Com um troll reduzindo a escombros um grande templo cristão enquanto a população foge em desespero pelo descampado da floresta, somos recebidos ao quarto trabalho dos suecos do Månegarm, o portentoso “Vredens Tid”. A beleza da capa não surpreende — esses caras têm o hábito de tentar se superar a cada lançamento —, mas não é exagero dizer que esta figura entre as mais impactantes. Ao ouvir a faixa “Preludium”, uma simples ambientação sonora, é fácil visualizar a cena ilustrada por Kris Verwimp (Enthroned, Absu e tantos outros), como se a música soprasse vida à pintura.
Musicalmente, o Månegarm continua firme no Viking Metal temperado com doses precisas de folk, tudo envolto por aquela neblina gélida e sombria de black metal. Há momentos de pura agressão, como na excelente “Sigrblot”, corais grandiosos em “Dödens Strand”, e atmosferas épicas em andamento mais arrastado na poderosa “Kolöga Trolltand”. Os vocais rasgados de Erik Grawsiö seguem muito eficientes; quando assumem tons de grito de guerra, mantêm a qualidade acima da média, assemelhando-se a outros grandes vocalistas como Väänänen do Thyrfing.
E ainda não para por aí: os vocais femininos de Ymer retornam pontualmente e elevam o conjunto, com destaque para a breve “Svunna Minnen” — pouco mais de um minuto de voz angelical acompanhada por cello, criando um pequeno feitiço no meio do álbum. Outro ponto a favor é o fato de todas as letras serem cantadas em sueco, sem jamais soar estranho ou nos fazer desejar o inglês. O idioma encaixa-se como parte da armadura, do escudo, da mitologia.
O violino — presença constante e essencial — ganha holofote na performance do multi-instrumentista Janne Liljeqvist; vê-lo no clipe de Sigrblot chega a despertar lembranças dos antigos registros ao vivo do My Dying Bride, mesmo que as bandas sigam caminhos sonoros totalmente distintos. “Frekastein” surpreende ao combinar vocais limpos masculinos aos de Ymer — mais um coelho tirado da cartola pelos suecos.
Em suma: um álbum belíssimo, que na época já despontava no subterrâneo com cheiro de clássico e, duas décadas depois, confirma o que parecia inevitável — o Månegarm se tornou um dos nomes mais respeitados e influentes do Viking Metal mundial. Comemore a chegada de um novo ano ouvindo a música Segervisa e tomando hidromel. Hail!

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