domingo, 29 de dezembro de 2024

20 anos de Demon King do Chakal!!!


Chegamos à última resenha de álbuns completando 20 anos em 2024 e não poderíamos finalizar este ano de forma melhor. Afinal estamos falando de um dos melhores álbuns do Chakal, banda pioneira do metal nacional, que surgiu na mesma época que Sarcófago, Sepultura, Mutilator e Cia Ltda. Após seu retorno ao cenário em 2003 com o fraco "Deadland", a banda nos surpreendeu com esta pérola chamada "Demon King", pelo selo Cogumelo, e de quebra subiu ao palco para várias apresentações em 2005, mostrando no palco uma banda única, e que vinha fazendo muita falta no cenário. Já fizemos uma resenha para este trabalho em 2014, portanto, quem quiser conferir é só entrar no link ( https://blast-metaleloucuras.blogspot.com/2014/08/demon-king.html ). Demon King é thrash em estado bruto, balanceado entre faixas rápidas e outras mais arrastadas. Ele já abre com a porrada "Morlocks Will Rise!", que na época se tornou de cara uma de minhas preferidas. Em seguida a música que dá nome ao trabalho tem um peso absurdo, e permanece no set list da banda até hoje. "Christ In Hell" e "Mirror Made Tricks" seguem depejando riffs sujos e pesados, com belos solos de guitarra, quando do nada surge uma versão de "Evil Dead" do Death de Chuck, de tirar o chapéu. No momento não me lembro de algum outro cover que o Chakal tenha feito, portanto, "Evil Dead" é um momento único em sua discografia. "War Drums" é outro grande momento, uma faixa que começa em ritmo médio e ganha velocidade, culminando em um final com vocais guturais que ficaram a cargo de Fernando Lima do Drowned. "Flowers On Your Grave" é outra música que me pegou de jeito na época, ela tem umas melodias bem heavy metal, além de um solo bem melódico, que casaram com a brutalidade do Chakal de forma surpreendente. "Human Remains Banquet" tem uma passagem antes do solo, com um peso que causa arrepios, e uma melodia bem legal nas guitarras. Para fechar temos a ótima "Psycho", a instrumental "The Mask of the Red Death", um interlúdio de dedilhados para acalmar a alma antes da derradeira e brutal "Mastered Dogs". Que álbum, criaturas! Mark e Cabelo nas guitarras, Toniolo no baixo, Wiz na bateria e Korg nos vocais!  

 

quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

20 anos de Iron do Ensiferum!!!


O que acontece quando uma banda que toca música extrema quer tocar tudo certinho e bem produzido? Ouça "Iron", o segundo álbum dos finlandeses do Ensiferum, lançado em 2004, e me responda. A banda toca um folk/viking metal com influência de várias e muitas outras coisas já ouvidas. Sim, até seus conterrâneos do Children of Bodom, que tocavam death melódico exerceram alguma coisa sobre o som gravado em "Iron". Mas não somente eles, alguma coisa de Thyrfing da fase Valdr Galga aparece aqui e ali, e até algo de Turisas. Muita gente fala que o som do Ensiferum é pra cima e alegre, mas eu não consegui enxergar essas características neste lançamento. Vejo uma banda tocando como se não fosse o maior tesão de suas vidas e não me entendam mal, principalmente você que é fã. Este não é um álbum ruim, mas não tem aquele sangue nos olhos que se espera de um viking ou um bárbaro, e Quorthon certamente me daria razão. A abertura com "Ferrum Aeternum" é realmente muito chata, um instrumental com mais de 3 minutos que não serve pra nada. Mas a faixa título acaba com essa impressão, o som é bem produzido, os vocais são legais, temos as guitarras como base de tudo, apesar dos teclados sempre querendo aparecer mais do que o necessário. O que podemos dizer é que a banda realmente gosta de tocar rápido, assim como seus outros conterrâneos do Kalmah, a exemplo da faixa "Tale of Revenge", mas também temos momentos mais introspectivos com vocais limpos (ou quase) como em "Lost In Despair" ou em "Tears", com vocais femininos, uma música meio sei lá... A arte da capa, criada por Kristian Wahlin, é bem legal, com o guerreiro e seu cavalo em destaque e dois exércitos em combate, e o guerreiro na paz, como se assistisse TV, num estilo quase rústico. O coro em "Into Battle" enriqueceu a música, gosto destas partes que lembram gritos de guerra. A música de maior trabalho, e que ultrapassa 7 minutos é Lai Lai Hei (disseram pra escrever tudo maiúsculo mas achei melhor não), com bons momentos, tanto os acelerados quanto os mais calmos. Algumas versões trazem um cover até inusitado para o estilo do Ensiferum, "Battery" do Metallica que teve o instrumental bem fiel ao original, apenas os vocais surpreendem. Não é uma resenha de 20 anos que vai te direcionar a curtir ou não este álbum. Melhor ouvir e se decidir.

 

quarta-feira, 25 de dezembro de 2024

20 anos de Symphony of Enchanted Lands II do Rhapsody!!!


O sexto trabalho de estúdio dos italianos do Rhapsody é o início de uma nova saga lírica, e ganhou a voz de Christopher Lee, o ator que interpretou Saruman em Senhor dos Anéis, além de vários papéis como Drácula e outras participações em filmes da franquia Stars Wars e até 007. Lee é o narrador da história por trás deste álbum, e uma sacada genial da banda para catapultar seu som para um público que em 2004 tendia a se afastar do metal melódico e tão sinfônico que a banda praticava. O início com "The Dark Secret (The Ancient Prophecy / Ira Divina)" é digno de cinema, com a narrativa da criação dos sete livros, dos quais apenas o mais terrível e poderoso sétimo livro, e pelo qual sua busca se baseia esta saga. A primeira música real é a explosiva "Unholy Warcry". Esta talvez seja a música mais power metal do "Symphony of Enchanted Lands II" e a partir deste ponto podemos fazer uma analogia. Você não ouvirá nada mais agressivo neste trabalho. O que podemos dizer deste álbum é que ele é o mais sinfônico da carreira até aqui, deixando completamente em segundo plano as guitarras, e com os corais e orquestras à frente de tudo, talvez numa tentativa de maior imersão na história contada. "Never Forgotten Heroes" segue o batido da anterior, só que é menos direta e mais épica, enquanto "Elgard's Green Valleys" é apenas uma passagem de 2 minutos quase inteiramente na flauta, para dar início a "The Magic of the Wizard's Dream", uma faixa acústica, com boas melodias, refrão majestoso e letra serena, um interlúdio na batalha que está por vir. "Erian's Mystical Rhymes (The White Dragon's Order) é a primeira faixa épica com mais de 10 minutos. Com uma letra capaz de provocar delírios em jogadores de RPG de fantasias, ela traz algumas partes em que os teclados dão uma trégua, para enfatizar guitarras com riffs baixos, liberando a voz de Fabio Lione para brilhar, como ele sempre soube fazer. A música culmina em outra narrativa esplendorosa de Lee. "The Last Angel's Call" volta à tentativa de um power metal sem peso ou raiva, mas conecta um bom refrão e um belo solo de guitarra acompanhando as bases. "Dragonland's Rivers" também privilegia a flauta e dedilhados, com refrão bonito de igreja (hehe). A outra faixa que ultrapassa 10 minutos é "Sacred Power of Raging Winds", com bateria cavalgada e refrão épico. O play termina com "Guardiani Del Destino" para não perder costume de sempre ter alguma letra em italiano, a forte "Shadows of Death" e "Nightfall on the Grey Mountains". O Cd foi lançado com um DVD bônus com vídeo clipe para "Unholy Warcry" em 3 versões diferentes, mais making of do vídeo, da gravação do álbum e até cenas de gravação com Christopher Lee, que faleceu em 2015.


 

segunda-feira, 23 de dezembro de 2024

20 anos de Behind the Veil do Distraught!!!


O Distraught é aquela banda de Porto Alegre que todo banger deveria ver num palco algum dia. São riffs e mais riffs de guitarras despejados sobre o palco que deixam qualquer um com o pescoço dolorido. Mesmo sendo uma banda que tem um desempenho ferrado ao vivo, desde 1998 os gaúchos vem lançando ótimos trabalhos, com capricho e técnica. Em 2004 eles chegavam a seu terceiro play, o poderoso "Behind the Veil", que ultrapassou em qualidade os 2 trabalhos anteriores. O vocalista André Meyer está soltando a voz muito melhor agora, e mesmo que em alguns momentos ele cante de forma mais urrada como no álbum "Infinite Abyssal", e um exemplo disso é a faixa "Bloodisunity", na maioria das músicas sua voz está mais aberta e rasgada, algo que ficaria ainda mais latente no trabalho posterior. O instrumental também evoluiu, com mudanças de andamento mais naturais, e o trabalho dos guitarristas Marcos Machado e Ricardo Silveira ora vem carregado de palhetadas rápidas, ora traz um som mais trabalhado, porém sem soar muito melódico. O baixista Gustavo Stuepp segura bem a cozinha, e o baixo não é gorduroso, mas acompanha bem o instrumental e pode ser facilmente identificado em faixas como Secrets. A novidade é o baterista Éverton Krentz, que chegou mostrando qualidade e se encaixou como uma luva no som do Distraught. O soldado na arte da capa é uma alusão à parte lírica, que de certa forma é quase conceitual, com o personagem Trevor sendo citado em algumas faixas, todas mostrando cenários da Idade Média, como os cavaleiros templários, a peste negra e a Santa Inquisição. O álbum, lançado pela Marquee Records, não era fácil de encontrar quando foi lançado, (sim, o procurei diversas vezes logo após seu lançamento e não consegui adquirir) e hoje é um item raro na cena. Portanto, se tu tens em seu acervo, mantenha bem guardado, como os segredos revelados aos templários, que destruíram suas convicções religiosas.

 

quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

20 anos de Satanic Metal Kingdom do Impurity!!!

 


O universo black metal se popularizou no selo Gogumelo a partir do ano de 1993, quando Impurity e Amen Corner lançaram seus debuts pela gravadora, isso se você não considerar que o Sarcófago tenha sido uma banda de black metal, termo que não era utilizado em referência à banda naquela época. Portanto podemos dizer que o Impurity, que é de Belo Horizonte, seja um dos precursores do estilo infame, na cena mineira. Não que isso tenha rendido algum tipo de status à banda, já que eles nasceram e sobrevivem no underground até hoje, sendo conhecidos apenas em uma comunidade específica do submundo. Eles estão chorando por isso? Acredito que não. A banda, que chegava a seu terceiro trampo em 2004, ficara exatamente 8 anos sem lançar nada, vagando no limbo da sub existência, e neste meio tempo tudo que ouvimos de novidade foi uma versão para a melhor música do álbum Hate do Sarcófago, a pesada "Orgy of Flies", que saiu no tributo à melhor banda do Brasil em 2001. Desta feita o lançamento, intitulado "Satanic Metal Kingdom" saiu pelo selo "Kill Again", que começava a despontar no mercado nacional com lançamentos de bandas como Corpse Grinder e Violator. O som do Impurity é cru e ponto final. Não que melodias esporádicas não façam parte das canções, o dedilhado em "About The Flame And The Wind" derruba esta teoria, mas é que até nestas partes melódicas a banda consegue soar suja, sem nenhum tipo de aspiração a sons limpos e muito bem produzidos a la Andy Classen, mas apenas aquele som de garagem ou melhor, de porão mesmo. Existe sim uma galera que ama um som sombrio, sem o compromisso de soar bonito ou bem produzido e essa galera é bem fiel e estes álbuns são relíquias sagradas em suas caixas de sapato. E o melhor é que a banda não soa como garotos que não sabem tocar, pelo contrário, são caras que entendem o que estão fazendo e o fazem com orgulho e por gosto. O álbum "The Lamb's Fury" pode ser considerado um clássico do selo Cogumelo, mas em minha opinião, a banda soa muito melhor em "S.M.K.". As guitarras procuram variedade, mesmo que as mudanças de andamento não sejam uma regra nem se reproduzem como pulgas, mas elas deixam o som bem variado, a bateria corrobora com sons pouco explosivos, a banda soa bem densa e não temos nada de metrancas, o baixo aparece pouco e os vocais são roucos e cavernosos. Dos 5 membros, apenas o vocalista Ram Priest está na banda desde o início e todos os outros só participaram deste álbum. Caso você não conheça, vale a pena dar uma conferida.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

20 anos de Master of the Moon do Dio!!!


O último trabalho full do mestre Ronnie James Dio, uma das vozes mais representativas de toda a história do heavy metal. Master of the Moon foi gravado novamente pelo baterista Simon Wright e contou com a volta do guitarrista Craig Goldy, que conseguiu se redimir do trabalho mediano de "Mágica", Para o baixo voltou Jeff Pilson, 7 anos longe da banda, e o tecladista Scott Warren, desta vez creditado como membro da trupe. E percebe-se o esforço que esta galera fez para tornar "Master of the Moon" um álbum memorável. Conseguiu? Uma resposta bem particular, que vai depender do gosto de cada um. O que posso dizer é que foi uma despedida honrosa, e o melhor trabalho da banda DIO nos últimos anos. A capa é bem legal, com aquele demônio segurando uma lua de cristal se despedaçando como se fosse o senhor do espaço, sobre as nuvens, em tons azuis e lilás. A cara de jogos de RPG. A faixa que abre o álbum é simplesmente fenomenal, "One More For The Road" é digna de uma "TV Crimes", rápida, pesada, com um astral bem metal. Já a faixa título que vem em seguida é a típica música que busca identidade na época do Rainbow, uma canção atmosférica usada principalmente para privilegiar a fantástica voz de Dio. E meus amigos e amigas, criaturas noturnas, a cada música que rola ao ouvir este álbum, a gente vai se emocionando com a voz desse cara, que foi uma das maiores perdas da história do metal. Você pode ser aquele cara que prefere um metal extremo, mas não tem como não se render à voz poderosa de Dio, seus registros são memoráveis. Ouça o que ele faz em "Shivers" ou "Living the Lie", duas músicas que nem tem a característica de um instrumental voltado para a voz, pois são músicas super pesadas e heavy, assim com a faixa de abertura, mas Dio canta com uma voz tão poderosa que fica difícil imaginar que o cara já tinha passado por 62 primaveras quando "Master of the Moon" ganhou vida. Destaque ainda para as faixas "I Am" com uma interpretação perfeita, além de um refrão simples que mostra como Dio tinha recursos para transformar algo tão comum em algo que ficaria reverberando em nossa mente e nos obrigando a cantar junto. E a faixa que fecha o trabalho, a sensacional "In Dreams". Uma música pesada com um riff bem Sabbath, e Dio, (não me canso de dizer) dando uma aula de voz, talvez a melhor interpretação dele neste álbum. "Se eu sou um rio, então você é o mar / Em algum lugar você me encontrará / Sozinho nadando aqui em êxtase / Se eu sou silêncio, você deve gritar / Mas eu não te ouço / Estou em um lugar que eu nunca vi antes" Agora nós sabemos, Ronnie! E um dia também estaremos em um lugar que também nunca vimos!

 

domingo, 15 de dezembro de 2024

20 anos de XES Haereticum do Enthroned!!!


SEN-SA-CIO-NAL!!! Não há tantas palavras para definir o sexto álbum do Enthroned, "XES Haereticum", a maior banda belga de black metal, que está à frente no panteão do estilo mais execrável do metal sombrio, ao lado de ícones como Marduk e Immortal. Lançado em 2004 pela Napalm Records, ele ficou marcado como o último trabalho da banda a contar com o vocalista Sabathan, uma perda irreparável na trajetória da banda. Depois do irrepreensível "Carnage in Worlds Beyond" não imaginava que os belgas conseguiriam gravar um disco tão bom quanto, mas eles não fizeram isso, eles conseguiram se superar. Não vou comentar aqui a mudança climática que a banda adquiriu do próximo trabalho em diante para não macular esta resenha, então aprecie as próximas palavras, com muito saudosismo. O álbum abre com a ultra porrada "Crimson Legions", despejando um som esporrento como a banda sabia fazer, com riffs rápidos, baixo acelerado, bateria extrema e vocais rasgados. As guitarras de Nornagest e Nerath Daemon mostram um time bem entrosado, mas o peso não é uma característica, elas são como serras cortando seus membros, enquanto o baixo de Sabathan segura as brechas não deixando espaço para buracos. O batera Alsvid continua socando tudo com uma estupidez digna de um bárbaro bêbado após jarras de hidromel numa pocilga noturna. E o vocal de Sabathan lembra um cachorro gripado e com ódio. Em seguida temos uma das melhores músicas do trampo, "Dance of a Thousand Knifes (Moksha Bhakti)", totalmente insana. "Last Will", que às vezes fica em segundo plano carrega alguns riffs quase thrash e merece mais atenção. A primeira novidade fica por conta de "Blacker Than Black", que tem uma primeira parte cadenciada, mostrando que você nem sempre precisa correr para mostrar que tem ódio jorrando nas veias e fogo nas ventas, essa música tem uma atmosfera tão maldita que chega a arrepiar. O início de "Vortex of Confusion" com um baixo bem proeminente chama atenção, uma música com mais de 7 minutos que quase chega a ser a canção épica do play, mas se mostra outro arrasa quateirão. Depois de uma faixa instrumental chamada "A.M.S.G." temos outras duas canções inadequadas para ninar crianças, as pancadarias "Demon's Claw" e "Night Stalker" para enfim chegarmos na tal faixa épica, maravilhosa, arrepiante e pestilenta "Seven Plagues, Seven Wraths (XES Revelation)". A banda soube aproveitar seus pouco mais de 7 minutos condensados em tudo que uma música de black metal épico pode ter, refrão carregado e vocais limpos paralelos aos vocais rasgados, passagem acústica com direito a um som oriental belíssimo. Os vocais limpos ficaram a cargo do produtor Harris Johns. Uma música para ser tocada 1000 vezes sem enjoar. O play convencional fecha com a poderosíssima "Helgium Messiah", outra porrada extremamente agressiva e cativante para os amantes das artes bélicas do underground. A versão brasileira e outras ao redor do mundo têm 3 bônus, "Crucified Towards Hell", "Satanic Metal Kult" (que coisa linda eles fizeram antes do grand finale desta música, com aquela bateria metrancada" e o cover belíssimo de "Under the Guillotine" dos mestres alemães do Kreator. "XES Haereticum" não apenas merece estar em sua coleção. Ele é um item obrigatório!


 

sexta-feira, 13 de dezembro de 2024

20 anos de The Greater of Two Evils do Anthrax!!!


Regravar seus próprios clássicos sempre foi um risco, e poucos saem vitoriosos nesta tarefa. Existem bandas que nem tocam ao vivo as músicas gravadas com formações anteriores, mesmo que em alguns casos, as formações anteriores tenham gravado coisas tão boas, que nós fãs gostaríamos de ver como os novatos se saem com aquelas músicas. Talvez seguindo esta linha os americanos do Anthrax tenham comemorado seus 20 anos de lançamento do clássico debut "Fistful of Metal" de 2004, regravando pérolas de seu passado com um novo guitarrista, no caso Rob Caggiano no lugar de Dan Spitz, e mais claramente falando do vocalista John Bush cantando músicas famosas nas vozes de Neil Turbin e o monstro Joey Belladonna. Bush foi um vocalista aceito por muitos fãs, inclusive eu amo "Sound of White Noise", mas a maioria sempre pediu pela volta de Belladonna, que gravou os maiores clássicos do Anthrax, portanto "The Greater of Two Evils" é olhado como uma heresia na discografia dos americanos. Eu não coloco desta forma. Claro que esta formação não se sobressai ao que fez no passado, e se tiver que escolher entre "Caught in a Mosh" ou "Indians" dos anos 80 e de 2004 fico obviamente com as velhinhas. Mas como também sou um fã de Bush, é legal ouvir algumas versões em sua voz, como na pesada "Keep It in the Family". O maior problema deste lançamento de 20 anos atrás nem é a voz de Bush substituindo a de Belladonna, mas a gravação e produção. É legal de uma forma, pois parece que os caras estão tocando ao vivo, ou ensaiando, então tudo parece bem espontâneo. Por outro lado, as guitarras não têm aquele som limpo e clássico do thrash oitentista, e soam com muito mais groove e sujeira, como o metal do fim dos anos 90. Sei que isso deve ter sido proposital, pois combina melhor com a voz de Bush, inclusive os álbuns que o Anthrax gravou tendo ele como frontman foram assim. Então este álbum de regravações não é descartável e nem essencial, ficando naquele meio termo que serve para fãs fervorosos ouvirem de vez em quando para relembrar destas versões daquela fase imperdível. É como assistir aos mais recentes filmes de Karatê Kid ou Cemitério Maldito. Você se diverte mas vai correndo atrás do DVD original depois.

 

terça-feira, 10 de dezembro de 2024

20 anos de Anphisbena do Opera IX!!!


A banda italiana Opera IX foi mais uma banda de metal extremo que respirou novos ares com o passar do tempo. Conhecida por ter a vocalista Cadaveria à frente por nove anos, em seus 3 primeiros trabalhos, a banda praticou um black metal tendendo para o lado gótico, principalmente em seu terceiro full. No quarto opus, já com o vocalista Madras em seu posto, a banda apresentou nuances mais pagãs, e acredito que tenha conservado um pouco disso neste quinto álbum, "Anphisbena", lançado em 2004 pela Avantgarde Music. E houve um crescimento no som da banda, que continua praticando um som extremo e mais compacto. Os teclados podem entregar uma banda caminhando em uma linha próxima ao symphonic black, mas não podemos caracterizar assim o som do Opera IX, não ainda. As músicas são bem agressivas, mesmo que não se sobressaiam a ponto de serem lembradas num contexto específico. Elas acabam fazendo parte de um todo sem destaques individuais. O novo vocalista Marco De Rosa (M. the Bard) entrega um trabalho mais consistente que Madras, e tem um vocal mais forte, porém sem muitas alternativas. A faixa "Immortal Chant" é uma boa pedida para quem quer conhecer a banda, ela tem uma pegada épica interessante e deixa transparecer aquilo que a banda almeja, com mudanças de andamento que não incidem diretamente na velocidade, mas mostram faces diferentes da mesma moeda. A introdução pagã de "In Hoc Signo Sanguinis" chama atenção e ao lado da curta "Scell Lem Duibh (Song of Death)" mostram melodia ritualísticas e até bélicas, destoando do black metal simples. A capa é bem folk, trazendo, como de costume, a figura feminina a qual todos os fãs já vislumbram da banda. "Battle Cry" é uma música bem interessante também, um dos destaques do álbum, pela agressividade, apesar de seus quase 11 minutos, ela não tem a presunção de soar épica, mas carrega um ódio natural, e o baterista Dalamar desce a mão sem dó, ele que ao lado de The Bard, debuta na banda. A faixa título tem vocais masculinos totalmente folk, lembrando o álbum anterior, alternados aos rugidos black, e é o maior exemplo da mudança de ares que citei no início desta resenha. Até flauta e gaita de foles encontramos nesta faixa. E para finalizar uma versão para a melhor música escrita pelo mestre Quorthon, "One Road to Asa Bay" do eterno Bathory, mas acho que eles exageraram nos teclados nessa aqui.

 

domingo, 8 de dezembro de 2024

20 anos de Templars Beholding Failures do Queiron!!!


Lançado pela Mutilation em 2004, "Templars Beholding Failures" é o segundo álbum dos death metalers de Capivari, no interior paulista. Com uma arte de capa mais aprimorada que em seu debut de 2002 (Impious Domination), o Queiron também melhorou seu som, mostrando um metal hiper extremo para destroçar pescoços. "Templars..." não tem a intenção de soar belo ou melódico em nenhum momento de sua existência, mas sim de despejar um metal aterrador explosivo, independente da técnica de seus músicos não chamar tanta atenção, esses caras queriam seguir o legado avassalador do Krisiun. A massa sonora não se diversifica constantemente, talvez apenas a honrosa intro "Odium Denuntiatus" tenha uma desenvoltura diferente do restante do álbum, e ficou bem interessante. A primeira música é o extremo dos extremos, "Summon Sacred Vengeance" é pura detonação nuclear, sem tempo para respirações, temos riffs velozes, uma bateria incansável que te metralha no paredão mesmo muito tempo depois de sua alma já ter deixado seu corpo perfurado, e vocais guturais impiedosos. Já a faixa título traz algumas incursões diferenciadas nas guitarras, quase tendendo ao thrash em seu estado mais avassalador. Os solos também são intensos, como na faixa "Horde of the Devastation's Command", que consegue mostrar nas bases um pouco de influência de Morbid Angel, caso preste bem atenção. O mantra "Ejura Nandejara Pay' yPo Nando Toracua Pora Ha Jajai" traz uma base de guitarra mais slow e pesada, entremeada por um solo de guitarra e com a frase do título repetida o tempo todo. O que a frase significa, acho que só a banda saberia explicar. O trio que gravou este álbum é o mesmo do debut, o que ajudou na consolidação da brutalidade sonora do Queiron, sendo Marcelo Grous na guitarra e vocais, Tiago Furlan no baixo e Daniel Toledo na bateria. Um álbum que não surgiu para mudar o cenário, mas seguiu o caminho de uma tonelada de bandas que se identificaram com o brutal death metal do início do milênio, mas veio de uma das poucas bandas que se destacaram neste quesito.

 

20 anos de Mein Weg do Bethlehem!!!


Onde estão os gritos desesperados e cheios de angústia? E aquela guitarra mórbida que parecia sair de uma caverna escura? E que capa tenebrosa é essa? O Bethlehem da Alemanha se transformou em uma coisa difícil de entender. O início com "Aalmutter" parece trazer Til Lindemann do Rammstein cantando em dueto com Tilo Wolff do Lacrimosa. E a guitarra é tão morna que há uma grande chance do ouvinte dormir na primeira música. "Allegoria" segue o mesmo padrão, mas ao menos as melodias suaves são agradáveis, mas quando Meyer de Voltaire tenta vocais extremos, parece sair totalmente de linha, sendo que este tipo de vocal seria o óbvio para quem conhece a banda de longa data e estava afim de ouvir um dark black metal, mas o Bethlehem suavizou seu som demais. Eu sei que bandas como Moonspell e Tiamat fizeram o mesmo anos atrás, ou até mesmo o Ulver, e quer saber? Cada um faz o que quiser com sua banda, mas a partir do momento que você fornece arte e entretenimento para um público que te segue por aquilo que você criou e não por aquilo que você quer fazer, as mudanças extremas passam a ser uma falta de respeito com seus fãs. É um pensamento extremista? Sim, mas pense bem, no fundo muitos de vocês vão concordar que faz algum sentido. Se você toma sorvete de baunilha a vida inteira, você não quer chegar na sorveteria e pedir uma casquinha de baunilha e sentir gosto de morango ao colocar na boca. Mas se você é daqueles que diz "me dê qualquer sabor, gosto de todos", pode ser que vá ouvir este álbum numa boa. Tem coisa legal, não me entenda mal, só não é o que eu estava preparado para ouvir. A música "Knochenkorn" por exemplo tem ao menos uns 20 segundos aqui e ali que te fazem lembrar que é a mesma banda que gravou "Dictius Te Necare". E "Frl. Deutsch" tem um dedilhado triste que acalma o coração, caso você curta bandas como o "Clouds". E para terminar a bizarrice, tem uma faixa escondida ao final do álbum, chamada "My Way", que ficou famosa na voz do conhecidíssimo Frank Sinatra (???), mas fizeram a versão o mais próximo possível da versão de Sinatra, o que torna tudo mais estranho ainda, apesar de que foi até legal ouvir este descabimento no trabalho de uma banda que já foi classificada como depressive suicide black metal. 

 

terça-feira, 3 de dezembro de 2024

20 anos de Just The Two of Us... Me And Them do Mindflow!!!


A banda Mindflow de São Paulo lançou seu primeiro trabalho em 2004, este "Just The Two of Us... Me And Them", pela desconhecida "Heavencross Records", após um início de forma independente, com gravação no estúdio Mosh da terra da garoa. Composto por Miguel Spada nos teclados, instrumento importantíssimo no som da banda, Rodrigo Hidalgo na guitarra e backing vocal, Ricardo Winandy no baixo, Rafael Pensado na bateria e backing vocal e o vocalista Danilo Hebert, o Mindflow é adepto do prog metal. Duas coisas há de serem ditas sobre este debut, doa a quem doer. Por ser um primeiro trabalho e um estilo que exige muito mais do que técnica com instrumentos para chamar atenção de um público, "Just the Two..." sofre um pouco com a experiência de início de carreira da banda, gravando um álbum que chega a passar uma ideia de "perdidos no espaço". Há quem diga que a maior influência da banda são os americanos do "Dream Theater", banda que não conheço praticamente nada, portanto não tenho muitos parâmetros para descrever o som inicial do Mindflow, que já contei pra vocês ter conhecido e me apaixonado anos depois em um jogo de guitarras. A outra coisa a se dizer deste trabalho é que os músicos já eram muito bons, muito mesmo, cada um a seu instrumento, e nos momentos mais naturais (ou menos estranhos) eles mostram que viriam ser a ótima banda em que se tornaram anos depois, mesmo que tenham perdido alguns fãs ao se distanciarem um tanto do prog metal, e ganhado outros. Eu sei que sou chato com o som que fuja do tradicional, independente do estilo metálico, mas uma resenha nada mais é que uma opinião pessoal que algumas pessoas buscam para concordar ou discordar e isso é saudável quando o respeito é mútuo, então, posso dizer que mesmo respeitando muito a banda, seu primeiro álbum não é algo que terei vontade de ouvir novamente. Ok, uma coisa a mais é de se tirar o chapéu, a voz de Danilo. Cara, independente da estrutura das músicas, o cara canta uma enormidade impressionante, podendo ser comparado a gênios como André Matos. O play passa dos 60 minutos e se tivesse só 35 das melhores coisas apresentadas aqui, seria um discasso! Mas é um álbum conceitual de prog metal de uma banda jovem, então está explicado. Você é muito fã de prog e só conhece os gringos? Ouça isso!

 

segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

20 anos de By The Grace of Evil do Drowned!!!


Que a minha mão esquerda que ama o "Bonegrinder" não veja o que estou escrevendo com minha mão direita nesta resenha de 20 anos de "By The Grace of Evil" dos mineiros do Drowned. Porque o terceiro full dos quebradores de ossos é o álbum mais notável da discografia da banda. Da arte gráfica, a cargo do vocalista Fernando Lima pela primeira vez em sua própria banda, ao último segundo tocado, este trabalho mostra uma banda com a criatividade escorrendo pelos poros. O título do álbum, para continuar com a saga de nomes com a letra B, é uma sacada inteligente, e mostra bem o que as letras mais demoníacas da banda viriam a dizer, e todas as ilustrações no encarte, com seus pazuzus e afins condizem com o título. Aquele gárgula chifrudo com a língua de fora em tons azuis e borrões de vermelho emulando sangue trouxe uma arte fria e muito bonita (pras pessoas de mal gosto como nós, tenho que concordar). E o que torna este petardo melhor que os anteriores? Logo no início de "XIII Chapter (Nothing Stops the Killing)" temos um som mais cadenciado, e essa característica acaba sendo um pouco mais preponderante no álbum em decorrência de "Butchery Age", "Back From Hell" ou "Bonegrinder", álbuns mais viscerais no sentido da velocidade. Mas "By the Grace..." não chega a ser um álbum arrastado, muito menos cheio de groove, ainda é death thrash em sua essência, e músicas como "... only a Business", para citar só uma, tem muita velocidade e um riff bem forte. Mas as melodias que aparecem em forma de dedilhados, ou os vocais limpos, ou quase limpos do guitarrista Marcos Amorim, dão aquele tom melódico ao petardo, ao contrário de "Butchery Age" onde os riffs de guitarras eram mais melódicos. Este álbum também tem o privilégio de ter a melhor música já composta pela banda, a sensacional "Ak-47", uma música até curta (menos de 4 minutos) para se tonar um clássico, mas que tem um poder de fogo como pequenos petardos têm poder de ter (quem lembrou de Aces High aí?). Ela tem um intervalo onde um dedilhado acompanhado pela bateria te empurra para um clima ameno e logo em seguida te traz de volta para a violência sonora novamente, além de apresentar um solo soberbo de guitarra. Outra preocupação dos músicos do Drowned neste play foi com os refrãos, muito bem encaixados e na maioria das vezes com rimas perfeitas, como em "The Son Will Not Return", além dos riffs cavalgados que esta faixa tem, outra das melhores do álbum. Se você não conhece o Drowned a fundo, ou este álbum em específico, faça o favor de conferir essa pérola, que afirmo com segurança, ser um dos maiores lançamentos do selo Cogumelo nos últimos 20 anos!
 

domingo, 1 de dezembro de 2024

20 anos de Reign of Light do Samael!!!


O Samael da Suíça foi a banda responsável pelo meu gosto pelo metal negro, ao lado e na mesma época que os gregos do Rotting Christ, portanto eles têm papel fundamental e indiscutível neste sentido. Ouvir o que esta banda fez até o álbum "Passage" é ainda hoje, um prazer e traz recordações saudosas, daquelas que todos nós temos de uma época de descobertas musicais que mudaram nossas vidas. Portanto, para mim, existe uma relutância natural quanto a tudo que os suíços fizeram a partir do álbum "Eternal", pois os irmãos Xytras e Vorphalack simplesmente abandonaram o black metal e caíram de corpo e alma no metal industrial, um estilo que nem passa perto de minhas preferências mais distantes, a menos que seja um Fear Factory. "Reign of Light" é a segunda cartada da banda nesta direção e certamente um trabalho mais coeso que o anterior. O que ouvimos aqui apresenta no instrumental muita coisa próxima de "Passage", como se pegassem a base daquele álbum e colocassem uma carcaça industrial por cima, e por si só já é um ponto interessante, já que a base remete a um trabalho, que se não podemos chamar de black metal raiz, ao menos foi o último suspiro ameaçador da banda. O início com "Moongate" traz elementos orientais pouco inerentes ao Samael, algo dispensável mas que mostra que os dois músicos buscavam diversificar seu som sem limites, e que se danem os puristas. Os vocais em "Moongate" também não são os melhores, privilegiando o lado eletrônico de walk talk de filme futurístico de segunda categoria. Mas de "Inch' Allah" em diante Vorph canta a maioria das músicas com aquele vocal rouco que conhecemos, minimizando os pontos negativos. Inclusive temos algumas músicas bem legais, como "Oriental Dawn", que parece que pegaram uma música do Passage e mudaram a letra, o que já seria melhor em todo o álbum ao invés de parecer uma cópia mal feita de Rammstein. A letra de "On Earth" chama atenção por algo inusitado, ao citar várias cidades ao redor do mundo, inclusive Rio e Brasília, mas parece que pegaram um mapa mundi para escolher os lugares famosos politicamente ou turisticamente porque se fossem observadas raízes do metal extremo, BH não poderia ficar de fora. O Samael melhorou de Eternal para "Reign of Light", mesmo que tenham escolhido um caminho mais seguro, redecorando um álbum de sucesso, mesmo que visto com esgar por muitos garotões true, que foi o "Passage", mas eles tinham maneiras de não soarem repetitivos dentro de sua nova jornada, algo que viria em álbuns futuros, mas que naquele momento provocaria feridas ainda maiores na reputação da banda, então deixemos como está.  



 

domingo, 24 de novembro de 2024

20 anos de Isa do Enslaved!!!


O oitavo álbum do Enslaved da Noruega, Isa, continua a saga de black metal progressivo da banda de Grutle Kjellson e Ivar Bjornson, porém... contando os 2 álbuns anteriores, Isa é aquele que mais aproxima a banda de um som normal, se podemos classificar o progressivo como tudo aquilo que fuja do padrão. Temos um trabalho que figura muito mais dentro das barreiras do black metal, mesmo que tudo esteja um pouco além, como podemos ouvir nos riffs de guitarras. Após a intro "Green Reflection", que dá uma impressão contrária da obra, pois te faz pensar que os caras descambaram para "Black Floyd" de vez, temos "Lunar Force", talvez a música mais negra dos últimos anos, ao menos no instrumental, com guitarras rasgadas entoando riffs quase death metal, que são distribuídos ao longo da música e retornam ao fim, após uma interjeição mais melódica e quase espacial. Já a faixa título que vem na sequência, carrega o mesmo sentimento black, mas os vocais limpos no refrão são melodicamente inseridos para apresentar uma nuance mais clean, de bom gosto, inclusive. Já "Ascencion" é uma faixa quase doom, e carrega uma tristeza pouco usual no trabalho do Enslaved, diferenciada, porém enriquecedora do ponto de vista da variedade musical que um bom álbum possa ter.  Enquanto músicas como "Bounded By Allegiance" apresentem um som mais melódico, com guitarras bem legais, a banda explora os elementos mais psicodélicos em "Neogenesis", beirando 12 minutos de várias faces, mas com um riff simples dando a tônica das coisas, e mesmo com todas as explorações, e o órgão aparecendo com mais veemência, temos uma música inspirada, de atitude, e que pode ser classificada como uma das melhores da obra ou da carreira do Enslaved. Isa certamente é o melhor trabalho do início do milênio da banda, considerando 4 lançamentos, talvez porque eu seja um pouco tradicionalista demais, talvez porque seja bom mesmo. Fica a seu critério. 

 

quarta-feira, 20 de novembro de 2024

20 anos de Souls To Deny do Suffocation!!!


Seis anos após seu último trabalho, o EP "Despise The Sun" e nove anos após um último full, o Suffocation da terra do tio Sam se reunia para tirar o atraso deste hiato e colocar um novo petardo no mercado fonográfico. A bolacha da vez é este "Souls To Deny", um álbum de 38 minutos com todas as características que o death metal dos anos 90 esbanja. A arte da capa, é claramente uma obra do mestre inglês Dan Seagrave, naquele mesmo estilo da arte de "Transcend To Rubicon" do Benediction de 1993 ou "Where Ironcrosses Grow" do Dismember, também de 2004, num cenário apocalíptico com uma perspectiva de profundidade excelente, dando uma amplitude gigante para um cenário bizarramente pequeno na palma de suas mãos, e ainda melhor com o logotipo do Suffocation por cima de tudo. Na formação, temos a ausência do guitarrista Doug Cerrito, mas Terrance Hobbs tem a seu lado Guy Marchais que, a meu ver, trouxe um pouco mais de melodia ao som do Suffocation. Como o baixista Chris Richards não chegou a um acordo para o retorno da banda, eles gravaram o petardo ainda com o posto vago, ficando o baixo, que é bem tímido no álbum, dividido entre Hobbs e o baterista Mike Smith, que retornava à banda, depois de gravar os 2 primeiros álbuns, "Effigy of the Forgotten" de 1991 e o conhecidíssimo "Breeding the Spawn" de 1993, e esse cara toca muito! Musicalmente a banda não mudou muito seu som, apenas incorporou mais técnica sutilmente, enquanto temos algumas guitarras tocando sons distintos na mesma sequência, como você pode ouvir na porrada que encerra o álbum, a poderosa "Tomes of Acrimony". Não temos muitos blast beats intermitentes, mas eles aparecem por aí, enquanto os break downs estão por toda parte, para a alegria dos bate cabeças. No início da faixa "Souls To Deny", temos o som de almas penadas gritando, enquando o vocalista Frank Mullen grunhe, e isso remete ao "Subconscious Terror" de 1990 do Benediction. "Souls To Deny", o álbum, não é aquele clássico para se lembrar imediatamente quando o assunto é o Suffocation, mas ele cumpre bem seu papel de retorno à ativa da banda, e não deixa a desejar em suas composições, todas fiéis ao death metal brutal proposto por eles. O ponto negativo para este álbum é a produção, que poderia ser bem melhor, dando mais potência a tudo, inclusive os vocais, que parecem não estar na posição correta quando ouvimos o play. No mais, pule no mosh e divirta-se.

 

segunda-feira, 18 de novembro de 2024

20 anos de Lepta (Лепта) do Arkona!!!


Considere esta resenha uma continuação da última que publicamos, já que estamos falando do segundo trabalho do Arkona, banda russa que debutava em estúdio em 2004 e em alguns meses já chegava a seu segundo play em uma média de 6 meses. Agora "Lepta", sucessor de "Vozrozhdenie", chega sem muitas alterações em relação a seu predecessor. Não que você não vá identificar algumas características determinantes entre eles. A começar pela arte da capa, agora temos algo bem mais chamativo, mostrando que a banda de Masha não foi forjada para se esconder do mundo, mas pretendia entrar rapidamente para a elite do folk metal mundial, coisa que realmente conseguiu. As músicas neste segundo trabalho continuam dependentes dos teclados, e muita coisa apresentada nele se baseia em melodias das teclas, mas se engana quem pensa que não irá encontrar muito metal em todo o álbum. Os vocais rasgados de Masha estão mais aparentes, ficando de lado aqueles rosnados quase guturais tão interessantes no debut. Você pode até achar o uso da flauta um pouco abusivo, mas estamos falando de uma banda de folk, então engula isso. Ele também é um trabalho bem mais curto (aleluia), 41 minutos é o bastante para apresentar seu som, o que não dá pra aguentar são álbuns de 80 minutos onde 30 são claramente "encheção de linguiça". Os vocais limpos da moça continuam lá, mas percebi que houve uma redução neles, talvez para compensar uma perda na obscuridão do debut, pois este trabalho é mais direto. Em alguns momentos a coisa descamba para o viking metal com gritos de guerra, como encontramos no Valdr Galga do Thyrfing, o que ficou bem legal. Enfim, o Arkona chegou querendo um lugar ao sol, e nada mais justo para quem veio de um dos países mais gelados do planeta (confesso que essa foi horrível). Um álbum que não vai te decepcionar, caso não tenha tropeçado nele nestes 20 anos.
 

sábado, 16 de novembro de 2024

20 anos de Vozrozhdenie (Возрождение) do Аrkonа!!!


O Apkoha (ou Arkona) é uma banda russa de folk/pagan metal, criada em 2002, e este Vozrozdenie é seu álbum de estreia, mesmo que tenham lançado outro trabalho no mesmo ano, mas esta é outra história. A Rússia é, aos nossos olhos, um mundo diferente daquele que vivemos no Ocidente, seja geograficamente ou socialmente, e uma banda daquela região que quebra estas fronteiras, certamente merece nosso respeito, independente de qual sub gênero de metal eles toquem. Digo isso porque o folk ou pagan metal que o Arkona faz, foi um estilo que ganhou grandes proporções em determinado período, com bandas como Turisas e Eluveitie, mas que tem um público bem distinto, e nunca foi abraçado por toda comunidade metal, recebendo muitas vezes alcunhas de um estilo risível, para não aprofundar muito em polêmicas. Mas este álbum, mesmo que apresente aqueles instrumentos típicos da música celta, ainda tem muitas características metal, com bons riffs de guitarra e vocais rasgados, femininos e masculinos. É difícil citar alguma música quando não se entende nada do que está escrito e impronunciável, mas podemos dizer que a vocalista Masha "Scream" (a princípio a idealizadora do projeto) tem um grande destaque no trabalho, seja com sua voz limpa ou rasgada e nos teclados que são preponderantes em toda a obra. Mas o trabalho não parece uma colcha de retalhos, como algumas obras do estilo, pelo contrário, ele tem bastante coesão, as melodias folk são bem encaixadas na estrutura das músicas e não soam forçadas. Os vocais extremos dão aquele toque black metal, enquanto a bateria também arrisca ataques acelerados. Existem informações de que este e alguns outros lançamentos do início de carreira do Arkona foram relançados tempos depois, com foco no mercado ocidental, mas a versão que ouvimos para esta resenha foi a original russa. Um começo com pé direito de uma banda que inclusive, já veio tocar no Brasil em duas ocasiões uns 12 anos atrás. 

 

quarta-feira, 13 de novembro de 2024

20 anos de Graveyard Classics 2 do Six Feet Under!!!


Sabe quando você está com seus amigos tomando todas num bar, e quando todo mundo está pra lá de Bagdá alguém elogia alguma coisa legal que você fez no passado e de repente você e todos os outros decidem fazer algo parecido novamente, mas é claro que não será da mesma forma, afinal hoje vocês estão bêbados! É a minha visão patética quando penso que Barnes e cia decidiram gravar Graveyard Classics 2. A primeira versão, lançada no ano 2000, foi algo interessante de se ouvir, pois tivemos vários hinos do rock e metal, como Black Sabbath, Deep Purple e Venom sendo executados por uma boa banda com um vocal destoante e ultra gutural. Eu amo death metal e o vocal gutural, e acho muito foda quando uma banda faz uma versão ultra violenta de algum clássico antigo, como o Cannibal Corpse fez com "No Remorse" que, convenhamos, nem é tão antiga, mas... voltemos ao bar onde nossos amigos estão reunidos, despojados, com garrafas por todos os lados e um deles diz: "a versão mais legal daquele álbum do ano 2000 foi TNT do AC DC!" Opa, concordei com aquele camarada, ele falou uma coisa legal, TNT realmente ficou demais na voz de Chris Barnes. Daí outro cara fala, "Deveria fazer um disco só com cover do AC DC." Nessa hora já fico mais atento à conversa, pois essa não parece uma ideia muito boa, afinal AC DC nem é uma das minhas bandas favoritas, mas alguém levanta uma garrafa e grita "ISSO". Outro camarada se levanta e diz olhando nos olhos de Chris, "mas tem que ser o álbum 'Back In Black', o maior sucesso dos caras", e todos gritam e brindam e já vão pegando seus instrumentos enquanto o barman já imita um sino com batidas com uma colher numa garrada de rum pra dar início a "Hells Bells" e eu olhando pra todos os lados sem entender nada, e pergunto para um amigo: "Eles estão de zoeira, não é?", mas ele diz que não, que eles eram loucos assim mesmo e que um cara da Metal Blade estava no meio deles e iria gravar aquela porra. Depois desta viagem e após 20 anos eu vejo esse trabalho como um suicídio comercial, mas tudo bem, ele não é ruim de ouvir, acredito que apreciado muito mais por um fã de death metal que por um fã de AC DC, e rola legal naquele churrasco com os amigos, até que alguém peça pra colocar o original. Mas caras, não façam isso novamente. E pra não dizer que não falei da capa, parece um xerox mal impresso em uma impressora precisando trocar o toner.

 

sábado, 9 de novembro de 2024

20 anos de Nymphetamine do Cradle of Filth!!!


Eu, particularmente, considero "Nymphetamine" o último grande álbum de uma fase anterior aos álbuns mais marcados pelo gótico, mesmo que este play já tenha introduzido muitas nuances próximas deste estilo mais clean, em em contraste ao black metal mais ríspido (não cru) que estes ingleses fizeram em trabalhos anteriores. Outrossim, ele é um trabalho muito superior ao "Damnation And A Day", única aposta da Sony Music, pois aqui eles migraram para a Roadrunner, aquela mesma que ganhou muita grana com Sepultura, Obituary e Deicide e um tempo depois praticamente abandonou seus filhos preciosos. Mas cara, esse álbum tem muita guitarra. Germs Warfare que entrou na banda certamente contribuiu para isso, há momentos, como no final da música "Nemesis" que parece que você está ouvindo um álbum de Thrash Metal ou o início de "Filthy Little Secret, e outros como em "Absinthe With Faust" que parecem ter saído de um álbum de death metal, além de solos por todos os cantos. A participação especial de Liv Kristine do Leave's Eyes e claro, o eterno Theatre of Tragedy, trouxe um personalidade marcante para este álbum, primeiro porque ela canta com sua voz angelical a la Aegis na faixa título do álbum, que é repetida numa versão poderosa no final, e não apenas faz seu papel, mas deixa implícita sua marca, como se a música tivesse sido escrita para ela. Outras músicas são especiais neste trabalho, como a mezzo time "English Fire", que tem o melhor trabalho de teclados do álbum. Não posso deixar passar aquela que hoje em dia (20 anos depois) se tornou minha faixa preferida de Nymphetamine. A sensacional "Gilded Cunt". Ok, você que manja de inglês deve estar falando, "fica criticando o funk nacional por causa das letras e manda essa". Ok, as letras inúteis do funk brasileiro são apenas um percentual de todo o lixo que ele representa, então pegue a letra inteira de "Gilded Cunt" para tirar a impressão de pura pornografia e luxúria. Mas o melhor dessa canção não é a sugestão erótica, e sim o lado extremo que ela evoca, a fúria do instrumental e a raiva com que Dani grita as estrofes, como se estivéssemos de volta ao cenário caótico e saudoso de "The Beauty And The Beast", meu álbum preferido do Cradle of Filth, aquele que me fez me apaixonar pela banda, após uma audição anterior que me fez torcer o nariz. Enfim, "Nymphetamine" tem uma produção excelente que deixa todos os instrumentos equilibrados, tem os teclados na medida certa, necessários sem soarem pretenciosos, uma bateria acelerada e um vocalista ainda raivoso, com participações singelas de vocais paradisíacos. A capa não é a mais bela da banda mas corrige o erro do álbum anterior. Um grande álbum.

 

sábado, 2 de novembro de 2024

20 anos de Illusion's Play do Shape of Despair!!!


O Shape of Despair é uma banda finlandesa de funeral doom com nuances atmosféricas, que chegava em 2004 com "Illusion's Play", seu terceiro full álbum, lançado pela Spikefarm Records. Conservando a mesma formação do álbum anterior, "Angels of Distress", de 2001, e com poucas alterações desde o debut, incluindo aí o vocalista Pasi Koskinen, aquele mesmo do Amorphis, a banda se consolidava em um nicho de metal totalmente underground, o funeral doom, apreciado apenas por aqueles que reviram ossos das catacumbas mais obscuras, em busca de um som com total ausência de espírito e muita desolação. O play abre com uma música instrumental de mais de 6 minutos, e por aí se tem noção de que a banda não se preocupa com parâmetros e segmentos. Doa a quem doer, aprecie se puder. Já a segunda faixa, "Still-Motion", passa dos 16 minutos e traz um som de guitarra ultra pesado, rastejante, com uma bateria hipnótica e envolvente, onde o vocal gutural penetra em sua mente, levando palavras de sofrimento, busca interior para reconstruir um passado, mesmo que distante de sua própria fé. Os teclados de Jarno Salomaa, que também toca guitarra junto a Tomi Ullgrén (Impaled Nazarene), entram e fazem um papel preponderante nesta música, transformando aquele death doom carregado em um som atmosférico e viajante, que dura mais de 6 minutos. Já "Entwined In Misery", mesmo possuindo teclados pingando de todos os poros, não tem uma seção rítmica extremamente longa que possa te fazer trocar de faixa, mas momentos que funcionam como uma válvula de escape para o peso. Aos poucos você vai percebendo vocais limpos (masculinos e femininos, estes a cargo da Natalie Koskinen), um diferencial que pesa quando você se concentra no som, uma vez que no caso de você ouvir este álbum estudando para a prova de matemática de amanhã, certamente não irá se dar conta de suas existências clean. O Shape sabe subir e descer a ladeira, passando por curvas apertadas, porque corre numa velocidade de caramujo, e fazem isso muito bem, alternando momentos drásticos a outros bem sensíveis. Sabe quando você puxa 40 kg na academia e volta devagar para o ponto de partida? É mais ou menos isso que eles fazem nestas músicas, principalmente em "Fragile Emptiness". Um álbum indicado para os amantes da música fúnebre, e que sobreviveu ao teste do tempo porque o doom é assim, se arrasta pela eternidade e não se prende a nada que se possa chamar de moda.

 

segunda-feira, 28 de outubro de 2024

20 anos de The System Has Failed do Megadeth!!!


Criatura, eu simplesmente amo este disco. É tão bom quando chega a hora de resenhar um álbum que a gente gosta pra caraca, de uma banda que a gente gosta mais ainda. Eu já estava feliz por "The World Needs A Hero" ter trazido de volta o Megadeth depois daquela coisa morna chamada "Risk", então, quando esse petardo foi anunciado em 2004, já fiquei naquela expectativa, nem ao menos apagada quando soube que a formação não teria David Ellefson, mas sim o mestre Mustaine com músicos contratados, sendo o mais aguardado Chris Poland, guitarrista original da banda, com o desconhecido Jimmy Sloas no baixo e um improvável Vinnie Colaiuta (Frank Zappa, Sting e Jeff Beck) na bateria. Nada disso impede de fazer de "The System Has Failed" o melhor álbum do Megadeth na era pós Risk, mesmo que eu também venere "End Game", "Th1rt3en" e "Dystopia". A começar pela capa que traz nosso amigo Vick em primeiro plano com uma fila de políticos famosos fazendo o que sabem de melhor, ou seja, conspirando e se vendendo. Mas vamos aos sons. O primeiro é "Blackmail The Universe", com algumas palhetadas que remetem àquela aura de "Dawn Patrol" do Rust In Peace. Uma música tipicamente Megadeth, thrash em sua essência da forma que eles se apresentaram ao mundo, mesmo que sem aquela agressividade inicial, porém com mudanças de andamento, aliás, algo constante neste álbum, cada música traz uma surpresa nos andamentos, alguns esperados e outros simplesmente inimagináveis. O vocal de Dave está ótimo, obrigado e até entendo quem não goste, mas eu acho sensacional. "Die Dead Enough" é o tipo de música que poderia estar em "Countdown To Extinction", com aquele ritmo mediano e refrão grudento. Já a terceira faixa é minha preferida, "Kick The Chair" (alô Datena) que também poderia levar o nome do álbum, é tão perfeita, com um início bem Rust In Peace, bateria empolgante e riffs quase cavalgantes, um refrão fortíssimo após um breakdown. "The Scorpion" é uma excelente surpresa, começa com uma melodia de guitarra enquanto sons de crianças brincando ao fundo, quando entra um riff médio e Dave cantando daquela forma mais aguda que remete imediatamente ao álbum "Youthanasia", com um peso adicional na guitarra. Em "Tears In a Vial" o baixo estalando chama atenção e uma aura "Cryptic Writings" vem à mente, e você começa a perceber que Mustaine tentou emular várias nuances de sua trajetória neste álbum, e melhor que isso, ele conseguiu. O álbum traz muitos solos de guitarra (chupa essa St Anger), alguns excelentes e outros nem tanto, mas o que importa é que eles não foram esquecidos. "I Know Jack" é um interlúdio de 40 segundos que serve de abertura para "Back In The Day", uma ode ao estilo de vida heavy metal, acelerada e que tem a mudança de andamento menos esperada do álbum, como se fossem duas músicas distintas emendadas, mas que eu acho sensacional, e é também uma de minhas preferidas. "Something That I'm Not" é uma música com energia, e sua letra me faz pensar que ele possa ter escrito pensando em algum ex amigo de outra banda famosa mas, não posso afirmar isso. "Truth Be Told" inicia como uma balada, mas quando carrega o refrão, você percebe que é um dos melhores do álbum, e novamente vem algo de Countdown... e com um dos melhores solos do álbum, mesmo que a segunda parte tenha um riff xerox de Hangar 18, e ainda tem um final apoteótico e raivoso. "Of Mice And Men" é uma música até legal que comete um pecado de repetir o refrão excessivamente, nada que não possa ser perdoado. "Shadow of Deth" nem chega a ser uma música completa, para Dave acho que o vale mais nela é a narrativa, mas eu fico com aquela melodia solada de guitarra. O trabalho fecha com "My Kingdom" que não decepciona, tem até aquele som de guitarra aberto de "When" do álbum anterior, mas mostra que as 3 últimas músicas estão 1 degrau abaixo do restante do álbum. Tudo bem, 9 músicas perfeitas em um álbum de 12 é algo pra se tirar o chapéu.   

 

domingo, 27 de outubro de 2024

20 anos de Temple of Shadows do Angra!!!


Se o álbum anterior, "Rebirth", foi na maioria das vezes comandado pelas guitarras, o mesmo não pode se dizer de "Temple of Shadows", quinto álbum do Angra, lançado em 2004. Mesmo que Kiko e Rafael tenham feito um ótimo trabalho, sinto falta dos riffs. Há muita melodia espalhada pelas músicas, que possuem muita identidade cada uma, algo bem difícil de se conseguir em um trabalho com mais 60 minutos de duração, mas que os brasileiros conseguiram com maestria. Por ser uma obra conceitual contando a história de um cavaleiro templário que passa a questionar sua fé e sofre múltiplos perrengues em sua trajetória, acaba influenciando para que tenhamos poucas músicas explosivas, e muitos momentos melódicos, mesmo que eu considere balada mesmo apenas a música "Wishing Well", dentre as demais acusadas de terem seus momentos. "Morning Star" por exemplo, mesmo com toda melodia, ainda tem um trabalho de guitarra bem pesado em algumas partes. Interessante ouvir a voz do Blind Guardian em "Winds of Destination", já que alguns críticos têm o descaramento de dizer que o Angra é uma versão dos alemães, coisa bem bizarra de se dizer. Minha preferência vai para as mais rápidas, como a ótima "The Temple of Hate", um power metal direto ou "Spread Your Fire", que salta aos falantes após a intro "Deus Le Volt" e tem um coral quase à capela para diferenciar seu final. Influência da música popular brasileira? Sim, temos em "Sprouts of Time" e "Late Redemption" com uma participação mais que especial de Milton Nascimento, que fez com que Edu Falaschi se desdobrasse ainda mais para entregar um vocal soberbo. A música "The Shadow Hunter" também deve ser mencionada, com uma estrutura progressiva de bom gosto. A arte da capa mais uma vez merece uma nota alta, que retrata São Jorge numa figura vítrea de igreja, sobre seu cavalo e atacando um dragão, com várias simbologias espalhadas sobre. Se o Sepultura é o lado negro da força do metal nacional, o Angra é o lado da luz.

 

quarta-feira, 23 de outubro de 2024

20 anos de Sardonic Wrath do Dark Throne!!!


Enquanto a banda conterrânea e contemporânea Mayhem lançava seu 3º álbum completo, os noruegueses do Dark Throne, conhecidos como Nocturno Culto e Fenriz, já soltavam no mercado seu 11º petardo em 2004, intitulado "Sardonic Wrath". Com uma carreira consolidada dentro do black metal, a banda sempre primou pela simplicidade em sua música, mas este trabalho divide a opinião geral, e geralmente não é citado como o preferido na extensa discografia. O correto é que ele entrega justamente o que o Dark Throne sabe fazer de melhor. Um som cru, sujo, frio, alternando entre o acelerado e o médio, com vocais rasgados. Nenhuma melodia bonitinha, nada para desviar a atenção como o outdoor de uma mulher bonita na beira da estrada, aqui o som segue em linha reta. A intro "Order of the Ominous" é totalmente dispensável, barulhos irritantes que desanimam qualquer ouvinte. Mas "Information Wants To Be Syndicated" traz bons riffs e uma energia segura, baixando a pegada para algo mais arrastado no final, enquanto "Sjakk Matt Jesu Krist" é bem forte e dinâmica. Particularmente prefiro as músicas que variam o ritmo ou têm uma levada mais mórbida, que é justamente o que entrega "Straightening Sharks in Heaven", um estilo que conserva o som dos anos 90, antes que ele decidisse que seria melhor ser mais brutal ou mais melódico, em outras bandas, é claro. Talvez a birra de alguns com este play seja o sentimento de que poderia ser mais agressivo, expirando mais ódio, algo que você encontra na faixa "Hate Is The Law", mas não é o suficiente para te condenar ao inferno. O álbum, que foi dedicado ao mestre Quorthon, tem uma arte de capa bem legal, com todos aqueles anjos apontando espadas para pessoas num cenário totalmente obscuro. "Rawness Obsolete" finda o opus de forma arrastada e com uma aura extremamente maligna, lembrando aquelas faixas que o Marduk da Suécia gravou em "La Grande Danse Macabre" de 2001. Eu diria que vale a pena conferir este play caso você não seja aquele fã ferrenho do Dark Throne e curte black metal ríspido.

 

domingo, 20 de outubro de 2024

20 anos de Ashes of the Wake do Lamb of God!!!


Os americanos do Lamb of God ganharam popularidade rapidamente no início do milênio e muitos os creditavam como a banda substituta do Pantera na questão groove metal. Vivendo em uma era onde a música é consumida de forma descartável, acho que eles chegaram no topo daquilo que se espera de uma banda de metal nos nossos dias e minha bola de cristal diz que não teremos mais nenhum Metallica ou Iron Maiden enquanto vivermos no mundo da globalização tecnológica. Portanto em seu terceiro álbum o Lamb of God atingia uma quantidade de fãs que perdura por 20 anos, com algum crescimento exponencial pouco significativo ao longo do tempo. É um pouco difícil analisar "Ashes of the Wake" sem deixar de lado uma formação puramente thrash anos 90 e com pés fincados nos 80, onde os riffs, mesmo que sem o mesmo poder do pouco falado "new wave of the amercican heavy metal", ainda assim era mais cativante e menos repetitivo, criando uma identidade muito mais reconhecível em bandas como Kreator, Slayer ou Megadeth, enquanto estes não pensavam em incorporar nada em seu som, e ainda eram portadores da clave do sol, que ditava o que era o correto a ser feito na matéria da relevância. Portanto minhas preferências em "Ashes of the Wake" caminham na direção em que a banda pôde se esgueirar em direção aos anos 90. Nesta toada podemos mencionar o início de "Laid To Rest", onde os riffs mais limpos logo surpreendem, sendo aquele momento inesperado para quem não está tão acostumado ao som do cordeiro. Aliás algo interessante em se dizer, e que talvez você não saiba porque passou os últimos 24 anos em alguma missão espacial da NASA, é que muitos confundiram a banda com white metal naquela época, por ela se chamar "Cordeiro de Deus" traduzindo para o português e seu primeiro álbum "Novo Evangelho Americano", mas se eles soubessem que o nome anterior da banda era "Burn The Priest" ou "Queime o Padre", então... não precisamos dizer mais nada. "Hourglass" é uma faixa ainda melhor que a abertura, com aqueles breakdowns legais, mesmo que isso seja quase uma regra durante todo o álbum. "Now You' Ve Got Something To Die For", uma música muitas vezes citada como a mais fraca do play, tem um riff a cara daquele Slayer que tentou se envolver com Nu Metal, mas não é uma música ruim. Minha preferida é "The Faded Line", com aqueles gritos rasgados no refrão e um ritmo médio com guitarras cavalgadas e... breakdowns again! Vale citar "Omertá" e a instrumental faixa título com uma profusão de solos de guitarra, com participação de Chris Poland, ex Megadeth e Alex Skolnick do Testament, monstros do Thrash!

 

segunda-feira, 14 de outubro de 2024

20 anos de The Seal of Belial do Lord Belial!!!


A banda sueca de black metal Lord Belial chegava a seu 5º full em 2004, chamado "The Seal of Belial". Confesso que este álbum me pegou de surpresa, pois o trabalho anterior, "Angelgrinder", possui uma brutalidade impecável, enquanto este opus, que não podemos dizer que não é brutal, vem rastejando do submundo, com músicas de ritmo médio a arrastadas. Com 50% de alteração na formação, a troca de um guitarrista e o baterista parecem ter um papel fundamental nesta mudança, pois estamos diante de um trabalho totalmente dark metal, termo que muitos não gostam, mas que serve para relacionar aqueles que praticam um black metal mórbido, enveredado ao death doom, e neste caso ouso dizer, próximo ao slow death. Como muitas vezes os sub gêneros são apenas para direcionar o ouvinte, tire suas conclusões, pois a bem da verdade estamos falando de um trabalho de metal extremo, com a maldade fluindo nas veias. Quem me conhece sabe o quanto aprecio a música arrastada, mas este álbum definitivamente não era o que eu esperava do Lord Belial. Após a semi intro "Prolusio: Acies Sigillum", a faixa "Sons of Belial" chega com peso, guitarras cheias de groove e um vocal rasgado forte, com algumas melodias acústicas interessantes. Você, que está ouvindo o álbum pela primeira vez (não é o meu caso, tenho este trabalho a alguns anos) fica intrigado porque os caras emendaram uma intro arrastada e logo outra música arrastada na sequência. Mas tudo bem, lá vem a "Chariot of Fire" pra corrigir isso, pois ela é... ainda mais arrastada? É quando você descobre que o álbum em mãos não tem nada a ver com o trabalho anterior, e precisa respirar e mudar a mentalidade para continuar a audição. Mas tudo bem, o som é legal e quando entra "Abysmal Hate" com aqueles blast beats a gente relaxa mais, só que a primeira impressão se agarra em nossa mente e insiste em permanecer, então eu sempre penso em "The Seal of Belial" como um álbum totalmente "slow". Mas ouça direito que você ainda encontrará uns 25% de movimentos mais acelerados. A produção de Thomas Backelin e And La Rocque (aquele mesmo) é muito boa, os instrumentos estão nítidos e soam bem. A capa é legal mas os tons muito escuros não deixam ver muitos detalhes, infelizmente. A vocalista Marielle Andersson mais uma vez dá o ar de sua graça com sua voz doce em "Legio Inferi", "Mark of the Beast" (ótima música) e na regravação de "Scythe of Death", sendo sua terceira participação em um álbum do Lord Belial. Formação: Thomas Backelin na guitarra e vocais e Anders Backelin no baixo, e os novatos Hjelmar Nielsen na guitarra e Daniel Moilanen na bateria. Indicado para fãs de Agathodaimon, Graveworm e Siebenburgen.

 

sábado, 12 de outubro de 2024

20 anos de Leaders Not Followers part II do Napalm Death!!!


A primeira parte de "Leaders Not Followers" veio em forma de EP em 1999, e é provável que tenha sido tão aclamada que o Napalm Death gravou a parte 2 em formato de full álbum em 2004. Álbuns cover nunca são jogo ganho, e alguém sempre irá reclamar que a banda tenha assassinado alguns de seus clássicos preferidos, mas temos dois pontos a dizer sobre isso. O primeiro é que a trupe que ousa gravar as músicas de outros precisa ser uma banda competente e com seu público fiel, algo que estes ingleses se encaixam perfeitamente. Segundo, que eles foram espertos o suficiente para colocar poucos clássicos aqui, e muitas músicas são um tanto obscuras no cenário, e foram transformadas de forma que ouvintes incautos talvez nem saibam que estão ouvindo um trabalho de versões. Dito isso, vamos aos destaques desta bolacha, que são nada menos que 19 faixas em aproximados 43 minutos de caos, pancadaria e muito bom gosto. A primeira surpresa vem na primeira faixa, "Lowlife", da banda Cryptic Slaughter, onde os vocais urrados de Barney Greenway são acompanhados pela voz esganiçada do baixista Shane Embury de uma forma sensacional, depois de um início apenas na bateria de Danny Herrera e as guitarras de Mitch Harris galopando num breakdown de tirar sorriso em qualquer rosto carrancudo. "Face Down in the Dirt" já merece citação por me fazer lembrar de alguma coisa de nosso Ratos de Porão, música composta pelo The Offenders. Importante falar que quase tudo neste álbum tem uma origem hardcore e punk, que casou perfeitamente com o grind death metal do Napalm. "Messiah" do Hellhammer é outro momento especial da bolacha, mesmo que o som seja menos visceral que a maioria das músicas, ficou muito bom. Uma trinca de respeito começa na 9ª faixa, a música "Master" da banda e álbum de mesmo nome que é uma das maiores obras do death metal americano e ficou a cara do Napalm, seguida de "Fire Death Fate" do Insanity, banda americana de death metal, música que está em seu álbum "Death After Death" de 1993, e a clássica "Riot of Violence" do Kreator, a música mais diferente deste álbum de versões, porque mesmo que seja de uma fase mais agressiva dos alemães, presente em seu segundo álbum, "Pleasure To Kill", ela tem muitas variações rítmicas, contrastando com as demais canções mais retonas que casam com o som do Napalm, mas que não precisa repetir que adorei. E para não estender demais nossa resenha, finalizamos citando (e não poderia ser diferente) uma versão poderosa para "Troops of Doom", presente em "Morbid Visions" do Sepultura, forjada em nossa terra mineira, com aquele riff carregado de maldade que só a MGArea conseguia fazer e influenciou outras localidades do mundo inteiro, proferida pela lenda Napalm Death com precisão e com Barney ainda mandando em português aquele famoso 1 2 3 4 no início. "Leaders Not Followers part II", estreia da banda inglesa na Century Media, não é apenas um caça níquel para compor coleção. Ele é imprescindível para quem curte metal extremo com influências de hardcore. Fico aqui com este riff inicial e maravilhoso de "Bedtime Story", do Dayglo Abortions! 

 

segunda-feira, 7 de outubro de 2024

20 anos de Epic do Borknagar!!!


O sexto trabalho de estúdio dos noruegueses do Borknagar, nomeado "Epic", é a exata continuação do trabalho anterior, "Empiricism" que foi a estreia de Vintersorg como vocalista da banda do guitarrista Oysten G. Brun. Mas claro que 3 anos entre os trabalhos traria alguma mudança, que percebemos e relataremos a seguir, mas raramente encontrei um trabalho de uma banda que soasse como uma progressão tão natural e próxima, como se fossem irmãos gêmeos, a não ser é claro, quando foram álbuns lançados para serem um duplo, mas não sendo, como Lemuria e Sirius B do Therion ou Load e Reload do Metallica. Mas então o que difere Epic de Empiricism? Primeiro que "Epic" é um "Empiricism" melhorado. A mesma força progressiva aparece nos dois trabalhos, mas neste álbum ela está menos forçada e aparece de forma muito mais natural, sem parecer que a banda está te empurrando isso goela abaixo. Os músicos captaram a essência folk viking e casaram com o black metal, criando uma trinca entrelaçada onde os três poderes se equivalem e nenhum sobrepõe ao outro. Segundo que o trabalho vocal, seja o rasgado ou o limpo, estão muito superiores ao anterior, com músicos muito mais à vontade para rosnar ou cantar sobre um instrumental com muitas variantes, que permitem esta dualização de forma pura e desafiante. E algumas coisas que para alguns idiotas parece bobagem de jardim de infância, como aquele ôôô ôô no final da música (sensacional música) "Origin" quando apresentados por músicos que sabem o que querem e melhor ainda, sabem fazer isso de forma natural, deixa tudo muito mais rico e interessante e são estes pequenos detalhes que diferenciam os reis dos escravos. E todo equilíbrio durante as canções é de se louvar, seja nos momentos acústicos de "Sealed Chambers of Electricity" ou na agressividade de "Future Reminiscence" ou a combinação destes dois momentos na ótima "Traveller" e o interlúdio instrumental muito bem vindo de "The Weight of Wind". Além de Oysten e Vintersorg temos Lars Nedland nos teclados e backing vocals e Asgeir Mickelson no baixo e bateria, já que Tyr, o baixista anterior pulou fora. "Epic" é um trabalho para se ouvir inteiro, do alpha ao ômega, prestando atenção nos detalhes, e se o Metal e Loucuras fosse uma página escolinha, daquelas que dá notas para os álbuns, como se existisse uma regra pra fazer metal, "Epic" só não ganharia um 10 porque tem um tal de Hammond que eu costumo achar que não combina muito com metal extremo. Mas aqui não é uma página escolinha. 20 anos de um álbum épico!   

 

domingo, 29 de setembro de 2024

20 anos de Trova di Danú do Tuatha de Danann!!!


Eu sou um amante do doom metal! Portanto o som alegre não é algo que eu leve muito em consideração, pois a melancolia faz muito mais efeito em minha alma que músicas pra cima possam chegar próximas de fazer. Então deixarei de lado aquilo que mexe com meu íntimo para focar na música, pois estamos falando de uma grande banda brasileira, maior representante do folk metal e além disso, está em nossa região, a MGArea! "Trova de Danú" foi o terceiro full da banda de Varginha, Minas Gerais, a terra que ficou famosa nos anos 90 por supostas aparições de E.T.s e Chupa Cabras. Antes disso a banda consolidou seu nome no cenário com as conhecidas obras "Tingaralatingadun" de 2001 e "The Delirium Has Just Begun..." de 2002. Com um som alegre e festivo, como o estilo folk geralmente pede, o terceiro álbum dos mineiros abre com a acelerada "Bella Natura", uma música exageradamente folk, onde os elementos metal estão em segundo plano, ou quase não existem na realidade. Se a banda tinha a intenção de apresentar o folk de cara com exclusividade, independente da reação dos fãs mais fervorosos do metal, tudo bem. Para quem prefere o som de guitarras mais pesadas eu acho um risco da pessoa parar de ouvir o trabalho logo na primeira faixa. Mas graças aos deuses celtas em seguida temos a melhor música da obra, a sensacional "Lover of the Queen". Essa música saiu em uma coletânea na época, se não me engano no CD promocional do festival paulista B.M.U. que ganhei de uma amiga de Barueri, e é desde então minha música favorita da banda. Ela passa uma seriedade muito superior à primeira faixa, além de ter vozes em coro no refrão que grudam na memória de forma "carrapática", ora sobre o instrumental, ora de forma acústica!!! Os vocais de Bruno Maia também são os melhores do trabalho, além de melodias de guitarra bem interessantes e uma flauta bem aplicada no início. Em "Dannan's Voice", um prelúdio de 46 segundos, temos uma voz feminina que lembrou de imediato o Cruachan da Irlanda. "The Land's Revenge", a música que eu escolheria para abrir o álbum, começa com guitarras pesadas, e logo entram vocais carismáticos e flautas que transmitem uma calma reconfortante, e depois acelera por um período, cai numa melodia bonita e em seguida entra uma guitarra pesada quase doom. Essa música mostra a riqueza na construção das músicas pelo Tuatha, e a preocupação em fazer um som interessante a todo momento. Para os que sentem falta de um vocal mais grave, vá para a faixa 7, "Believe, It's True", que ainda tem a melhor interação entre flauta e guitarra do álbum, ou a ótima "The Arrival" que em suas últimas estrofes temos realmente vocais guturais, e que particularmente, achei que casou muito bem (com a música e meu gosto hehe)! O álbum fecha de forma magistral com "The Wheel", com mais de 7 minutos e alguns convidados, a música é uma verdadeira viagem por todas as nuances que o Tuatha emprega em sua música, da calmaria à brutalidade. Recomendo!