O 5º álbum da banda americana Novembers Doom já começa bem pela arte da capa. Deixando de lado o abstrato de Travis Smith, agora foi Attila Kis, um novato no meio, quem trouxe a cena belíssima do espantalho com sua mala, com uma paisagem belíssima de fim de tarde ao fundo, uma família de espantalhos entre uma casa decrépita e uma árvore solitária. A mais bela capa a estampar um álbum da banda até o momento. "The Pale Haunt Departure" é o nome do petardo e da música que o abre. "Death/Doom" de primeira, com uma carga de metal da morte bem agressiva e pesada, num misto de velocidade moderada e vocais hiper guturais. Não saberia afirmar que se trata de uma história conceitual, permanecendo a dúvida após a tradução de todas as letras, mas ao que tudo indica, temos um pai amoroso que tira a própria vida e vê seu espírito preso a um espantalho, explanando seus sentimentos confusos de perda e arrependimentos. A letra mais clara e uma de minhas faixas preferidas é "Swallowed By The Moon", quando o pai escreve uma carta de despedida para sua filha, que é a própria letra da música. A bateria de Joe Nunez soa como trovões, enquanto a voz de Paul Kuhr parece a dos deuses acima das nuvens pesadas do outono. Falar em outono, "Autumn Reflection" já tem momentos mais acústicos e vocais limpos. É bom deixar claro que a experiência de ouvir o Novembers Doom nunca é acompanhada por uma tristeza ultrajante como algumas bandas de Doom têm a clareza em demonstrar, antes traz uma melancolia bucólica de falta de esperança, a fase negra de maior raciocínio após o período de desespero pelo qual qualquer alma pode passar em períodos de angústia na árdua tarefa de sobreviver neste planeta. "Dark World Burden" apresenta bons e pesados riffs, além de um belo solo de guitarra e algumas partes pesadas que remetem até ao Gorefest da Holanda em sua brutalidade slow. O petardo segue com a cavernosa "In The Absence of Grace", "The Dead Leaf Echo", a balada "Through A Child''s Eyes" e "Collapse of the Falling Throe".
domingo, 30 de março de 2025
sábado, 22 de março de 2025
20 anos de Chapter V: Unbent, Unbowed, Unbroken do Hammerfall!!!
Em que posição você colocaria o álbum "Chapter V: Unbent, Unbowed, Unbroken" dentro da discografia da banda sueca Hammerfall? Lançado em 7 de março de 2005 através da mega Nuclear Blast, o 5º álbum vem depois do álbum de maior sucesso comercial até então, o ótimo "Crimson Thunder", mas que foi um divisor de águas na carreira, pois afastou uma parte do público acostumada à veia mais old school que o Hammerfall debutou no mundo da música em seus 3 primeiros trabalhos. Eu diria que o capítulo 5 foi uma tentativa meio frustrada de soar tão bem comercialmente quanto o anterior, retornando com uma veia mais heavy metal de outrora, porque sinceramente, este álbum, que não é ruim, ficou meio preso a amarras e sentimentos que emperraram um pouco a criatividade artística da banda. Mas em quais músicas vamos bater primeiro? Nenhuma. Como eu disse, não estamos diante de um trabalho ruim, mas algo bom, porém inanimado, como aquele aparelho de som que você gosta muito, mas que não faz nada mais pra você além daquilo que foi projetado para fazer. O início com "Secrets" é legal, e "Blood Bound" é ainda melhor, pois tem riffs mais pesados e um refrão tipicamente Hammerfall de fácil assimilação. Mas ainda tem algo faltando. Talvez um pouco de velocidade, ou uma sensação mais épica, não sei bem. "Fury of the Wild" já nem é tão lembrada pelos fãs, mas tem algo nela que me lembra Judas Priest, um instrumental bem anos 80 e a voz aguda de Joacim Cans como a cereja do bolo. Ela também carrega em seu refrão o nome do álbum, que foi curiosamente inspirado nos livros "As Crônicas de Gelo e Fogo" de George RR Martin, que originou a série mais que famosa "Game of Thrones". "Hammer of Justice" também não causa alardes, mas é uma música bem legal, de andamentos médios, com um solo bem rápido e bonito. O legal é que as letras não são cafonas, e mesmo falando de martelos e justiça, você não vê aquela coisa de fantasia exacerbada, afinal infelizmente quando Joacim canta "eu vejo a injustiça em todos os lugares que vou" não podemos dizer que se trata apenas de fantasia. "Never, Ever" é a balada da vez, e ficou bem legal, com ótima interpretação. "Born To Rule" é uma das mais pesadas, num belo trabalho dos guitarristas Dronjak e Elmgren, enquanto "The Templar Flame", uma das mais curtas do disco, traz aquele tradicional ôôô exclusivo para um efeito bombástico de público nas apresentações ao vivo. "Imperial" é uma faixa instrumental que te leva pros tempos das tavernas e "Take the Black" traz um pouco de energia antes da faixa mais épica e controversa do álbum. Com mais de 10 minutos (no display são mais de 12, porém quando ela acaba temos uns minutos de silêncio para o retorno das vozes grotescas), "Knights of the 21st Century" traz nada menos que Cronos, o cara que criou o termo "black metal" no álbum de mesmo nome. Controverso não por isso, mas lembram daquela história em que o vocalista Joacim Cans foi agredido por um suposto fã de black metal pouco antes do lançamento de "Crimson Thunder"? (leia nossa resenha do álbum). Então, o convite para Cronos participar deste álbum, na minha opinião, foi uma baita forçação de barra, mostrando um certo temor dos músicos para novos fatos parecidos. Enfim, até gostei do contraste das vozes, mas achei bem desnatural.
sábado, 15 de março de 2025
20 anos de Goatreich - Fleshcult do Belphegor!!!
O 5º trabalho da banda austríaca Belphegor, lançado em 2005 e intitulado "Goatreich - Fleshcult", é mais um passo à frente na sonoridade caótica da banda do guitarrista e vocalista Helmuth, Sigurd na outra guitarra e Barth no baixo, desta feita com Torturer na bateria e Röderer nos teclados. A arte da capa é ainda mais macabra que a anterior, de "Lucifer Incestus", dispensando o erotismo mas mantendo a nudez de criaturas nojentas e torturadas. A mudança de gravadora (Last Episode para Napalm Records) ocorrida no trampo anterior se manteve e mostrou-se uma recompensa ao árduo trabalho da banda, alastrando a popularidade profana do Belphegor como uma das sete pragas do Apocalipse. O baterista alemão, cujo nome real é Florian Klein (hoje no Bethlehem), é um dos destaques do álbum. Algumas batidas secas e pesadas como no início da faixa título acabam dando um diferencial old school, mas no geral, as passagens agressivas e intrincadas mostram o poder de fogo que ele consegue imprimir sem tornar o som maçante e repetitivo. Anos atrás era quase impensável encontrar músicas mais arrastadas num álbum do Belphegor, mas ultimamente eles demonstravam maturidade para diversificar os petardos com momentos lentos e brutais. Temos 2 faixas assim em "Goatreich", "Kings Shall Be Kings" e "Sepulture of Hypocrisy" que remete aos anos 80/90 até no título. "Festum Asinorum" também possui uma lentidão intercalada a momentos mais violentos e vocais mais rasgados também, algo que se tornaria mais comum ao longo dos anos. Mas na maior parte do tempo o vocal de Helmuth é mais para o gutural cavernoso, e está muito bem desta forma. Se você não se importa com letras carregadas de blasfêmia como único ponto negativo no trabalho, pois soam muito adolescentes e dispensáveis, você vai curtir o death/black esmagador de "Goatreich - Fleshcult", caso tenha deixado passar batido nestes 20 anos. Totalmente indico.
sábado, 8 de março de 2025
20 anos de Angel of Retribution do Judas Priest!!!
O 16º álbum de estúdio da banda britânica Judas Priest chegou ao mercado cercado de expectativas. Tim Ripper havia saído após gravar dois álbuns que mostraram uma banda explorando um som mais moderno, pesado e soturno, e partiu para uma carreira parecida à que teve no Judas, porém agora no Iced Earth. Voltava a reinar nos palcos o metal god Rob Halford, aquele frontman que senta nas mesmas cadeiras em que Dio, Dickinson, Lemmy ou Ozzy também sentaram. Quando um vocalista clássico sai de uma banda, abrem se feridas difíceis de cicatrizar, e a única forma disso acontecer é as partes se reconciliarem traçando novos planos para a entidade em que se destacam. Então Halford estava de volta após 11 anos e gravando um novo trabalho após 15 anos, que foi o insuperável em todos os sentidos "Painkiller". Claro que KK. Downing e Glenn Tipton precisaram compor pensando na voz do mestre, e esquecer aquele som cheio de groove dos álbuns anteriores, afinal, estamos falando de heavy metal puro e simples, com pitadas de hard rock. A capa traz um anjo de metal e as músicas giram em torno de entidades celestiais e infernais. Abre-se o espetáculo com uma música muito boa, chamada "Judas Rising", para a alegria geral, com refrão forte, ritmo enérgico e guitarras "old school", e um título propositalmente evocando o nome da banda se reerguendo após um período obscuro. Depois dessa, há duas outras músicas ainda melhores, ao menos para este fã incondicional de "Painkiller", que são "Hellrider" e a poderosa "Demonizer". Esta trinca, que não vem em sequência no álbum, já mostravam que o retorno do vocalista foi a coisa certa a se fazer. "Revolution" começa num pique bem rock 'n roll pesado que agrada muito, uma pena o refrão ser tão melódico, mas você se acostuma. Temos algo mais hard rock como "Worth Fighting For" ou melódico, como "Eulogy", uma faixa acústica e sem bateria, com a voz de Halford provando mais uma vez que o cara não se destaca apenas gritando. Temos doom também, para quem curte coisas como "Candlemass", o trabalho encerra com uma faixa arrastada chamada "Lochness", que peca apenas em seu final com guitarras dissonantes forjando algo modernoso e desagradável aos ouvidos, mas o que são 40 segundos em uma música de mais de 13 minutos? Ian Hill e Scott Travis também fizeram um bom trabalho na cozinha, e "Angel of Retribution" foi um retorno bem sucedido de uma das bandas mais importantes da história do metal.
terça-feira, 4 de março de 2025
20 anos de Arrival of the Carnivore do Nocturnal!
Depois de uma caralhada de lançamentos desde sua formação em 2000, a banda Nocturnal da Alemanha chegava a seu primeiro álbum full, através do selo "From Beyond Productions", o esporrento "Arrival of the Carnivore". Praticando um "Black/Thrash" bem na linha inicial das famosas bandas de thrash oitentista de seu país natal, principalmente Sodom e Kreator, o Nocturnal consegue ser um pouco mais carniceiro que seus antecessores, porém sem a mesma capacidade de imprimir aquele algo a mais que torna suas músicas distinguíveis e memoráveis. Mas isso não é um empecilho quando você deseja apenas bater cabeça nos porões abandonados do underground. Após uma intro (Coven of Darkness) que começa com um som de águas correndo dentro de alguma caverna escura, temos "Temples of Sin" com andamentos medianos, e um de seus riffs chupado de Rainning Blood do Slayer e lá pela metade emenda um riff novo que começa sem bateria, que ficou bem diversificado. O legal de se ouvir e o motivo do Nocturnal ter chamado atenção de vários bangers esparramados pelo globo, é a rifferama constante em todas as músicas e o contrário de algumas bandas do estilo que criam um riff repetitivo em cada música. Depois temos "Satanic Oath" e "Preventive War", duas faixas na casa dos 2 minutos, rápidas e rasteiras, com aquela ideia punk que o black/thrash prega. Já ""Burn This Town" traz o diferencial dos vocais cantados (?) em coro e como bônus podemos ouvir o baixo pela primeira vez (hehe). Aí temos uma sequência de bate estacas com "War of Spirits", "Merciless Murder", "Victorius Night" e destaque para os ótimos riffs thrash de "Nuclear Strike". O play fecha com a mais trabalhada "Awakening The Curse of Souls", uma música mais arrastada numa tentativa de soar épica e mostrar que a banda tinha talento para montar um arsenal mais diferenciado para os próximos lançamentos. A arte da capa traz aquele bodão forte segurando um esqueleto e vários ossos ao fundo em tons verde e escuro e os membros que gravaram o petardo foram Mayhem nos vocais, Avenger na guitarra e único membro que permanece até os dias de hoje, Vomitor no baixo e Hellbastard na bateria.
sábado, 22 de fevereiro de 2025
20 anos de Stabbing the Drama do Soilwork!!!
"Stabbing the Drama" é o sexto álbum de estúdio dos suecos do Soilwork, um dos principais nomes do death melódico mundial. E um dos mais massacrados pela crítica de bumbum atrás dos PCs. É compreensível que alguns fãs tenham torcido um pouco o nariz para o direcionamento de "Stabbing the Drama", uma vez que a banda se afastou um pouco do death melódico aqui e encheu o peito de ar metalcore americano. A veia progressiva foi meio que deixada de lado e os vocais de Speed Strid não estão muito rasgados, mas gritados com raiva. Essas mudanças foram ruins? Foram boas pra caraca, criaturas! As músicas ganharam uma objetividade muito maior, com construções nem tanto simplistas, mas ainda assim num direcionamento mais metal bate cabeça que outrora, independente das passagens com vocais limpos, que servem muito mais para criar refrãos instigantes e um tanto dramáticos. A arte da capa, com o punho segurando uma faca, asas e chamas ao fundo, remete a um estilo revolucionário, e acompanha a simplicidade que a música tentou imprimir, e não é que o som também foi uma revolção dentro da discografia do Soilwork? Uma nova troca de baterista, com a entrada de Dirk Verbeuren (atual Megadeth) pode ter contribuído para esta pegada mais metal da banda e fica difícil citar destaque em um trabalho tão homogênio. Talvez "Fate In Motion" e "If Possible" não estejam tão bem no nível das demais, porém o restante do trabalho é bem forte, pesado e agressivo. Mas assim mesmo vou citar uma faixa não muito falada que acho sensacional neste play que é "Stalemate" e a inversão de vocais limpos/agressivos que Strid faz no refrão ficou perfeita. Os guitarristas Peter Wichers e Ola Frenning despejam riffs muito bem projetados, ao passo que já não mandam aqueles solos magníficos da era "Natural Born Chaos". Ola Flink continua aparecendo pouco com seu baixo, e os teclados de Sven Karlsson foram um pouco mais explorados, o que pode parecer uma contradição na mudança do som da banda, mas agora eles tendem a destoar mais das guitarras mais pesadas. Eu não sou fã de Metalcore, salvo raras exceções, mas a mudança neste play foi muito bem vinda.
sábado, 15 de fevereiro de 2025
20 anos de Rogues En Vogue do Running Wild!!!
Então descobrimos que os piratas envelhecem e cansam, e aquela antiga crença de que o rum conserva em parte sua juventude acaba sendo suplantada por um álbum alemão de "quase" power metal chamado "Rogues En Vogue". O álbum foi o décimo quarto da carreira do Running Wild, lançado em 2005 e nem mesmo a arte estranha da capa consegue erguer a moral desta peça. Não é um trabalho que soa ruim, ele apenas parece o fruto de uma árvore cansada. A abertura com "Draw The Line" agrada, mesmo que a produção possa ter falhado em algum ponto, pois o som não soa aberto, tem um certo tilintar de paredes metálicas, como uma estação abandonada no subsolo de alguma história pós apocalíptica de Stephen King. Mas a guitarra e a voz de Rock 'n Rolf (ou Rolf Kasparek, como preferir) são perfeitamente distinguíveis como sendo o Running Wild, e assim sempre foram, louvado sejam os deuses dos mares. A sequência com "Angel of Mercy" tenta seguir a mesma linha, com a bateria alguns BPMs mais rápida, mas peca pelo refrão um pouco irritante. Rolf sempre foi o dono da banda, e na época do lançamento deste álbum ele tinha apenas 43 anos, bem jovem para um pirata, mas com a longevidade da carreira da banda, já deveria ter uma visão de que precisava se cercar de novos músicos para manter seu som relevante. Mas como pirata dominador, seus ciúmes da embarcação que comanda não permite que alguém cheque perto do timão, nem por um segundo. A bateria programada é o maior exemplo disso, uma vez que ela soa simples e sem vida (o que é mesmo), e o baixista Peter Pichl que gravou apenas 4 faixas do petardo não foi suficiente para impedir o naufrágio em alto mar. Mas eu repito, não é um álbum ruim, mas é morno, e vai alegrar aquele churrasco com os amigos numa tarde quente de sábado. Algumas músicas mais rápidas e vocais mais enérgicos talvez tivessem melhorado o ranking dentro da discografia. Ouça as faixas citadas e "Skull & Bones"!
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