O quinto trabalho da banda sueca Thyrfing, Farsotstider — que significa “tempos de desgraça” — foi lançado em 2005 e, até hoje, o enxergo como o álbum mais distinto de sua discografia. Aqui, a banda se afasta daquele viking metal fortemente ancorado no black metal, com nuances de melodic death, para entregar algo mais denso e introspectivo.
A arte da capa já antecipa essa mudança de atmosfera: uma árvore imensa em uma paisagem desolada, dois enforcados pendendo de cada lado, tudo em tons de cinza e preto. Não causaria qualquer espanto se estivesse estampando um álbum de funeral doom.
A abertura, “Far at Helvete”, é pesada e de andamento médio, com guitarras distorcidas pouco preocupadas em soar cristalinas e vocais rasgados que flertam abertamente com o death metal. Curiosamente, não houve mudanças de formação em relação ao álbum anterior, Vansinnesvisor (2002), que pudessem justificar tamanha guinada sonora. Ainda assim, Farsotstider soa muito mais sólido e envolvente — como se a banda finalmente tivesse encontrado o ponto exato daquele molho que transforma uma simples macarronada em algo divino.
A faixa-título apresenta vocais limpos que funcionam mais como um chamado à batalha do que qualquer coisa melodramática — é melhor esclarecer antes que a imaginação vá longe demais. Os teclados de Peter Löf abandonam de vez qualquer clima festivo e, em alguns momentos, evocam a imponência fria de catedrais, como se um canto gregoriano estivesse prestes a emergir… mas não: os vikings já deram cabo de todos os sacerdotes daquele mosteiro.
“Höst” traz uma das performances mais intensas de Thomas Väänänen, alternando gritos desesperados enquanto o instrumental oscila entre passagens de peso extremo e trechos quase acústicos, com camadas de violões sobre as bases de guitarra. É, sem dúvida, a minha faixa favorita do álbum.
O encerramento fica por conta de “Tiden Läker Intent”, uma composição mais épica, onde momentos de calmaria duelam com explosões de agressividade, chegando a flertar, em certos trechos, com o que hoje se convencionou chamar de post-black metal.
E para quem se perguntou por que o Thyrfing optou por não estampar seu logo na capa — aquele mesmo formato visto em álbuns como Urkraft — a resposta está ali o tempo todo: observe com atenção os galhos da árvore e você o encontrará.

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