sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

20 anos de New Life do Golgotha!!!


Existem mais de vinte bandas atendendo pela alcunha Golgotha ao redor do mundo, mas aqui falamos da Golgotha espanhola, aquela velha conhecida do doom metal, que em 2005 chegava ao seu terceiro full-length, New Life, lançado pelo obscuro selo Electric Chair Music — que talvez você nunca tenha ouvido falar e, por consequência, nunca tenha cruzado com este trabalho.

Quem conheceu o debute Melancholy (1995) ou Elemental Changes (1998), ambos pela Repulse, certamente vai estranhar essa nova fase, principalmente pela ausência da voz característica de Amon López. Entre os dois primeiros discos, a única alteração havia sido a saída do tecladista José Nuñez, substituído por Oscar Roig. No entanto, ao longo dos sete anos seguintes, até chegar em New Life, ocorreu uma debandada completa.

O único remanescente foi o guitarrista Vicente Payá, que assumiu também baixo, guitarra e teclados; nos vocais, entra Dave Rotten (sim, o mesmo do Avulsed desde 1991), enquanto a bateria ficou por conta do convidado Carlos Dominguez.

Musicalmente, ainda temos um death/doom arrastado, mas sem chegar perto do funeral doom. O que mais salta aos ouvidos são os vocais: agora, um gutural profundo domina o território, contrastando com o timbre estranho e único de Amon, que ajudava a diferenciar o Golgotha da multidão. Os teclados também mudam de função: antes, melodias de piano enriqueciam atmosferas; agora, as teclas apenas reforçam o peso dos riffs, tempestivas, quase como uma camada adicional de sujeira.

Com isso, a banda perde parte daquela aura singular que a separava do restante da cena e, para piorar, não apresenta grandes variações entre as composições. Ainda assim, é um disco agradável aos seres rastejantes do death/doom, que encontram aqui o conforto do breu familiar.

A faixa “Trapped in Two Worlds” ganhou videoclipe e pode ser conferida no YouTube, ótima porta de entrada para quem quiser se aprofundar nesta fase do Golgotha. Recomendado para fãs dos portugueses do Heavenwood (na fase mais gutural), do Crematory alemão em seus primórdios, ou algo próximo do Graveworm italiano.

Eu até acho essa fase interessante — o gutural sempre tem seu lugar —, mas confesso que sinto falta da peculiaridade da voz de Amon López. Era ali que residia boa parte da originalidade.


 

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