qualquer posição sem medo. Vocais limpos e agressivos se alternam com naturalidade, a levada é levemente acelerada e o final, após um belo solo, muda de direção, deixando clara a versatilidade que permeia todo o álbum.

“House of Sleep” revela um lado mais gótico, com instrumental menos pesado, passagens acústicas bem dosadas, teclados em destaque e um refrão que gruda facilmente. Já “Leaves Scar” começa de forma bela e serena, mas quando as guitarras entram com peso é impossível não lembrar dos acordes de “Alma Mater”, do Moonspell. Aqui, Joutsen solta pela primeira vez um gutural poderoso — e essa é uma das faixas mais marcantes do disco, com o único defeito de acabar rápido demais.

“Born From Fire” mantém o nível elevado, com melodias inspiradas das guitarras de Esa Holopainen e Tomi Koivusaari, enquanto os teclados de Santeri Kallio assumem papel fundamental na construção das músicas — nada de mero acompanhamento descartável. As faixas, em sua maioria com três ou quatro minutos, contribuem para a dinâmica do álbum: uma boa melodia termina e outra ainda melhor começa logo em seguida.

“Under a Soil and Black Stone” traz um momento mais contemplativo, com guitarras estelares e clima envolvente. “Perkele (The God of Fire)” despeja peso, melodias orientais e um refrão absurdamente grudento, tornando-se outro grande destaque. O disco segue sólido com “The Smoke”, a sensacional “Same Flesh”, “Brother Moon” e “Empty Opening”, encerrando sem perder força.

Para coroar o conjunto, a capa é belíssima, com tons de amarelo, marrom e laranja que se complementam e traduzem visualmente o renascimento artístico vivido pela banda. “Eclipse” não é apenas um retorno à boa forma: é a prova de que o Amorphis encontrou, enfim, um novo caminho — e acertou em cheio. 

 

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