sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

20 anos de Black Wings of Destiny do Dragonlord!!!


Dragonlord, o projeto de black metal de Eric Peterson (guitarrista do Testament), surgiu em 2001 com o ótimo Rapture e retornaria em 2005 com seu segundo petardo, Black Wings of Destiny. Enquanto a banda principal vivia um hiato, prestes a se reformular e a voltar como uma das maiores do mundo (ainda tropeçando em regravações fracas), Peterson resolveu investir novamente neste desvio sombrio.

A troca do baixista poderia soar catastrófica: sai o monstro Steve DiGiorgio e entra Derrick Ramirez — o mesmo que gravou o controverso (e quase death metal) Demonic (1997) do Testament. Mas, ao contrário do que se imaginava, foi uma troca à altura: o baixo aqui está preciso e direcionado ao que a banda buscava, isto é, uma aproximação mais franca com o black metal europeu.

Os vocais de Peterson aparecem mais contidos que no debut, e em alguns momentos lembram Shagrath (Dimmu Borgir), enquanto a sonoridade se aproxima daquilo que o Dimmu fez em seu auge, no excepcional Enthroned Darkness Triumphant (1997). As guitarras deixam de ser protagonistas — já não soam como “uma banda thrash invadindo o black metal”; agora, o Dragonlord é uma banda de black metal.

Os teclados ganham a linha de frente, assumindo papéis antes reservados às cordas. Na maior parte do tempo, funcionam muito bem, criando atmosferas grandiosas; mas em “Until the End” parecem ter fugido de um videogame 16-bit e quase destroem a faixa. Ainda assim, o clima de corais sombrios e texturas sinfônicas — aquele que o Dimmu imprimia em Enthroned Darkness — está presente aqui com força.

A bateria de Jon Allen (Sadus/Testament) merece destaque: o cara detona com precisão absurda, sustentando a base enquanto Peterson e Steve Smyth debulham riffs. O tecladista Lyle Livingston também abraça por completo essa nova estética mais europeia, catapultando o som do Dragonlord para um patamar superior.

Outra novidade são alguns vocais limpos, inexistentes no primeiro álbum e responsáveis por dar um verniz melódico inesperado, especialmente perceptível em “Revelations” — mais uma faceta de Eric, e que funciona.

Para quem ainda não se aventurou por esta fase, comece por “The Curse of Woe”. Se essa faixa não te agradar, pode seguir para outro álbum. Mas eu duvido seriamente que isso vá acontecer.

O fechamento se dá com duas versões bem legais. "Black Funeral" dos mestres do Mercyful Fate e uma faceta melódica inesperada para "Emerald" do Thin Lizzy.


 

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